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SIGAS, o novo combatente da pátria

Judo: Neuso Sigaúque trabalha para chegar aos Jogos Olímpicos

Falar de combatentes da pátria pode levar muitos leitores a pensar numa situação de um passado político ou num grupo que reclama os seus direitos. Mas longe de debates políticos, trazemos um verdadeiro e consensual combatente da pátria, um homem, embora jovem, que luta pelo país e que, mercê do seu esforço, tenta devolver o nome de Moçambique ao topo do desporto internacional.

Sigas, como é carinhosamente tratado Neuso Sigaúque nos meandros desportivos, é um jovem atleta que nasceu em Maputo no ano de 1985 e que muito cedo abraçou o judo. Não tem memória de quando exactamente, mas afirma que quando deu por si já encarava os primeiros combates.

Aos 27 anos concretizou um dos seus maiores sonhos como judoca: o de competir numa fase final dos Jogos Olímpicos e quis o destino que fosse mesmo em Londres. Por coincidência, Sigas será o primeiro moçambicano a entrar em competição já no próximo dia 28 (de Julho) ou seja, um dia após a cerimónia oficial de abertura destas Olimpíadas.

Vai representar o país na categoria dos 60kg também conhecida como a dos Meio-Leve.

A chegada a Londres

Um dos maiores sonhos de Siga era vestir as cores da bandeira nacional e representar o país no maior ringue de judo do mundo. Todavia, tudo ocorreu de uma forma bastante natural: Neuso Sigaúque, apesar de ocupar a 119ª posição no ranking mundial, é o moçambicano mais bem posicionado pelo que a sua qualificação foi automática.

E enganam-se os que pensam que essa qualificação automática foi obra do acaso. Na verdade, Neuso Sigaúque trabalhou duramente para melhorar a posição no ranking mundial dos judocas que só foi possível graças à sua participação nos Mundiais de 2010 e 2011 em Tóquio e Paris, respectivamente, como também no Campeonato Africano. Neste último terminou na oitava posição.

Aliás, apesar de a sua presença por não ter sido notória nesses três eventos, melhorando apenas a perfomance individual, em 2011 recebeu um convite para viver na França e fazer parte de um clube local denominado “Judo Club du Grand Quevilly” onde se tornou colega do campeão europeu em título e do mundo na categoria de juniores de judo.

“Se estivesse em Moçambique não iria a Londres”

Neuso Sigaúque abandonou o país nos meados do ano passado rumo à França para se dedicar exclusivamente ao judo. Ele não esconde a tristeza de ter abandonado a terra natal e revela que foi o sonho de também se tornar uma lenda mundial de judo que falou mais alto, para além da preparação para os Jogos Olímpicos.

Siga afirma que estar na Europa como judoca concede-lhe prestígio visto que passou a merecer uma maior atenção por parte da Federação Internacional da modalidade, o que não aconteceria se estivesse em Moçambique.

“Eu estou no segundo melhor país no que diz respeito ao judo e a competir noutros níveis. Aqui as infra-estruturas para a prática do judo são modernas e a modalidade é também muito acarinhada. Um cenário que garantiu a minha ida a Londres para representar o meu país”.

Questionado sobre se pensa em regressar um dia a Moçambique, o judoca foi peremptório na resposta: “Ainda tenho muita vida pela frente e quero tornar-me uma lenda”.

Promessas de Siga

Ser o primeiro a representar o país acarreta muitas responsabilidades; o judoca está ciente disso e promete: “Quero chegar aos quartos-de-final.”

“Quero fazer o primeiro combate tranquilo e estou ciente de que os primeiros trinta segundos serão decisivos” sentencia, para logo a seguir, quando confrontado com o facto de ser a primeira vez a competir neste evento, responder: “Cá na Europa eu treino e participo em competições com judocas altamente qualificados, pelo que chegarei a Londres de cabeça erguida”.

Importa referir que a memória que se tem sobre a participação de Moçambique nos Jogos Olímpicos na modalidade de judo é bastante recente e data da última edição que decorreu em Beijing, em que Moçambique foi representado por Edson Madeira.

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