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Livro de Reclamações: a direcção estar a descontar mensalmente 1.500 meticais nos nossos vencimentos

Saudações, Jornal @Verdade. Somos trabalhadores do Centro de Saúde da Machava II, sito no município da Matola. Gostaríamos, através do vosso meio de comunicação, de expor uma inquietação relacionada com o facto de a direcção estar a descontar mensalmente 1.500 meticais nos nossos vencimentos.

Isso acontece desde a altura em que aderimos à greve dos profissionais de saúde. Não sabemos quando é que serão suspensos esses abates que tornam as nossas vidas penosas e dificultam a nossa sobrevivência, uma vez que já está a ser muito difícil alimentar a família durante 30 dias. Não conseguimos igualmente cobrir as outras despesas, tais como transporte dos nossos filhos para a escola e as nossas deslocações para os postos de trabalho. Nenhum dirigente do centro nos explica com clareza as causas que estão na origem dessa injustiça.

Outro problema que nos agasta tem a ver com o não pagamento de 3.000 meticais do subsídio de alimentação referentes ao segundo semestre. Em relação a este ponto, a direcção tem vindo a tranquilizar-nos com promessas falsas de que o valor será desembolsado quando a Direcção Provincial de Saúde disponibilizá-lo. Há colegas que já receberam a subvenção mas o grosso deles continua à espera. Isso mostra que há dualidade de critérios na instituição relativamente ao mesmo assunto.

Aliás, ficámos surpreendidos quando, há pouco tempo, alguns dos profissionais do Centro de Saúde da Machava II foram coagidos a assinar documentos que davam conta de que haviam beneficiado do subsídio de alimentação, o que não constituía verdade.

Por causa dessa situação, pretendíamos submeter uma queixa ao Ministério da Saúde mas fomos impedidos supostamente porque não havia necessidade para o efeito e os problemas que nos inquietam seriam ultrapassados. Contudo, até hoje continuamos a reclamar das mesmas injustiças. Estamos deveras desmotivados e insatisfeitos, sobretudo porque sentimos que quem devia lutar pela melhoria das nossas condições de trabalho nos marginaliza.

A direcção do Centro de Saúde da Machava II ignora, também, o facto de estarmos a exercer as nossas funções sem incentivo e sob o risco de contrairmos doenças transmissíveis por causa da falta de material adequado de trabalho. Como podemos melhorar as nossas condições de vida enquanto a nossa classe é cada vez mais desvalorizada e empobrecida? Para onde vão os 1.500 meticais abatidos nos nossos ordenados mensais? Ajudem-nos, por favor, a esclarecer este problema para que tenhamos os nossos direitos salvaguardados e a impedir que haja roubo do pouco ganhamos com tanto sacrifício.

Resposta

Em relação à preocupação dos nossos reclamantes, contactámos o Centro de Saúde da Machava II, por intermédio do respectivo director, Alberto Fenias. Este reconheceu que as inquietações dos funcionários daquela unidade sanitária são legítimas.

Entretanto, segundo o nosso entrevistado, quem paga as remunerações de todos os funcionários é a Direcção da Provincial de Saúde e não a direcção do Centro de Saúde da Machava II. Consequentemente, os descontos são feitos por quem lhes paga os vencimentos. Relativamente à subvenção de alimentação, esta é, também, paga a nível provincial, porém, apenas uma parte dos empregados é que ainda não beneficiou do mesmo.

“É do meu conhecimento que alguns trabalhadores não receberam o seu subsídio de alimentação, mas quero acreditar que seja por acumulação de faltas injustificadas resultantes da sua ausência dos postos de trabalho sem aviso prévio”.

Num outro desenvolvimento, o nosso interlocutor admitiu que os descontos afectam os trabalhadores que aderiram à última greve dos profissionais da saúde em todo o país. Alberto Fenias disse que não sabe em que momento a Direcção da Provincial de Saúde irá deixar de descontar o subsídio de alimentação (atribuído trimestralmente), por exemplo.

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