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Racismo no Super Marés (?)

Boa tarde jornal @Verdade. Vimos por este meio e com a vossa permissão expor um caso por que passámos há dias quando tentávamos entrar no complexo comercial Super Marés. Fizemo-lo depois de termos estado na praia da Costa do Sol, aqui na cidade de Maputo.

Foi por volta das 15 horas quando o guarda daquele estabelecimento comercial nos interpelou e nos mandou parar. Tudo deveu-se ao traje que nós trazíamos na altura (calções e camisetas), para além da areia da praia que nós tínhamos no corpo.

Para o nosso espanto, o guarda disse-nos com toda a sua frieza e sem rodeios que não iríamos entrar naquele estabelecimento comercial alegadamente porque não é permitida a entrada de pessoas naquele local nas condições em que nós estávamos.

De seguida perguntámos ao segurança se estaria escrito nalgum lugar que a qualquer indivíduo vestido de calções, chinelos e repleto de areia da praia, é vedado o acesso ao estabelecimento. Foi uma questão à qual ele não conseguiu responder. “De repente, ele empurrou-nos para fora e disse que não nos devia explicações, por isso não era obrigado a responder às nossas questões”.

Depois de muita discussão com o guarda, a verdade é que não nos deixou entrar no recinto. Minutos depois apareceram cidadãos de “raça branca” nas mesmas condições em que nós nos encontrávamos, mas estes foram cordial e respeitosamente recebidos. Daí que fica no ar a seguinte questão: “Não estaremos aqui perante um racismo evidente?”

Caso para dizer que nós somos tratados em nossa casa como verdadeiros desconhecidos. Isso demonstra que ainda continua presente o problema da segregação racial nalguns estabelecimentos comerciais ou casas de pasto espalhados por este país. Estamos numa situação em que a cor é que fala mais alto. Afinal porque não somos tratados da mesma forma?

Perante este triste cenário por que passámos no Super Marés, pedimos ao Jornal @Verdade para que nos ajude a esclarecer junto aos proprietários ou responsáveis daquele estabelecimento sobre os critérios de acesso àquele lugar.

Resposta

Após a recepção desta reclamação, a nossa equipa de reportagem conversou com o gerente do Centro Comercial Super Marés, Francisco Nunes, o qual disse que a inquietação ora apresentada resulta da falta de compreensão ou desconhecimento das regras daquele estabelecimento por parte dos clientes.

Nunes a firmou que muitos indivíduos de conduta duvidosa vestem- se daquela maneira (calções e chinelos) para entrar no estabelecimento e apoderarem-se de produtos e bens alheios. Eles aparecem em como se tivessem passado pela praia.

O gerente disse ainda que não existe nenhum tipo de racismo pois “o que fazemos está plasmado nas regras internas, neste caso interditar, independentemente da cor, a entrada de cidadãos que aparecem descalços, mas é permitido que entre quem esteja de calções”.

Segundo o nosso interlocutor, os clientes mais assíduos da casa já têm conhecimento das regras em vigor. Questionado se já poderá ter acontecido um caso de racismo no seu estabelecimento, respondeu nos seguintes termos: “Nunca houve e nem haverá casos do género porque tratamos as pessoas indiscriminadamente. Aqui não existem pessoas mais importantes que as outras. Tratamo- las em igualdade de circunstância”.

Francisco Nunes refutou as acusações segundo as quais a sua casa trata os clientes de acordo com a cor da sua pele. “É bem possível que o guarda tenha agido de má-fé, e isso recai sobre nós como instituição. É o nosso nome que fica manchado”, lamentou o empresário a terminar.

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