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SELO: O país da contradição: Bênção vs Castigo da Nação – Por Wilson Nicaquela

Leia e leia mais, lá no final está a essência…. Olho com uma ponderação esquizotípica a realidade endógena do meu país. Como nem de Teologia sei, e não digo sobre as Ciências Sociais/ou Humanas, vezes sem conta, fico perplexo sem contemplações. Como não posso ficar preso de exteriorizar o meu “irracional” pensamento, acabo envolvendo-me nas profecias religiosas e ajusto-as àquilo que o então território dos Monomotapas está mergulhado.

“Tudo é bom ao sair das mãos do criador de todas as coisas, tudo degenera entre as mãos do homem”, esta foi a lição de JEAN JAQUES ROUSSEAU.

Quando penetro na porta da fé, fico jubilado que Moçambique é um país abençoado, sim, é ou seria dos poucos países escolhido à dedo divino para albergar  inúmeros recursos naturais, eventualmente, pessoas amáveis, honestas como sempre, solidárias e, acima de tudo, simpáticas e hospitaleiras.

Enganei-me! Enquanto  o país descobre novos recursos que estariam a contribuir no enriquecimento dos seus concidadãos, muita gente está cai na miséria da pobreza.

Enquanto os inquéritos apontam elevadas taxas de natalidade em todo território, as estatísticas multiplicam as taxas de mortalidade.

Enquanto o país adquire mais armas para protecção do povo, aumenta o número de mortes por baleamentos.

Enquanto chamamos  os mediadores para uma paz efectiva, alargam-se as regiões da guerra.

Enquanto compramos barcos para reduzir as importações do carapau, escasseia o peixe importado e sobe o preço do peixe local.

Enquanto contratamos dívida para estabilizar a nossa economia, tornamo-nos mais falidos e fechamos as agências bancárias.

Enquanto solicitamos auditores para nos auxiliar a descobrir os nossos erros, acusamo-los de quererem ter benefícios que nunca soubemos que tinham.

Enquanto outros morrem de carros armadilhado, nós morremos ou de balas perdidas, de “chapa 100” na estrada, de afogamentos, de intoxicação ou carbonizados.

De dia vamos às mesquitas, às igrejas e sinagogas, enquanto nas noites vamos à feitiçaria.

De dia somos do partido no poder para manter a chefia, de noite participamos na traição do governo.

Elaboramos discursos escamoteadores sobre o combate à corrupção, ao burocratismo, ao nepotismo, ao espírito de “deixa escorregar”, mas, em contrapartida, deitamos a baixo tudo isso e resumimo-nos em “façam o que digo e não o que faço”.

Somos defensores acérrimos do não despesismo e viramos gente que gosta de mordomias de forma incomparável. Somos pais da democracia mas não admitimos competidores possíveis de nos substituir.

Advogamos a defesa do povo mas eliminamos os seus filhos. Queremos dirigir o centro e norte e é aí onde os selecionados nominalmente desaparecem para sempre.

Defendemos a unidade nacional, mas quando temos um presidente do sul julgamos que é de Moçambique. Mas quando é do norte, achamos que é dos Makonde.

Quando é  presidente velho o país deve gerir o crescimento económico mas quando for um jovem-adulto deve gerir as guerras, as tragédias, as crises e determinados interesses…

Enquanto os outros procuram minimizar os seus problemas e as assimetrias sociais, económicas, culturais, regionais e políticas, endurecemos as nossas diferenças pela cor da pele, do partido político em que pertencemos, do local de nascimento, da forma de pensar, do nível académico, da escola de formação e da língua que fala. Aliás, queria dizer nós  endurecemos o que PASSERON designou de reprodução. Enquanto uns procuram soluções para o bem comum, há quem investe na busca de dificuldades e dos males sociais em cadeia.

Ó DEUS, criador de todas as coisas, enquanto noutros países engendra a paz e bênção, irreversivelmente,  este meu país, remove a única qualidade que ostentava: de ser “Pérola do Índico”! E acrescenta-se a qualidade de ser “Sodoma Africana”. Este é o pais dos antónimos.

PS: Se me perguntarem a solução desses problemas, como professor direi: eduquemos, com profundidade , as crianças sobre os sinónimos e o princípio da multi-beneficência, para evitar esforço com os adultos adulterados e reduzir a maledicência.

Por Wilson Nicaquela

Psicólogo Escolar e Mestrando em Educação em Ciências de Saúde pela Universidade Lúrio (UniLúrio), Campus de Marrere, Nampula-Moçambique

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