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Rebeldes mantêm pressão a Assad; combates mais renhidos em Damasco; Rússia e China vetam resolução da ONU

Os rebeldes sírios mantiveram a pressão sobre o presidente Bashar al-Assad depois da morte de três membros do alto escalão militar do governo, e estão enfrentando forças leais ao presidente nos arredores do palácio presidencial e de outros prédios públicos, disseram moradores nesta quinta-feira. Uma fonte oficial disse que o presidente, que não fez declarações nem aparições públicas depois do atentado a bomba de quarta-feira, durante uma reunião de crise com chefes de segurança, segue no comando das operações, no seu gabinete em Damasco.

Mas fontes oposicionistas e um diplomata ocidental disseram que o combalido líder está agora na cidade de Latakia, próxima do litoral do país.

“A nossa informação é que ele está em seu palácio em Latakia e que ele pode estar lá há alguns dias”, disse uma importante figura da oposição, que pediu anonimato. O palácio, que já foi usado no passado por Assad para realizar reuniões oficiais, está localizado em montanhas perto da cidade, onde fica o principal porto da Síria.

Várias cidades na província de Latakia são habitadas por membros da seita alauíta, de Assad, que é minoria no país. O diplomata ocidental, que acompanha os acontecimentos no país, disse: “Todo mundo está atento agora para como Assad pode manter a estrutura de comando. As mortes de ontem foram um golpe forte, mas não fatal.”

Moradores disseram que não há trégua nos combates na capital, que entraram no seu quinto dia. É a primeira vez em 16 meses de rebelião na Síria que a violência chega com tanta força a Damasco, e vídeos vindos da cidade mostram nuvens de fumaça erguendo-se no horizonte.

MADRUGADA VIOLENTA

A explosão que matou o influente cunhado de Assad, seu ministro da Defesa e um general de alta patente desencadeou uma violenta reação militar, com ataques de artilharia contra rebeldes concentrados em vários distritos, e armados principalmente com armas leves e granadas de propulsão. Um vídeo gravado durante a madrugada no bairro de Sayed Zainab mostra uma clínica improvisada numa casa, com cobertores e suprimentos médicos espalhados pelo chão, e um homem gritando ordens num megafone, enquanto outros carregavam corpos mutilados sobre lençóis. Alguns corpos estavam com queimaduras, provavelmente por tiros ou fogo.

Outros estavam dilacerados, possivelmente por causa de explosivos poderosos. Moradores dos bairros de Midan e Kafr Souseh relataram explosões constantes e disparos intensos, enquanto helicópteros militares rondavam as áreas. “O bombardeio não parou a noite toda. Disparos podiam ser ouvidos na cidade toda. Foi alto. Havia também sons de combates. Não há muita gente se aventurando a sair. Não consigo nem encontrar um táxi, então estou esperando alguém nos apanhar”, disse um morador de Damasco por telefone.

“Todo mundo no bairro está se armando. Alguns com metralhadoras, alguns com pistolas. Alguns até mesmo só com facas. E quem não tem nada tenta ficar acordado e ficar alerta o máximo que conseguir”, disse outro morador, também por telefone, da região de Midan. “Nem posso lhe dizer o que está acontecendo lá fora, porque fechei as janelas e tranquei as portas. Só ouço de vez em quando o tiroteio, parece que é na sala.”

Muitos moradores foram vistos fugindo dos bairros onde tem sido travados os mais duros combates em Damasco.

É impossível verificar os relatos vindos da cidade, por causa das restrições impostas pelo governo ao trabalho da imprensa internacional.

“LIBERTAÇÃO DE DAMASCO”

O atentado de quarta-feira pareceu ser parte de um ataque coordenado contra a capital, que se intensifica desde o começo da semana. Combatentes rebeldes chamam esta fase de “libertação de Damasco”, depois de meses de violenta repressão governamental a protestos e de intensos combates entre rebeldes e forças legalistas, num conflito que já deixou 17 mil mortos, segundo ativistas.

Assef Shawkat, que era cunhado de Assad, comandante militar e um dos pilares do clã governamental, foi morto na explosão de quarta-feira, junto com o ministro da Defesa, Daoud Rajha. Outro importante general também foi morto, e os chefes de inteligência e o ministro do Interior ficaram feridos, abalando seriamente o aparato de segurança da família Assad.

Ao anoitecer de quarta-feira, o Exército bombardeou sua própria capital a partir de montanhas próximas. Soldados do governo, prometendo retaliação pelo atentado, dispararam metralhadoras contra a cidade a partir de helicópteros. Vídeos de ativistas postados na Internet mostraram corpos ensanguentados caídos nas ruas.

Rússia e China vetam resolução do Conselho da ONU

Esta quinta-feira, Rússia e China vetaram uma resolução apoiada pelo Ocidente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que ameaçava impor sanções a autoridades sírias caso elas não parassem de usar armas pesadas contra uma revolta e não retirassem tropas de cidades do país.

Foi a terceira vez que a Rússia, um aliado-chave do governo sírio, e a China usaram seu poder de veto para impedir resoluções do Conselho de Segurança da ONU que têm o objetivo de pôr pressão sobre o presidente sírio, Bashar al-Assad, e pôr fim ao conflito de 16 meses que já matou milhares de pessoas.

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