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“Kabila sai”, reclamam congoleses nas ruas

O segundo mandato do Presidente da República Democrática(RD) do Congo, Joseph Kabila, expirou na segunda-feira à noite todavia ele ainda não abandonou o poder, conforme manda a Constituição, e ainda nomeou um novo Governo, desencadeando a contestação da oposição por não terem ainda sido marcadas novas eleições e uma vaga de contestação nas ruas. “Kabila sai” ou “Kabila cartão vermelho” são algumas das palavras de ordem que se lêem nos cartazes transportados por alguns dos manifestantes.

Na capital, Kinshasa, há notícia de tiros entre as forças de segurança e os manifestantes e o diretor para os direitos humanos da ONU na RD Congo, José Maria Aranaz, disse à Reuters, por telefone, que “as alegações de que há pelo menos 20 mortos são bastante sólidas”.

França e Bélgica manifestaram já a sua preocupação com a situação e instaram a União Europeia a rever as relações com o país africano se Kabila mantiver esta situação.

“Lanço um apelo solene ao povo congolês para não reconhecer mais a autoridade do Sr. Joseph Kabila, à comunidade internacional a não lidar mais com Joseph Kabila em nome da República Democrática do Congo”, disse, num vídeo, divulgado através do Youtube, o líder da oposição Étienne Tshisekedi.

Kabila, que está no poder há 15 anos e sucedeu em 2001 ao pai, Laurent, que foi morto num atentado, não pode apresentar-se a um terceiro mandato presidencial e tem de haver novas eleições no país.

O segundo expirou na segunda-feira à noite e, pouco antes disso, Kabila nomeou um novo governo sem esperar pela mediação da Igreja Católica para acabar com a crise política. Numa conferência de imprensa ontem em Kinshasa, o novo primeiro-ministro congolês nomeado por Kabila, Samy Badibanga, pediu calma à população e contenção às forças de segurança.

“Quero fazer um apelo à calma”, disse, numa altura em que se teme que a violência aumente e se espalhe pelo país, depois de terem sido registados tiros em Kinshasa e em Lubumbashi, a segunda maior cidade do ex-Zaire (antiga colónia belga).

Com a proibição de manifestações em vigor no país e uma forte presença militar nas ruas, Kinshasa, com 12 milhões de habitantes (mais do que a população de Portugal), tem estado mais vazia do que o habitual salvo as bolsas de jovens e manifestantes que protestam contra Joseph Kabila, segundo uma reportagem da Reuters.

Os capacetes azuis da missão da ONU na RD Congo (a MONUSCO) também estão a patrulhar as ruas. Anteriormente conhecida como MONUC, esta força de estabilização foi criada em novembro de 1999 com a missão de monitorizar o processo de paz após a segunda guerra do Congo que fez 2,5 milhões de mortos entre 1998 e 2003 (depois disso continuou a haver mortes e o balanço geral é de seis milhões).

O que agora se teme é que o país com 80 milhões de habitantes seja palco de um novo banho de sangue.

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