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“Madaya é uma cidade onde há pessoas, mas não há vida”, diz ONU

Madaya tem pessoas, mas não tem vida: assim resumiram nesta terça-feira as agências humanitárias da Organização das Nações Unidas (ONU), que nesta segunda-feira(11) entraram com um comboio de ajuda humanitária nesta cidade síria sitiada pelas forças do regime, onde vivem 42 mil pessoas “desnutridas e numa situação desesperadora”.

A Organização das Nações Unidas e a Cruz Vermelha conseguiram chegar a Madaya, onde nenhuma ajuda humanitária chegava desde Outubro, e a situação encontrada foi “terrível”, de acordo com Hajja Malik, representante da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Síria.

“Madaya é uma cidade onde há pessoas, mas não há vida. A situação é horrível: não tem comida, não tem luz, não tem aquecimento para temperaturas baixíssimas. As crianças têm que ir buscar alimentos, e sabemos de pelo menos dois casos de menores que perderam algum membro do corpo ao passar por uma mina antipessoal”, denunciou Malik em teleconferência de Damasco.

O risco das minas antipessoais também foi citado em entrevista colectiva por porta-vozes de outras agências, como Unicef, Programa Alimentar Mundial (WFP/PAM), Organização Mundial da Saúde (OMS), que também participaram do comboio e que confirmaram as denúncias de desnutrição generalizada.

Não foi possível contabilizar as mortes por crise de fome ou o nível de desnutrição – severa ou aguda – da população, dado que nas horas em que estiveram na cidade não houve tempo hábil de fazer uma análise nutricional completa.

De acordo com a representante da OMS na Síria, Elizabeth Hoff, os três médicos presentes na cidade, confirmaram a morte de várias pessoas por crise de fome, sem poder, no entanto, dar números exactos. Os médicos são um ginecologista, um pediatra e um clínico geral, que está ferido.

Elizabeth pediu permissão para a entrada de clínicas móveis com equipes especializadas na cidade para prestar atendimento médico de urgência à população. Além disso, sugeriu que seja permitido o acesso da Cruz Vermelha para fazer uma análise “porta a porta” e detectar os casos de desnutrição mais graves.

Está previsto que na quarta-feira um segundo comboio entre nesta cidade e outro em três ou quatro dias. Eles irão para Madaya e para as localidades de Fua, Kefraya – também abastecidas – assim como Zabadani.

O Unicef estima que a metade da população de Madaya é menor de idade. Por isso, a ajuda distribuída ontem continha alimentos altamente energéticos, embora o grupo não tivesse leite em pó específico para os bebés.

Relatórios apontam a incapacidade de amamentar das mães, dada sua própria desnutrição. Todos os porta-vozes insistiram na importância de que estas distribuições não sejam pontuais, mas permanentes.

“Se não pudermos entrar de novo, esse esforço não servirá para nada e em poucos meses voltaremos a falar de uma situação de morte e desolação”, disse Maliki.

A ONU estima que 4,5 milhões de sírios residam em zonas de dificílimo acesso, sendo que 400 mil sobrevivem em regiões sitiadas.

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