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Sonhar na estrada circular

Arrancaram em Junho último as obras da construção da estrada circular, um empreendimento que vai facilitar a ligação entre as cidades de Maputo e Matola. Aliás, com este projecto de 74 quilómetros de estrada, espera-se que reduza o congestionamento na capital do país e na periferia.

A estrada circular terá duas faixas de rodagem ao longo de todos os seus 74 quilómetros de extensão, com uma capacidade estimada de 3.600 viaturas por hora em cada faixa.

Espera-se que este curso rodoviário venha a reforçar a ligação entre as cidades de Maputo e Matola à vila de Marracuene, como alternativa para o crescente congestionamento do trânsito no acesso à cidade de Maputo, sobretudo nas horas de ponta.

O Conselho Municipal de Maputo, assegura que os fundos já estão disponíveis para a operacionalização do projecto da circular. Dos 74 quilómetros, 52 correspondem à construção de raiz e 22 quilómetros à reabilitação ou melhoramento de vias já existentes, embora algumas em estado de degradação.

A construção da estrada circular de Maputo, pela empresa China Roadand Bridge Corporation (CRBC), vai permitir a criação local de 2500 postos de trabalho durante dois anos e seis meses.

O director do Gabinete de Comunicação no Município de Maputo, Narciso Faduco, disse que cerca de 200 técnicos chineses, entre engenheiros e mestres-de-obra, também estarão envolvidos desde o início até ao fim da empreitada.

Mas, para a sua sustentabilidade, “a futura circular de Maputo irá ter portagens, não se sabendo actualmente quantas nem a sua localização”.

A empreitada vai custar 315 milhões de dólares, dos quais 300 milhões são financiados por uma linha de crédito de uma instituição bancária chinesa, o Exim Bank e os restantes 15 milhões de dólares pelo Orçamento do Estado moçambicano.

O traçado

A construção da via será feita em seis troços sendo que o primeiro compreenderá a realização de obras de reabilitação e ampliação do trajecto que parte das proximidades do novo Hotel Radisson, na Avenida Marginal, até à ponte do bairro da Costa do Sol, numa extensão de pouco mais de seis quilómetros.

O segundo troço será uma construção de raiz de perto de 20 quilómetros, que partirá da ponte da Costa do Sol até à vila sede do distrito de Marracuene, província de Maputo, passando pelo bairro Chihango.

De Chihango será igualmente edi ficada de raiz uma estrada de 10,506 quilómetros que terminará na zona do Estádio Nacional do Zimpeto, formando o terceiro troço.

O quarto troço é uma extensão de cerca de 16 quilómetros que consistirá na ampliação do trajecto entre a vila de Marracuene e o Estádio Nacional do Zimpeto. Partindo deste último ponto e num cumprimento de perto de 16 quilómetros será edi ficada uma rodovia de raiz até à Estrada Nacional Número 4, na região do bairro Tchumene, formando o quinto.

Para completar o projecto, prevê-se a construção de aproximadamente seis quilómetros de estrada de raiz do chamado “Nó da Machava”, na Matola, para a zona da Praça 16 de Junho, na cidade do Maputo. O projecto de estrada circular do Maputo inclui a montagem de portagens, pontes e lombas cujas quantidades e locais estão ainda por ser de finidos.

O Conselho Municipal de Maputo, na voz do seu presidente, David Simango, avançou que paralelamente a este projecto existem ainda outros, como, por exemplo, a construção de infra-estruturas de protecção costeira, o novo Mercado de Peixe e a ponte de Katembe.

É por esta razão que alguns trabalhos estão a ser coordenados, no sentido de que tudo seja feito em sintonia e sem tornar um caos a circulação rodoviária na capital do país.

Para Arão Nhancale, presidente do Conselho Municipal da Matola, a construção da via vai contribuir para o bem-estar dos munícipes, pois passarão menos tempo nas rodovias, desafogando assim o intenso tráfego que se tem veri ficado, sobretudo nas horas de ponta. De igual modo, vai estimular o desenvolvimento socioeconómico e turístico das zonas abrangidas pelo traçado do projecto.

Os donos da obra são a Administração Nacional de Estradas (ANE), o Conselho Municipal de Maputo, o Conselho Municipal da Matola e a empresa Maputo Sul. Após a conclusão do empreendimento, consta que caberá à empresa Maputo Sul e ao Município de Maputo a responsabilidade de gerir o empreendimento, incluindo as portagens.

As autoridades do município de Maputo garantiram que tudo se está a fazer para haver um menor número possível de famílias afectadas pelo projecto da estrada circular, sendo que neste momento decorre o levantamento do número de famílias afectadas.

Por exemplo, na zona do bairro Triunfo poderá existir uma e outra residência cuja área poderá ser afectada. No bairro dos Pescadores também poderá ser necessário fazer alguns ajustamentos e o mesmo poderá acontecer na entrada de Marracuene. No troço entre os bairros do Zimpeto e Tchumene a estrada também poderá afectar algumas famílias.

“Queremos casas prontas e não dinheiro”

As famílias residentes ao longo do traçado da estrada circular de Maputo e Matola pedem às autoridades municipais da capital do país para que, como compensação, ao invés de valores monetários, como normalmente tem acontecido, sejam construídas habitações.

Segundo o edil de Maputo, David Simango, as famílias pedem também para serem reassentadas próximo das zonas onde residem actualmente, para evitar transtornos, sobretudo às crianças em idade escolar que teriam de percorrer longas distâncias para chegarem aos seus estabelecimentos de ensino.

“Temos estado a fazer encontros de sensibilização com as famílias afectadas pelo projecto da estrada circular, e elas pedem duas coisas: não saírem das zonas onde residem actualmente e que o Governo construa as suas habitações”, a firmou Simango.

A este propósito, o presidente do Conselho Municipal de Maputoesclareceu que os pedidos e propostas das famílias afectadas pelo traçado estão a ser analisados por uma comissão técnica criada no âmbito deste projecto, “mas o que posso dizer é que vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que as pessoas sejam reassentadas perto das zonas onde estão a viver neste momento”.

Num outro desenvolvimento, David Simango disse que as pessoas estão de acordo com o projecto da estrada circular, “mas colocaram algumas questões e acho que o grupo de trabalho deve apreciá-las”, enfatizou o dirigente, ajuntando que neste momento prossegue o levantamento das pessoas e das infra-estruturas que poderão ser afectadas pela estrada circular.

Um trabalho (in)dependente

Praticamente já se está a trabalhar, o empreiteiro da obra já montou o estaleiro e, neste momento, está a fazer uma intervenção na marginal, enquanto se finaliza o projecto executivo.

O edil a firmou ainda que o empreiteiro, a China Roadand Bridge Corporation, está também a tentar localizar locais para a extracção de saibro e de pedra, uma vez que não quer depender de terceiros no fornecimento destes materiais de construção.

“O empreiteiro vai precisar de muita areia e de muita pedra, pelo que não pode depender de terceiros, porque pode haver falhas no seu fornecimento”, a firmou ainda David Simango, para quem a estrada circular é um dos mais importantes projectos de Maputo.

Recorde-se que em Fevereiro passado, o Conselho de Ministros, reunido na sua V Sessão Ordinária, aprovou uma resolução que rati fica o acordo assinado entre o Exim Bank da China e o Governo de Moçambique para o desembolso de um valor de 300 milhões de dólares com o qual se pretende materializar o Projecto da Estrada Circular.

O porta-voz daquela sessão do Governo e igualmente vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Henrique Banze, disse que um dos objectivos do Governo é continuar a trabalhar para a melhoria das vias de acesso.

“Com a estrada circular, vai- -se sobremaneira evitar que todas as viaturas tenham que passar pelo meio da cidade para chegarem aos diferentes pontos. Também que se encontrem alternativas para que haja um bom escoamento do tráfego”, disse.

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