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SELO: O diálogo político e a realidade de Moçambique, uma maratona de procura de paz a tomar em consideração – Por Jorge Valente

Compatriotas e comunidade internacional, as desigualdades sociais, a má governação, a hegemonia duma etnia contra as outras, o oportunismo, a arrogância, o desgaste político, a ausência de estratégias claras ajustadas à actual governação, a corrupção, a sobrevivência de elites minoritárias contra a maioria, são alguns dos males hediondos que ditam as convulsões numa sociedade.

No caso particular de Moçambique a Frelimo montou, desde o tempo de luta pela independência, um ambiente de exclusão e má governação contra o seu povo. Para este partido, o importante é a elite que está no poder e que decide sobre a vida da maioria e dos seus seguidores.

Os males que existem em Moçambique são vários. Como a cada dia que passa o tempo e as circunstâncias são dinâmicos, o que exige ajustamento, a Frelimo foi apanhada em contra-pé agarrada à anterior mentalidade de humilhação e de dividir para reinar. Estas situações são caracterizadas pelas expressões cegas e de um populismo ultrapassado de “Unidade Nacional”, “país uno e indivisível”. Há opressão contra opositores e todos aqueles que não comunga com os seus ideais.

Ninguém está contra a Frelimo, que fique claro. Mas os males que esta associação de esquadrões de morte cultivou e consolidou ao longo dos anos ditam a mentalidade de auto censura-se. O país deve experimentar uma alternância governativa.

Está na moda, hoje, falar-se do diálogo político e da vinda de diversos mediadores para se encontrar a paz. Ora, esse exercício é inútil no actual contexto em que a Frelimo continua agarrada ao seu modus operandi de anos atrás.

Dos regimes que se gabam de serem libertadores e que são agarrados a esta concepção (a Frelimo, de Moçambique, a ZANU-PF, do Zimbabwe, e o MPLA, de Angola), a Frelimo vai ser a primeira a ser desactivada e a paz só existirá com a sua saída do poder, porque já não tem estratégias nem manobras para ludibriar as pessoas, visto que o tempo está a ditar mudanças.

A Frelimo está hoje numa corrida de sobrevivência e contra o vento que sopra do centro, em direcção ao norte, e a alternativa que encontra é investir nos seus lambe-botas, com fundos roubados. Os seus maiores beneficiários destas acções criminosas os Gustavos Mavies, os Amorins Bilas, os Edmundos Galizas, os Edsons Macuácuas, os Alxandres Chivales, os Moiseses Mabundas, todos eles do sul de Moçambique; os Caifadines Manazes, os Sérgios Vieiras, caducos  reaccionários do centro e comprados pelo regime para defender os interesses da Frelimo a troco da estabilidade individual, ignorando a real situação do país, e outros em campanha de distorção da realidade justa do pais para a sua discussão e correcção. Estes tipos desdobram-se em falácia de vária ordem em protecção da Frelimo e do modelo de governação ultrapassado.

Na Frelimo, a maior parte dos decisores oriundos do centro e norte, por elevada carga de benefícios individuais que tem, fazem de contas que o país está bem. É o caso dos seguintes senhores: Aires Ali, Eduardo Mulémbwè, Alberto Vaquina, Filipe Nyusi, Marcelino dos Santos, Eduardo Silva Nihia, Alberto Chipande, José Pacheco, Margarida Talapa, Raimundo Pachinuapa, entre outros que, mesmo sabendo do colonialismo doméstico implantado neste país pelo pessoal do sul, mantêm-se folgados e fazem de contas que nada está acontecer.

Analisando a real situação no teatro de guerra que a Frelimo move contra o povo, encontramos que as tropas sob o comando da Frelimo estão totalmente fragilizadas e sem moral combativa para enfrentar a revolução mesmo com o armamento sofisticado que possui.

A comunidade internacional mal conhece a realidade interna do nosso país que tomo desde já a ousadia de analisar neste espaço de modo a fornecer aspectos que podem ser assumidos de base para a mediação objectiva que se requer. Para facilitar aos leitores a situar bem a realidade de Moçambique vou narrar por pontos numerados.

Moçambique saiu da colonização portuguesa para a colonização doméstica em que o sul do país, liderado pela etnia changana, coloniza as regiões centro e norte. Um indivíduo que tem pensamento e consciência no lugar sente e constata no seu espírito esta realidade. A hegemonia desta etnia iniciou durante a luta armada, quando elementos do sul, oriundos dos três movimentos de libertação, consideraram reaccionários os elementos do centro e norte que discordavam de algumas posições tomadas pela Frelimo.

Depois de vencer essa ala do sul, viram-se as execuções sumárias e campanhas de exclusão contra os indivíduos do centro e norte. Para merecer dignidade e oportunidades de vária ordem, os indivíduos do centro e norte devem ser grandes lambe-botas, caso não são excluídos. As desigualdades de desenvolvimento, quer colectivo, quer individual são mais assentes neste país. Volvidos 41 anos, desde que Moçambique venceu o colonialismo português, as zonas centro e norte ficaram mais marginalizadas do que no tempo do colono.

A Frelimo perdeu o controlo da gestão de Moçambique e implantou males que só podem ser corrigidos com a alternância governativa. Em Moçambique para se indicar um gestor opta-se por amizade e círculo de amiguismo com vista a comerem todos juntos. A indicação não é por capacidade e competência de serviço. Muitos maus gestores continuam impunes e a prejudicar o povo, pois são apadrinhados pelos seus amigos e familiares do topo. O nível de sabotagem no exercício de funções de chefia em Moçambique esta alto.

Não há democracia e a Frelimo continua a pensar que o país é da sua pertença. Nas 5 eleições que decorreram em Moçambique, este partido nunca venceu, mas agarrou-se ao poder para garantir a sua sobrevivência, além tem medo de que os que delapidam a riqueza do povo sejam julgados.

A Renamo e o seu líder, Afonso Dhlakama, são neste momento a voz do povo oprimido. Senhor Mario Rafaeli, como se justifica que quem ganha em seis das 11 províncias, com maioria absoluta, fica declarado perdedor das eleições, mas quem ganha em cinco, com menor percentagem, é o vencedor e as reclamações da oposição são ignoradas?

Na Assembleia da República, a Frelimo não aceita nenhuma ideia e sugestão da oposição, e impõe as suas vontades. Que democracia se implantou? A revolução não se trava com a peneira, mas, sim, com a concretização das expectativas da maioria. Tentar eliminar Dhlakama e o seu partido, que são a luz para a verdadeira libertação de Moçambique, não é certo. A Frelimo vai se desagregar e os lambe-botas serão vencidos. A Renamo e o seu líder têm um peso grande na verdadeira libertação e união do país.

Por Jorge Valente

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