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São Paulo e Rio cedem à pressão e revogam aumento do transporte

Os governos de São Paulo e Rio de Janeiro cederam às pressões populares e revogaram nesta quarta-feira o aumento das tarifas dos transportes públicos, após uma onda de manifestações que tomou nos últimos dias as ruas de diversas cidades do Brasil. A decisão de voltar atrás no aumento – que deu início às maiores manifestações populares no país em duas décadas – foi anunciada simultaneamente pelos prefeitos das duas maiores cidades do país e pelo governador de São Paulo. Mas mesmo com a revogação do aumento, ainda não está claro se os protestos irão continuar neste país sul-americano.

Na capital paulista, o preço do bilhete de autocarro voltará a ser de 3,00 reais. O valor da tarifa do metro e do comboio metropolitano, sob alçada do governo do Estado, também será reduzido para o mesmo preço, frente aos atuais 3,20 reais.

“Vamos ter que cortar investimentos, porque as empresas (de transportes) não têm como arcar com essa diferença”, afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Alckmin fez o anúncio de redução da tarifa ao lado do prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pouco após o governo federal afirmar que não tem condições de reduzir mais tributos do setor de transportes.

Na cidade do Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) disse que a passagem de autocarro voltará a 2,75 reais, depois de ter subido para 2,95 reais no início do mês, e enfatizou que isso terá um impacto anual no orçamento do município de cerca de 200 milhões de reais.

“Decidimos, em conjunto com a Prefeitura de São Paulo, suspender o aumento dos 20 centavos concedidos no início de junho” disse Eduardo Paes, acrescentando que as duas maiores cidades do país precisavam mostrar “nosso respeito e atenção a essa absoluta maioria de pessoas que foi às ruas manifestar sua insatisfação”.

“Ainda vamos estudar como isso vai ser feito. Vamos ter que pressionar o Congresso para que medidas sejam tomadas e os custos sejam repartidos”, acrescentou o edil carioca.

O governo do Estado do Rio de Janeiro também anulou os reajustes das tarifas dos trens, barcas e metrô a partir de sexta-feira. São Paulo e Rio vêm sendo os principais palcos das manifestações que começaram há cerca de duas semanas e passaram a incluir, além de redução da tarifa, reivindicações por melhores serviços públicos, combate à corrupção e contra os gastos com o Campeonato do Mundo de futebol.

O ápice das manifestações até agora ocorreu na segunda-feira, quando mais de 200 mil pessoas foram às ruas de várias capitais. Na sua maioria, os protestos foram pacíficos, mas houve atos de violência empreendidos por pequenos grupos. Após os protestos de segunda, prefeitos de outras capitais anunciaram queda no preço da passagem de transporte.

Em São Paulo, Haddad e Alckmin relutavam em reduzir a tarifa do transporte público, argumentando que isso implicaria redução dos recursos destinados a áreas como educação e saúde. De acordo com uma fonte do governo federal, a presidente Dilma Rousseff avaliou que seria necessário dar uma resposta concreta e clara aos manifestantes, e o assunto foi discutido na terça-feira com o prefeito paulista.

No início das manifestações, os dois governantes chegaram a descartar uma revogação do aumento, alegando que o reajuste deveria ter acontecido no início do ano e que foi postergado para junho a pedido do governo federal.

MANIFESTAÇÕES DEVEM CONTINUAR

Segundo o cientista político Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), o recuo representa uma derrota para as autoridades. “Isso, ao meu ver, denota uma vitória do movimento e uma derrota das autoridades, que levaram a negociação ao limite e não conseguiram depois bancar a sua posição inicial”, disse à Reuters. Segundo o especialista, ainda não está claro se a revogação da alta das tarifas será suficiente para acabar com a mobilização popular.

Para Melo, existe a chance de que outras insatisfações manifestadas durante os protestos tornarem-se bandeiras daqui para frente. “Eles têm o gosto da vitória, de que é possível, então agora podem partir para um outro rol de exigências”, avaliou.

Lideranças do Movimento Passo Livre (MPL), que iniciou o movimento pela redução das tarifas, disseram que a manifestação marcada para quinta-feira, em São Paulo, está mantida, mas deve ter um caráter “mais festivo”, para comemorar a derrubada do reajuste. O movimento pretende continuar lutando pela gratuidade do transporte público. Além de São Paulo, estão marcadas para quinta-feira manifestações em mais de 70 cidades do país.

Uma pesquisa feita pelo Ibope, via Internet, junto a 1.775 internautas apontou que 33 por cento deles acreditam que as manifestações vão continuar, mesmo com a revogação da alta das tarifas.

“Então, não há segurança de que as manifestações vão parar, mesmo reduzindo o preço da passagem”, disse à Reuters a diretora do Ibope Inteligência, Laure Castelnau.

Após o anúncio da revogação do reajuste, centenas de pessoas ocuparam parte da Avenida Paulista para comemorar.

Nesta quarta, as manifestações na capital paulista atingiram áreas mais periféricas e vias de acesso à cidade. Manifestantes chegaram a interromper o fluxo da rodovia Anchieta, queimando pneus no sentido São Paulo. A estrada foi desbloqueada, e os manifestantes seguiram em passeata pelas ruas da cidade de São Bernardo do Campo. Interdições também foram registradas na rodovia Régis Bittencourt, avenida Guarapiranga e Estrada do M’Boi Mirim. Também ocorreram manifestações em outras cidades, como Niterói(RJ) e Fortaleza, onde foi realizado o jogo do Brasil e México pela Taça das Confederações.

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