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Vítima de acidente de viação agoniza abandonado no Hospital Central de Maputo

Vítima de acidente de viação agoniza abandonado no Hospital Central de Maputo

A 23 de Julho de 2013, Carlos Afonso Herculano, de 39 anos de idade, engrossou, infelizmente, a lista das pessoas que no mundo ficam incapacitadas em consequência dos acidentes de acidentes viação. Ele capotou com um camião de grande tonelagem, no distrito de Mocuba, na província da Zambézia, devido a problemas mecânicos. A vítima, por mais que fique curada, nunca mais estará em condições de cuidar da esposa e dos filhos, cujo futuro é desde aquele dia incerto.

Praticamente dado como morto pelos médicos do Hospital Central de Maputo (HCM), apesar de o seu coração ainda palpitar, Carlos Herculano contraiu sequelas graves e a sua família está desesperada em resultado da falta de meios para lutar pela sua saúde. A Mocotex, empresa na qual a vítima trabalhava, não assume as despesas do tratamento médico nem ajuda a mulher e a sua prole.

A vítima do acidente está quase inanimada no Departamento de Cirurgia da maior unidade sanitária do país e o seu estado de saúde tem estado a piorar a cada dia que passa por falta de assistência clínica adequada. Segundo os seus parentes, há três dias que ele não beneficia de higiene nas feridas por desleixo dos médicos. Estes alegam que não existem medicamentos para o efeito.

Na manhã do dia 23 de Julho do ano passado, de acordo com a esposa, Nilza Manhoso Lino, de 35 anos de idade, o doente telefonou para a Mocotex e informou que o camião que ele conduzia tinha problemas mecânicos. Depois da inspecção, os técnicos da mesma firma concluíram, erradamente, que a situação não era grave e que, portanto, Carlos Herculano podia chegar ao seu destino. Todavia, por volta das 11h:00 daquele dia, o veículo capotou e deixou o homem com problemas motores nos braços e nas pernas. Miraculosamente, a vítima sobreviveu mas está a enfrentar um suplício.

O custo social para um homem como Carlos Herculano, que contraiu uma deficiência grave em resultado de um acidente de viação, está patente nos olhos de Nilza Lino, que, sem ideia de como vai cuidar dos filhos na ausência do marido nos próximos tempos, neste momento, se queixa da falta de apoio, principalmente por parte da entidade empregadora.

Após o sinistro, o seu cônjuge esteva internado num hospital em Quelimane, tendo a mulher solicitodo uma transferência para Maputo – em Outubro de 2013 – convencida de que ele teria melhor tratamento médico no maior hospital do país, mas não é o que está a acontecer.

No leito do HCM, Carlos Herculano permaneceu, semanas a fio, na mesma posição e sem falar, ou seja, deitado de costas, o que fez com que contraísse quatro feridas enormes nas nádegas e na cintura. Apesar de não registar melhorias consideráveis, foi dada alta ao doente. Porém, passados alguns dias, teve uma recaída.

Dessa vez, Nilza Lino – que já não estava satisfeita com o atendimento do HCM – recorreu aos serviços do Hospital Militar de Maputo (HMM), onde o marido permaneceu sete dias de baixa. Volvido aquele período, Carlos Herculano já falava e demonstrava sinais de melhoria, mas a família não tinha condições financeiras para mantê-lo em tratamento naquela unidade hospitalar, onde Nilza Lino desembolsou 400 meticais para a consulta, 450 meticais respeitantes a análises e 350 meticais de visita médica. Os sete dias em que o enfermo esteve internado custaram 10 mil meticais, mas a senhora não possuía tal valor. Ela informou à direcção do HMM de que estava desprovida de meios, tendo beneficiado de um desconto de três mil meticais. Deste modo, ela levou o marido para casa com a sensação de fracasso.

Em Dezembro passado, Carlos Herculano teve mais uma crise que deixou a esposa aflita. Ela recorreu novamente ao Hospital Central de Maputo, onde o marido se encontra neste momento e em mau estado estada de saúde. Para além de ter pensos sujos há três dias, em virtude de os médicos negarem lavar as suas feridas, um deles, violando a ética deontológica que rege os profissionais da Saúde, assustou a desdita senhora, proferindo palavras pouco encorajadoras. “Disseram-me que o meu marido não devia estar no hospital porque está apenas à espera do dia e da hora para morrer. Nunca esperei ouvir isso de um médico e receio que possam matá-lo”, desabafou a senhora, envolta em lágrimas.

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