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Sou alérgico ao postiço – Pedro Nacuo, jornalista e autor do livro Boroma

Sou alérgico ao postiço - Pedro Nacuo

Ele já havia dito que Boroma será uma biografia falhada. No lugar de falar da sua vida, embrenhou-se a discorrer sobre a vida dos seus colegas, vindos de todos os quadrantes de Moçambique. Lançado na semana passada em Chibutuine, a obra não tem nada ficcional. Dos 262 nomes que o livro comporta, são pessoas vivas ou que privaram com o autor. Nacuo, no lançamento desta segunda edição, quis que o mesmo ocorresse na Manhiça, onde estas pessoas se reencontraram. Em 2002 deu à estampa “Montepuez-Grande Reportagem”. E tudo isto foi motivo suficiente para entrevistarmos um companheiro de armas.

Não foi um espectáculo comum o que a Thumba Sound ofereceu aos amantes do Underground. Trata-se de uma inciativa que, para além de música, envolveu psicólogos, activistas e um seropositivo que partilhou com a plateia, que inundou o Auditório Carlos Tembe, a experiência de viver com o HIV/SIDA. De referir que o senão desta iniciativa foi o comportamento do público, dado que a condição para se ter acesso à sala do evento era doar qualquer coisa que, posteriormente, fosse beneficiar a Associação Sociocultural Horizonte Azul que tem sob sua custódia mais de 100 crianças órfãs e vulneráveis. Deste modo, a adesão não correspondeu às doações.

Sobre este aspecto, Aleixo Paúnde, P. Underground no mundo da música, referiu que “a mudança de mentalidade é muito lenta, no entanto, as coisas estão a mudar para melhor”. Aliás, para P. Undergound as pessoas já começaram “a olhar para o próximo como a extensão deles mesmos. A adesão das pessoas é fruto de um trabalho que começou (no nosso estúdio) e agora através da rádio e de boletim informativo Labirinto, mostrou às pessoas o universo da Thumba Sound”. “Quando começámos não sabíamos até onde podíamos ir, mas hoje sabemos que depois de um passo vem outro passo”. E qual seria o próximo passo? “Continuar a difundir o nosso estilo de música de forma a abrir a mente da juventude moçambicana”. Por seu turno, Jusc Og, um dos organizadores do evento, garante que estes espectáculos são uma oportunidade para a diversão e, ao mesmo tempo, “para o fortalecimento dos laços identitários da cultura Hip Hop.” Sem esquecer, contudo, a sua potencialidade estética, o colectivo compreende e pratica a arte também como forma de luta contra a discriminação, o racismo e o HIV/SIDA que vitimam o ser humano onde quer que ele se encontre.

 

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