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Refugiados sírios ultrapassam 3 milhões e metade da população está desabrigada

Três milhões de refugiados sírios terão feito registo nos países vizinhos até esta sexta-feira (29), uma êxodo que começou em Março de 2011 e não mostra sinais de diminuir, disse a Organização das Nações Unidas (ONU).

O relatório mostra 1 milhão de refugiados a mais do que um ano atrás, ao passo que mais 6,5 milhões foram deslocados dentro da própria Síria, o que significa que “quase metade de todos os sírios foram forçados a abandonar as suas casas e a fugir para salvar as suas vidas”.

“A crise síria tornou-se a maior emergência humanitária da nossa era, e, mesmo assim, o mundo está a fracassar em atender às necessidades dos refugiados e dos países que os abrigam”, disse António Guterres, alto comissário da ONU para refugiados, num comunicado.

A ampla maioria permanece nos países vizinhos, e a maior concentração está no Líbano (1,14 milhão), Turquia (815 mil) e Jordânia (808 mil), disse a agência de refugiados da ONU, Acnur. Cerca de 215 mil refugiados estão no Iraque, com o restante no Egito e outros países.

Em acréscimo a isso, os governos que recebem essas pessoas estimam que mais centenas de milhares de sírios buscaram abrigo nos seus países sem se registarem formalmente, relatou a agência.

Um número cada vez maior de famílias chega em estado de choque, exaustas, amedrontadas e com as suas economias esgotadas, disse o Acnur. “A maioria está nessa vida há um ano ou mais, fugindo de vila em vila antes de tomar a decisão final de deixar o país”.

“Há sinais preocupantes também de que a jornada para fora da Síria esteja a tornar-se mais difícil, com muitas pessoas forçadas a pagar pedágios ao longo da fronteira. Os refugiados que cruzam o deserto para dentro do leste da Jordânia estão a ser forçados a pagar a contrabandistas grandes somas (que podem superar 100 dólares por pessoa) para levá-los a um lugar seguro”, acrescentou.

Os sírios agora constituem a maior população de refugiados do mundo sob cuidado do Acnur, e o segundo lugar geral apenas em número para a crise palestina, que já dura décadas, e fica sob os cuidados de uma outra agência da ONU, a UNRWA, afirmou a entidade.

Um recente surto de violência no conflito parece estar a piorar uma situação que já é desesperadora, disse o comunicado. Mais de 190 mil pessoas foram mortas nos primeiros três anos na guerra civil da Síria, afirmou um relatório da ONU na semana passada divulgado pela alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, que chamou o conflito de “uma catástrofe humana inteiramente evitável”.

Noutro relatório divulgado na quarta-feira, os investigadores de direitos humanos da ONU acusaram os insurgentes do Estado Islâmico de cometer crimes de guerra, incluindo amputações e execuções públicas no norte da Síria, às vezes na presença de crianças. O governo do presidente Bashar al-Assad está a despejar bombas sobre áreas civis e acredita-se que Damasco tenha utilizado armas químicas no combate aos seus inimigos.

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