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Suspeito de ter Ébola no Brasil está estável e diz não ter tido contacto com doentes

O primeiro paciente com suspeita do Ébola no Brasil, foi transferido, na sexta-feira (10), para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, em estado estável e sem febre, e disse que não teve contacto com doentes na Guiné Conacri.

O ministro informou no início da noite desta sexta-feira que o paciente, de 47 anos e procedente da Guiné, conversou com a equipe médica e afirmou que foi entrevistado no aeroporto de origem pelas autoridades sanitárias, e, como não tinha nenhuma queixa, seguiu viagem rumo ao Marrocos e depois ao Brasil.

“O paciente tem um quadro estável, ele encontra-se sem febre, sem outras queixas”, disse Chioro numa entrevista colectiva em Brasília, citando um boletim médico das 17h. “Ele confirma a informação de que na Guiné não teve contacto com casos, nem com óbitos, de pacientes que tiveram Ébola”, acrescentou o ministro.

O homem foi transferido para o Rio um dia depois de ter dado entrada numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cascavel, no Paraná, depois de ter apresentado febre.

Uma amostra de sangue do paciente foi colectada, esta manhã, para a realização do primeiro exame no laboratório Carlos Chagas, em Belém, cujo resultado é esperado em até 24 horas. Independentemente do resultado, um segundo exame será realizado 48 horas depois.

Mais cedo, o ministro afirmou em entrevista que “ainda que a probabilidade seja muito pequena, o caso classifica-se como suspeito pela referência clínica e pela história epidemiológica.”

“Não poderíamos desconsiderar, daríamos uma condução inadequada e irresponsável, se não trabalhássemos com o máximo de rigor a partir do momento que o caso é considerado suspeito”, afirmou.

O caso é o primeiro suspeito do vírus letal no Brasil desde o início do pior surto da doença já registado, que está concentrado na Guiné, Libéria e Serra Leoa, países da África Ocidental.

O paciente chegou ao Brasil a 19 de Setembro pelo aeroporto de Guarulhos (SP), vindo da Guiné, um dos três países que concentram o surto do Ébola na África, e informou ter tido febre, tosse e dor de garganta no dia 8 de Outubro, vinte dias depois de ter chegado ao país. O homem, de nacionalidade guineana, declarou-se refugiado político e fez uma escala no Marrocos depois de deixar a Guiné, segundo o ministro.

Segurança e isolamento

Segundo os protocolos de segurança e isolamento, o paciente chegou ao Rio na manhã desta sexta-feira de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e foi transferido de ambulância para o instituto da Fiocruz, onde está isolado.

O local é referência nacional para casos de Ebola. “O período de incubação da doença é de até 21 dias, sendo que a mediana encontra-se no quinto dia de infecção, portanto, nós não poderíamos descartar, mesmo sendo no 20º dia, pela presença da febre e pela origem do paciente, de tratá-lo como caso suspeito”, disse o ministro.

O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, destacou que se os sintomas tivessem sido apresentados um dia depois o paciente já estaria fora do período de incubação.

O ministro ressaltou que o Ébola só é transmitido por meio do contacto com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes, ou pelo contacto com superfícies e objectos contaminados, e que o vírus somente se transmite quando surgem os sintomas.

“As pessoas que viajaram com esse caso suspeito ou que entraram em contacto com ele no período que antecede o dia 8, dia que ele inicia a apresentação de sintomas, não correm risco de haver contraído a doença”, afirmou.

A UPA em Cascavel, onde o caso foi identificado, foi isolada na noite da quinta-feira, com cerca de 25 pacientes no seu interior, assim como todos os funcionários. O local passou por higienização antes de ser reaberto, esta sexta-feita.

No total, foram identificados 64 possíveis contactantes, incluindo três funcionários da UPA com contacto directo e quatro contactantes residenciais. Todas essas pessoas vão permanecer sob monitoria por 21 dias, segundo o ministro.

O pior surto do Ébola registado no mundo matou pouco mais de 4 mil pessoas até o final de 8 de Outubro, a maioria na Libéria, Guiné e Serra Leoa, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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