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SELO: Uma viagem traumática, um homem aliviado – Por Énia Lipanga

Queria que este episódio fosse mais uma história fictícia, mas infelizmente é um insólito que acaba de me acontecer! Como muitos moçambicanos, sujeito-me a ser transportada em más condições, nos chapas, para me fazer ao serviço. São “chapas” superlotados, o que faz com que uns consigam um assento enquanto outros são obrigados a viajar numa autêntica pose “dog style”.

O meu destino era a paragem CMC quando entrei em um desses “chapas”. Encontrava-me na paragem da “casa branca”. E, porque já não tinham assentos, fui obrigada a viajar inclinada.

Eis que um senhor sobe e se posiciona no meu traseiro. Não preciso aqui explicar que nos “chapas” é inevitável que tenhamos alguém a “guarnecer” as nossa costas.

Ora, quando o “chapa” partiu, eis que tal senhor me encosta e começa a fazer movimentos de vaivém (aproveitando-se do impulso do chapa) e chega a se encostar nas minhas nádegas. Pedi-lhe que se afastasse, pois, para além de me tocar,  uma das suas mãos pressionava-me a cintura.

Foi tudo muito rápido. Só para terem uma ideia, a viagem foi de uma paragem para a outra, e eu tirei dinheiro para pagar o “chapa”, porém, quando estava para descer uma senhora me alerta:

– Moça tua perna está suja!

Olhei e vi que tinha um líquido branco e denso. Custou-me acreditar, mas o senhor tinha mesmo ejaculado em mim. Sujou-me o vestido e o seu sémen ficou pousado em minha perna. Enquanto tentava entender o que tinha acontecido, o “chapa” seguiu a viagem.

Faltou-me fôlego neste momento. Estou com uma sensação de nojo que jamais vivi. Lavei-me, mas ainda me sinto suja e  estuprada. Ele usou o meu corpo para a sua satisfação sexual – em público!

O pior deste drama é imaginar que há quem se apercebeu do acto delinquente e não me alertou; o mais chato ainda, são perguntas absurdas que vão surgindo:

– Mas Énia como pode um homem se masturbar no “chapa” e você não notar?

– Que tipo roupa trajavas?

– Porquê que te deixaste encostar?

A possível resposta é: se tu dependes do “chapa”, então, saberás o que acontece.

Aos afortunados, aqueles que não andam de “chapa”, que experimentem…

Sempre critiquei sobre os nossos transportes, das condições desumanas a que somos submetidos: apalpam-nos  as partes íntimas, viajamos um por cima do outro, transpiramos e ficamos sujos antes mesmo de chegar ao destino, mas as nossas reivindicações duram apenas uma semana.

Nos conformamos com uma vida indecente que nos é oferecida neste país pobre com governantes “podres” de rico.

NB: passamos por vários abusos diariamente e muitas vezes nos calamos. Não era minha vontade partilhar esta história, mas precisamos quebrar o silêncio em busca de uma mudança. Fiquemos atentos, há pessoas que sobem o “chapa” só para se masturbarem vendo doces corpos!

Por Énia Lipanga

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