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Quero fazer poesia de intervenção

Quero fazer poesia de intervenção

Na passada quinta-feira, no bar Gil Vicente, em Maputo, num evento em que se declamou poesia ao som do violão, Amarildo Valeriano relançou “Falas Impossíveis”, a sua estreia literária. Um pretexto para falarmos um pouco com o autor que atribuiu este título para que “todas as outras [falas] sejam possíveis.”

@ VERDADE – Este é o teu primeiro livro?

Amarildo Valeriano (AV) – Sim, é o meu primeiro livro.

@ VERDADE – Como é que te veio o gosto pela poesia?

(AV) – É resultado das leituras que fui fazendo. Numa segunda fase passei à escrita.

@ VERDADE – Que autores te influenciaram?

(AV) – Foram vários. A nível nacional sem dúvida José Craveirinha e Noémia de Sousa. Nos internacionais destaco o poeta russo Vladimir Mayakovski, um poeta que fez uma literatura de intervenção social que é aquilo que eu quero fazer. Não quero fazer uma literatura exclusivamente lírica, que aborde só questões românticas, mas uma literatura que vá ao encontro dos grandes questões sociais, que mexa com a sociedade e a ponha a reflectir. Alguém disse que os poetas são as antenas da sociedade. As antenas captam o sentido e ajudam a orientar. É esse o papel que eu quero desempenhar como poeta.

@ VERDADE – Achas que o país actualmente necessita de uma poesia de intervenção?

(AV) – Acho que precisa e muito. Os poetas moçambicanos que tenho como principais referências, de certa forma, contribuíram para a independência de Moçambique, atacando o sistema colonial. O Vladimir Makosvski foi o poeta da Revolução Soviética de 1917, com a sua poesia ajudar a moldar a revolução e os seus ideais. O Edgar Allen Poe foi o poeta da revolução americana. Nós precisamos de uma literatura que passe valores, princípios, interpretações e incentivos com vista à tomada de certas atitudes.

@ VERDADE – Vi no livro que prestas uma homenagem a Samora Machel. É uma das tuas referências políticas?

(AV) – A nível nacional sim mas a minha grande referência política é Martim Luther King. Mas nunca pensei muito em termos de referências políticas. As minhas referências sempre foram mais intelectuais.

@ VERDADE – Qual é a explicação de o livro ser bilingue (Português/Italiano)?

(AV) – Deve-se ao facto de eu ter participado num intercâmbio que envolvia estudantes moçambicanos e italianos, aqui em Moçambique. Esse intercâmbio fez com que estudantes moçambicanos e italianos pudessem estar juntos e nessa oportunidade surgiu a possibilidade de publicar este livro. Estou também a fazer o curso livre de Italiano aqui na Universidade Eduardo Mondlane como uma cadeira extra-curricular. Muitos dos que estavam envolvidos neste intercâmbio estavam a estudar em Itália literatura portuguesa, tradução e interpretação. Estive duas vezes na Itália: uma em 2007 e outra em 2008. Voltei agora há pouco tempo. Para estudar italiano, para reforçar o intercâmbio. Agora é a vez deles [os italianos] virem a Moçambique.

@ VERDADE – Porque é que optaste pela poesia em vez da prosa?

(AV) – Acho que foi por uma questão de temperamento. Tentei o romance mas não é nada fácil (risos). Não quero escrever um romance banal. Houve um estudioso que disse que a literatura é um instrumento de difusão de saberes. Não posso fazer um romance em que não digo nada de novo. Acho que ainda não tenho suficiente experiência de vida para escrever tantas coisas.

@ VERDADE – Então não descartas incursões na prosa?

(AV) – Não, não descarto. Tenho na cabeça muita escrita para teatro.

 

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