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“O povo é o meu patrão” Filipe Nyusi, 4º Presidente de Moçambique

100 dias de Filipe Nyusi: entre o pragmatismo e a esperança

“O povo é meu patrão. O meu compromisso é de servir o povo moçambicano como meu único e exclusivo patrão” afirmou Filipe Jacinto Nyusi após tomar posse nesta quinta-feira(15) como o quarto Presidente de Moçambique, numa cerimónia formal que teve lugar na Praça da Independência na cidade de Maputo.

Talvez o primeiro desafio do novo Presidente de Moçambique seja mesmo mostrar ao povo quem manda pois, pela primeira vez, o Presidente do seu partido, a Frelimo, não é o Presidente da República e os estatutos obrigam os membros ao cumprimento das decisões do partido. “Aceitar, salvo escusa fundamentada, as tarefas confiadas pelo Partido, em qualquer escalão e cumpri-las com zelo, dedicação e competência” pode ler-se no artigo 8 número 2 alínea h dos Estatutos da formação política no poder em Moçambique desde a independência.

A disciplina partidária, rigidamente cumprida pelos membros da Frelimo, obriga à realização de um congresso para a escolha de um novo Presidente. Contudo, Armando Guebuza foi reeleito em 2012 e ainda tem dois anos de mandato.

As dúvida são: vai Filipe Nyusi esperar que o seu antecessor cumpra o mandato na íntegra e irá sujeitar-se as decisões da Comissão Política, “órgão que orienta e dirige o Partido no intervalo das sessões do Comité Central”, ou irá convocar um Congresso extraordinário? Irá o Presidente do partido Frelimo renunciar para Nyusi assumir a liderança do partido?

Refira-se que o novo Presidente de Moçambique é um mero convidado nestes órgãos de decisão do partido, e que gerem os destinos do país, afinal também tem maioria no Parlamento, que são compostos por pessoas escolhidas por Armando Guebuza. Mesmo para convocar um congresso extraordinário, Nyusi tem primeiro de convencer o “Comité Central” do partido.

“Vamos, todos juntos, construir um país à medida dos nossos sonhos”

No seu primeiro discurso como Presidente, Nyusi, nascido a 9 de Fevereiro de 1959 em Namua, província de Cabo Delgado, reafirmou o seu compromisso com a unidade nacional “assumo as minhas funções como presidente de todos os moçambicanos, disposto e disponível escutar todos os sectores da opinião pública(…) quero que o nosso Estado e os moçambicanos em geral sejam os verdadeiros donos das nossas riquezas e pontencialidades”.

Sobre a sua equipa executiva Nyusi afirmou que o “governo que irei criar e dirigir será um governo prático e pragmático. Um governo com uma estrutura o mais simples possível, funcional e focado na resolução de problemas concretos do dia-a-dia do cidadão, na base da justiça e equidade social. Será um Governo orientado por objectivos de redução de custos e no combate ao despesismo” e garantiu que “ninguém está acima da Lei e todos são iguais perante ela.”.

O recém empossado Presidente manifestou o seu pesar pelas vítimas mortais da tragédia de Chitima e deixou também palavras de conforto para as vítimas das cheias e prometeu acabar com o problema de cortes de estradas, recorrente durante a época de chuvas.

“Não descansarei enquanto não tiver um país sulcado de vias de acesso transitáveis que assegurem, em todas as épocas do ano, a circulação de pessoas e bens em todo o território nacional. Vamos promover investimentos necessários que contribuam para o melhoramento dos sistemas de transporte rodoviário, ferro-portuário, aéreo, marítimo e fluvial para garantir que qualquer cidadão viaje em condições condignas e seguras, nas cidades e nas ligações interprovinciais e inter-distritais.”

Numa altura em que as províncias da Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa estãos às escuras o novo Chefe de Estado disse pretender “que os Moçambicanos vivam num país cada vez mais iluminado, muito para além das sedes distritais, com fontes de energia diversificadas, com mais acesso à água potável e a infraestruturas de saneamento e que tenham o acesso universal às tecnologias de informação e comunicação”.

Nyusi prometeu ainda que “a alimentação condigna não deve constituir um privilégio. Ela é um direito humano básico que assiste a todos os moçambicanos” e convidou a “todo o Povo moçambicano e os partidos políticos da oposição para, de forma patriótica e responsável, participarem no processo de fiscalização do novo ciclo governativo para o bem e o desenvolvimento do pais.

Filipe Nyusi enfatisou em vários momentos do seu primeiro discurso a necessidade de unidade nacioanal e da inclusão de todos os moçambicanos.

“Eu quero um povo com mais educação e saúde, que participa activamente na tornada de decisões e na escolha de políticas públicas. Quero que todos os moçambicanos sejam capazes de se fazer ouvir independentemente de pertencer ou não a um partido”.

O 4º Presidente de Moçambique terminou o seu discurso apelando “vamos, todos juntos, construir um país à medida dos nossos sonhos”.

Ausente da tomada de posse, como era previsível, esteve o líder do maior partido na oposição, Renamo, Afonso Dhlakama que não reconhece os resultados das eleições de 15 de Outubro e recentemente anunciou a criação de uma república do centro e norte de Moçambique, da qual seria o presidente.

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