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“Que comam eles esse dinheiro” diz anciã que cria quatro netos no Distrito de Machaze sobre subsídio do Governo de Nyusi contra covid-19

macheze-anita

Uma parte dos 750 milhões de dólares que o Governo de Filipe Nyusi recebeu dos doadores no ano passado para minimizar o impacto económico da covid-19 estava destinado aos moçambicanos mais pobres e vulneráveis, particularmente idosos. “Já cansei meu filho, sempre sou confrontada com complicações pelos secretários dos comités de zona, preferi desistir, que comam eles esse dinheiro”, desabafou Anita Verniz que aos 65 anos idade tem de sustentar quatro netos órfãos no Distrito de Machaze.

Apesar de situado longe epicentro da 3ª vaga da pandemia respiratória na Província de Manica, é o distrito mais à Sul e dista mais de 300 quilómetros na Cidade de Chimoio onde foram registados 6.097 dos 6.371 positivos da província, Machaze passou de 18 casos positivos registados no início de Junho para 95 infectados, três deles diagnosticados no passado dia 21 de Setembro.

“São casos que não precisaram de internamento” explicou ao @Verdade o director do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, José Carlos Moisés, acrescentando que o distrito tem uma “equipe de vigilância activa e diariamente nós estamos a fazer os testes da covid-19 em todos os pacientes que vêm às nossas unidades sanitárias, temos testes rápidos”.

Sem internamentos nem óbitos a lamentar, e embora faça fronteira com o Zimbabwe e esteja próximo da África do Sul, a pandemia respiratória não é um grande problema de saúde pública em Machaze, no entanto tem vindo a ser afectada pelas restrições governamentais para travar a propagação do novo coronavírus sem que os seus cidadãos mais pobres tenham beneficiado de nenhum apoio social para mitigar os seus efeitos económicos.

Aliás o @Verdade apurou que grande parte dos cidadãos em situação vulnerável no distrito nunca receberam qualquer dos subsídios de sobrevivência pagos pelo Instituto Nacional da Acção Social. “Já cansei meu filho, sempre sou confrontada com complicações pelos secretários dos comités de zona, preferi desistir, que comam eles esse dinheiro” revelou Anita Verniz que aos 65 anos ainda tem de trabalhar para sustentar quatro netos orfãos.

Todas as madrugadas Anita junta-se a outras mulheres, que também são chefes de agregados familiares sem fontes de rendimento formais, para irem cortar capim na mata e durante o dia tentarem vende-lo na Vila Sede de Chitobe por 50 à 70 Meticais o molho. “Com isto alimento os meus netos, três rapazes e uma menina, cujos pais morreram” declarou a anciã de foice em punho.

“Aqui em Machaze não vamos receber o valor por que não somos da Frelimo”

Esperança Augusto John é outra mulher que encontrou na venda de capim o sustento da família que chefia há quase uma década, “não sei se ele (o marido) ainda vive. Desde que foi para a África do Sul em 2013, até hoje. Deixou-me com barriga de dois meses, hoje o rapaz já tem oito anos. Quem sabe se não foi queimado lá”, em alusão aos ataques xenófobos que se multiplicaram nos últimos anos pela África do Sul.

“Este capim vendo para as pessoas que queiram cobrir as suas casas, como a época das chuvas aproxima-se o preço já é um pouco mais alto, 60 ou 70 Meticais, dinheiro que serve para fazer despesa lá em casa” contou ao @Verdade a dona de casa de 42 anos de idade que também cultiva a terra para melhorar os parcos rendimentos.

Questionada sobre os apoios que o Governo de Filipe Nyusi garante estar a disponibilizar as famílias carenciadas de modo a minimizar a crise criada pela covid-19 Esperança disse: “nós aqui em Machaze não vamos receber o valor por que não somos da Frelimo, mas sempre costumamos votar”.

“Só deram Sussundenga, Mossurize até Chimoio, aqui não tem pobres, nós não somos pobres”, indagou a chefe de uma das muitas famílias vulneráveis que viram os seus rendimentos minguarem desde que em Abril de 2020 foram impostas as medidas de prevenção da pandemia respiratória causada pelo novo coronavírus.

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