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Síria protesta por ataque israelita e alerta para “surpresa”

A Síria protestou, esta Quinta-feira (31), junto à Organização das Nações Unidas (ONU) por causa de um bombardeio aéreo israelita no seu território e alertou para uma possível “surpresa” como resposta.

A chancelaria síria convocou o chefe da missão militar da ONU nas colinas do Golã – território sírio ocupado por Israel – e manifestou o seu protesto, um dia depois de Israel atingir um local que Damasco afirmou ser um centro de pesquisas militares, mas que os diplomatas descreveram como um comboio de armas na direcção do Líbano.

“A Síria responsabiliza plenamente Israel e aqueles que o protegem no Conselho de Segurança pelos resultados dessa agressão e afirma o seu direito de defender a si, a sua terra e a sua soberania”, disse a nota de protesto, segundo a TV síria.

O ministério apontou no incidente da Quarta-feira como uma violação de um acordo militar de 1974 que se seguiu à última grande guerra entre os dois países. Damasco também exigiu que o Conselho de Segurança condene inequivocamente o bombardeio.

O secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, manifestou “grave preocupação” e pediu respeito ao direito internacional e à soberania. “O secretário-geral pede a todos os envolvidos que evitem tensões ou a sua escalada”, disse o seu gabinete.

Israel manteve total silêncio sobre o ataque, como já ocorrera em 2007, quando bombardeou uma suposta instalação nuclear síria. Damasco não retaliou àquele ataque. O embaixador sírio em Beirute disse, esta Quinta-feira, que o seu país pode “tomar uma decisão de surpresa de reagir à agressão dos aviões de guerra israelitas”.

Ele não deu detalhes, mas disse que a Síria estava “a defender a sua soberania e a sua terra”. Os diplomatas, rebeldes sírios e forças de segurança disseram, Quarta-feira, que os jactos israelitas bombardearam um comboio próximo à fronteira libanesa, aparentemente atingindo armas destinadas ao Hezbollah.

A Síria negou essas versões, dizendo que o alvo foi um centro de pesquisas militares a noroeste de Damasco, a 13 quilómetros da fronteira. O governo sírio enfrenta actualmente uma rebelião armada que, segundo a ONU, já matou 60 mil pessoas.

O Hezbollah, grupo xiita do Líbano que em 2006 travou uma guerra de 34 dias com Israel, é aliado do presidente sírio, Bashar al-Assad, e divulgou nota, Quarta-feira, reiterando a sua “total solidariedade com a liderança, o Exército e o povo da Síria”.

A Rússia e o Irão, outros aliados do regime sírio, também condenaram Israel pelo bombardeio. Os detalhes do bombardeio da Quarta-feira continuam confusos e contraditórios. Os rebeldes sírios chegaram a dizer que o ataque foi da sua autoria, com morteiros, e não dos aviões de Israel.

A TV síria disse que duas pessoas morreram. Uma mulher que vive perto do local atacado disse, pedindo anonimato, que houve fortes explosões durante a madrugada, mas não soube dizer se ocorreu um ataque aéreo ou terrestre.

“Estávamos a dormir. Aí começamos a ouvir foguetes a atingirem o complexo, o chão começou a tremer, e corremos para o porão.” Os jornais israelitas limitaram-se, esta Quinta-feira, a citar os relatos da imprensa estrangeira sobre o ataque.

Os jornalistas de Israel são obrigados a submeter as suas reportagens sobre temas militares e de segurança à censura, que tem o poder de proibir a publicação de qualquer matéria que seja considerada comprometedora para a segurança do Estado.

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