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Supostos malawianos abrangidos indevidamente pelos “sete milhões”

Pelo menos sete supostos cidadãos malawianos podem ter recebido indevidamente financiamentos inscritos no Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), vulgo sete milhões de meticais, no distrito fronteiriço de Macanga, província central moçambicana de Tete.

Segundo escreve, Quinta-feira (6), o “Diário de Moçambique”, durante um recente comício popular orientado por Alberto Vaquina, governador de Tete, em Nchontcho, sede da localidade de Cassupe, em Macanga, um cidadão moçambicano expôs a preocupação, garantindo que conhece sete casos.

O moçambicano, que pediu anonimato, afirmou que essa irregularidade cometida pelo Conselho Consultivo Distrital e líderes comunitários de Macanga prejudica os potenciais beneficiários dos sete milhões de meticais (o dólar EUA vale mais de 28 meticais), facto facilitado por a região fazer fronteira com o vizinho Malawi.

Pedindo a palavra, um cidadão de Cassupe, disse que “estou constrangido, porque os sete milhões estão a ser entregues a malawianos, em vez de nós os moçambicanos”.

Recebendo resposta através de aplausos prolongados, ele disse que conhece sete cidadãos de nacionalidade malawiana que receberam dinheiro do FDD, como se de moçambicanos se tratassem.

Segundo as suas palavras, esse procedimento viola os objectivos da criação do FDD, instituído já no primeiro mandato do actual Presidente da República, Armando Guebuza, que é de permitir que os moçambicanos produzam comida, gerem rendimento e criem postos de emprego, tudo na perspectiva de melhorar as suas condições de vida.

“Mas, não é isso que está a acontecer aqui em Nchontcho, porque o dinheiro está a cair nas mãos de pessoas alheias e gostaríamos que o senhor governador tomasse medidas para travar esta situação, de modo a que nós, moçambicanos, possamos beneficiar deste fundo, que tanto precisamos para desenvolver as nossas actividades. Queremos que haja transparência na aprovação dos projectos” – apelou o interveniente.

Em resposta a esta e outras preocupações colocadas naquele comício, o governador disse que “nós registamos estes problemas. Gostaríamos que, de facto, o dinheiro do FDD beneficiasse a moçambicanos e não a estrangeiros. Sendo assim, recomendamos aos líderes comunitários e os conselhos consultivos distritais para ser cada vez mais coerentes e sejam eliminados casos que estão a ser relatados”.

Para o “Diário de Moçambique”, este é mais um dos problemas que ocorrem nas fronteiras moçambicanas, em particular na província de Tete.

Casos há em que cidadãos malawianos fazem as suas machambas em território moçambicano e chegando a pôr em causa os limites fronteiriços.

Devido às movimentações de pessoas de Malawi para Moçambique e vice-versa, incluindo casamentos, geralmente tradicionais, nem sempre se torna fácil diferenciar o cidadão moçambicano do malawiano.

Até há regiões de Tete onde a circulação da kwacha, moeda do Malawi, é forte em relação ao metical, prossegue o jornal.

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