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Sul-africanos conformam-se com estado “crítico” de Mandela

Os sul-africanos adoptaram, esta Segunda-feira (24), uma postura melancólica de resignação diante da perspectiva iminente de se despedirem do ex-presidente Nelson Mandela, de 94 anos, internado em estado crítico num hospital.

Madiba, como é carinhosamente chamado, é reverenciado pela maioria dos 53 milhões de habitantes do país como o arquitecto da democracia multirracial instaurada em 1994, depois de três séculos de domínio branco. Mas a sua actual hospitalização, a quarta em seis meses, reforça a noção de que o ícone da luta contra o apartheid não irá durar para sempre.

O presidente Jacob Zuma, que visitou Mandela na noite de Domingo, reflectiu sobre o estado de ânimo da nação numa entrevista colectiva em que anunciou que Mandela continua em estado crítico.

“Todos nós no país devemos aceitar que Madiba agora está idoso. À medida que ele envelhece, a sua saúde irá perturbá-lo”, disse Zuma, sem entrar em detalhes sobre o quadro clínico. “Por causa do horário, ele já estava a dormir. Nós o vimos, olhamos para ele, e então conversamos um pouco com os médicos e a mulher dele”, contou Zuma, acrescentando que a situação de Mandela não deve afectar a visita do presidente norte-americano, Barack Obama, à África do Sul próxima semana.

Mandela foi internado há duas semanas por causa de uma infecção pulmonar. Na ocasião, o seu estado foi descrito como grave, mas estável. Mas o agravamento do fim de semana causou uma perceptível mudança de tom no país, que passou pelas orações pelo restabelecimento para preparativos para uma despedida.

“Se for a hora dele de ir, pode ir. Desejo que Deus possa cuidar dele”, disse a enfermeira Petunia Mafuyeka, que ia para o trabalho em Johanesburgo. “Vamos sentir muito a falta dele. Ele lutou por nós para nos dar liberdade. Vamos nos lembrar dele todo dia. Quando ele se for eu vou chorar.”

Algumas pessoas manifestaram a preocupação de que os médicos tentem prolongar desnecessariamente a vida de Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul e uma das figuras mais influentes do século 20.

“Estou preocupada de que estejam a manté-lo vivo, sinto que deveriam deixá-lo ir embora”, disse Doris Lekalakala. “O homem está velho. Deixe a natureza continuar o seu rumo. Ele precisa simplesmente de descansar.”

Mandela deixou a Presidência em 1999, depois de cumprir um só mandato, e desde então mantém-se politicamente discreto no país, o mais rico da África. A sua morte não deve causar grande impacto político.  A sua última aparição pública foi acenando para adeptos num carrinho eléctrico, logo antes do final da Copa do Mundo de 2010, em Johanesburgo.

Desde a sua aposentadoria, Mandela divide-se entre sua casa, no refinado bairro de Houghton, em Johanesburgo, e Qunu, a aldeia na província pobre do Cabo Oriental, onde ele nasceu.

A última imagem dele foi exibida em Abril pela TV pública, durante a visita de Zuma e de outros dirigentes do partido governista CNA à casa dele. Mandela então já apareceu frágil e magro, sentado sem expressão numa poltrona.

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