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Sizaquel: “Eu vivo a música”

Sizaquel: “Eu vivo a música”

Prestes a celebrar uma década de carreira – o que acontecerá no próximo ano -, a compositora e intérprete Sizaquel Matlombe já carrega consigo um legado de mais de uma dezena de anos. Tem 31 anos de idade, três prémios, um disco e uma legião de admiradores. Mas isso, diga-se, são apenas detalhes no currículo de uma artista no ápice do seu talento.

É uma daquelas estrelas que entraram na vida de milhões de pessoas com a mesma naturalidade dos parentes mais próximos. Dona de uma das mais invejáveis vozes do país, Sizaquel Matlombe não teve uma educação musical formal e acredita tratarse de uma dádiva, mas a igreja foi a sua escola. “Eu vivo a música, canto por amor à música. Para mim a música é tudo”, começa por dizer a voz da melhor canção 2010/11.

Nasceu em Nampula, mas cresceu entre a cidade e província de Maputo, onde teve uma infância tranquila. E, diga-se, Sizaquel Matlombe, que completa este ano o seu 32º aniversário de vida, já nasceu compositora e intérprete.

Desde tenra idade que alimenta a paixão imensurável pela música. Aliás, o ardor pelo “sol-e-dó” foi influenciado pelo seu pai que era músico corria a década de ´80. Ela via-o sempre tocar em casa acompanhado da sua banda, mas não se limitava apenas a assistir. “Eu acompanhava o grupo fazendo coros. Ainda pequena tinha noção do que é cantar e interpretar a música de outros músicos”, conta. Mais tarde, o seu progenitor abandonou o universo da música, mas o “bichinho da música” continuou a crescer na vida de Sizaquel.

A advocacia atravessou-lhe os sonhos de infância, mas a música falou mais alto. Na verdade, fazer música, diz, “sempre foi o meu sonho”. Mas só em 2002 é que a sua carreira começa na cidade de Tete, interpretando músicas de artistas estrangeiros conceituados, até porque ainda não contava com uma composição da sua autoria.

No início do seu trabalho, Sizaquel interpretou diversos estilos musicais, desde as músicas mais agitadas até as mais clássicas, em bares e hotéis. “Interpretei bastante as músicas da Whitney Houston, aliás, eu aprendi muito dela, ou seja, ela foi uma escola para mim”, comenta.

Em 2003, pertenceu a um pequeno agrupamento musical denominado “Kanhempe”. Um ano mais tarde, em 2004, a jovem artista deixou a banda e participou no concurso de descoberta de talentos “Fantástico”, no qual se sagrou vencedora. “Foi o primeiro grande momento da minha vida”, comenta.

Diga-se, Sizaquel Matlomble aproveitou os cinco minutos da música “Th e greatest love of all” de Whitney Houston e nunca mais parou. Em 2007, venceu com a música “Nikazalile” o prémio de “Melhor Canção” no Top N’goma, feito que repetiu na edição de 2010/11 com o tema “Taka Xai Xinhe”.

“As distinções signifi cam um reconhecimento da qualidade do meu trabalho e de que posso contribuir para o engrandecimento da nossa cultura. Quando faço uma música, não a faço para deitar fora no dia seguinte, pelo contrário, faço para outros escutarem e porque quero deixar um legado para as gerações vindouras. Os prémios mostram que o público acredita em mim e valoriza o meu potencial”, comenta.

Uma carreira sempre em ascensão

Logo após vencer o Fantástico, Sizaquel recebeu um convite para integrar o agrupamento Kapa Dêch. “Foi também um grande momento da minha vida, uma vez que passei a trabalhar com uma banda superexperiente. Acho que muitos músicos gostariam de estar com o Kapa Dêch e eu tive essa sorte”, diz. É a única voz feminina do conjunto e diz que se sente à vontade.

O primeiro trabalho discográfico de originais, produzido por Yé-Yé, surge em 2006 com o objectivo de manter o seu nome na ribalta. Mas a cantora comenta que, embora tenha vendido bastante, não se sentiu satisfeita com o resultado do seu álbum denominado “Tivonile”, uma mistura de Marrabenta e Passada, devido ao estilo comercial.

Presentemente, Sizaquel está a preparar o seu segundo disco que será composto pelos sucessos que já se encontram nas rádios nacionais e na boca dos seus admiradores. “Ainda não tenho previsão do lançamento do álbum. Estou a trabalhar devagarinho, pois, quero colocar no mercado algo com qualidade e não gostaria de ter um álbum gravado no computador”, afirma a cantora moçambicana com uma das mais invejáveis vozes do país. A obra vai ser um cocktail de música Marrabenta, Soul à moçambicana e Afro.

Além do trabalho a solo e com a banda Kapa Dêch, Sizaquel colabora com outros agrupamentos musicais fazendo coro, sendo, nos últimos tempos, o seu lado mais visível. “Eu vivo de música e pretendo viver dela. Enquanto eu não estiver no patamar em que devia estar, sempre continuarei a fazer coros para outros artistas, embora muita gente me condene”, diz.

Antes de ver o seu nome sob os holofotes dos media, realizou diversos espectáculos pelo país. E hoje, ao contrário do que aconteceu quando estava no anonimato, Sizaquel Matlombe ainda não apresentou concertos em todas as capitais provinciais e lamenta o facto de ainda não se dar o devido valor ao trabalho dos músicos moçambicanos.

“Em Moçambique, apenas três ou quatros músicos é que são valorizados e os restantes são marginalizados. Não temos quem nos apoio na divulgação da nossa música além-fronteiras”, comenta.

Em termos de temática, Matlombe diz que falta maturidade nas músicas dos artistas nacionais, facto que obriga o público moçambicano a optar pela música estrangeira, especialmente a angolana.

“Os músicos angolanos, não sei se é um dom, quando fazem as músicas fazem-nas de coração e aquilo que dizem toca nas pessoas. Mas os moçambicanos só conseguem fazer música para brincar, ou seja, se outros se sentam para desenhar uma música, aqui faz-se em um segundo”. No próximo ano (2012), a compositora e intérprete comemora 10 anos de carreira.

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