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SELO: A impotência do Conselho Superior de Comunicação Social (?!) – Por Andrades Cossa & Euclides Da Flora

Temos assistido, com muita preocupação, o estado patológico, de estupro e crónico da deontologia profissional por parte dos órgãos de comunicação social, tanto públicos e privados. O mais gritante nisso é o silêncio amiúde do Conselho Superior de Comunicação Social, o que indica que este órgão estatal não tem capacidade para fiscalizar os meios de comunicação social, sua principal missão. Como se explica que até hoje ainda não haja uma investigação credível sobre a existência do “ G40”?! Este último, conotado como braço académico do partido Frelimo, tem a função precípua de defender o Governo e diabolizar a massa crítica, esgrimindo argumentos medíocres e vazios por bem duma nata f(eudo)relimizada.

O braço ideológico do partido no poder é alérgico aos partidos da oposição, o que contraria o pluralismo de associação e expressão estampado na Constituição. Este grupo (G40) é hóspede predilecto dos órgãos de comunicação social públicos e (alguns) privados onde usam e abusam do espaço de antena para defender agendas estomacais do partido no poder.

Infelizmente, já não se pode assistir a televisão na boleia da família, visto que as telas brilham ao recanto da pornografia doentia promovida pelos artistas locais, alguns nomes pontificados como a famosa Yol(anda) Boa, Postulados entre outros cant(ad)ores de eróticos. Conteúdos. A mensagem trazida nos vídeos desses artistas é obscena, aculturalizada e representa um sedativo aos valores ético-morais ao insultar de forma abismal a nossa cultura. Parece que os programas televisivos já não têm produtores e realizadores sem conexão com vergonhices. É normal pensar que se esta a assistir um programa de entretenimento enquanto está-se meramente a acompanhar uma sessão de pornografia.

O mais gritante ainda é o facto de essa acção acontecer nas horas nobre, onde inocentes crianças, sem qualquer outra opção, ligadas a programação televisiva, mas até hoje ainda não presenciamos qualquer intervenção desse órgão (CSCS) com vista a purificar as telas televisivas ora conquistadas por “massinguita(na)s”.

Está claro que em Moçambique a moda de criar partidos políticos está no seu auge. Partidos há que só saem do túnel nas vésperas das eleições com mensagem clara de que querem a fatia do bolo do sufrágio, mas hoje não quero tecer esse assunto. Vim (quantos autores são afinal?!) falar que também está na moda abrir jornais. Há uma proliferação abusada de jornais que abundam nas bancas, o que não é mau.

O que é um autêntico absurdo são os respectivos jornais que não estão interessados em desenvolver a sua actividade observando normas próprias do jornalismo. É assustador quando num país como nosso que diz possuir instituições fortes permite a comercialização de notícias especulativas que violam o direito do acesso à informação. Esses jornais especuladores, ao invés de informar os leitores desinformam-nos sob o olhar impávido e sereno das ditas instituições fortes que perderam pujança por não exibir a sua musculatura institucional.

É de crucial importância que o Conselho Superior de Comunicação Social, destinado a absorver fileiras partidárias, comece a trabalhar. Este órgão deve deixar de ter somente a prerrogativa de sensibilizar, aconselhar, recomendar os meios de comunicação social. O seu estatuto diz de forma categórica que têm competências de disciplinar. É importante que este aparelho seja investido de poderes para sancionar, punir e disciplinar os meios de comunicação social nem que para isso tenhamos de rever a lei de imprensa para acomodar novos desafios. É tácito que a concepção na qual foi criada é um exemplo de fracasso.

Por Andrades Cossa & Euclides Da Flora

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