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Protestos contra acções do Hezbollah na Síria deixam 1 morto no Líbano

As tropas libanesas bloquearam as ruas de Beirute, a capital do país, com tanques e arame farpado por muitas horas, este Domingo (9), depois de um manifestante ter acabado morto fora da embaixada do Irão, elevando as tensões já inflamadas pela guerra civil na vizinha Síria.

O homem foi morto durante um confronto entre grupos rivais de xiitas islãos, depois de os milicianos do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão, terem aberto fogo contra manifestantes que se aglomeravam em frente à embaixada.

Com dificuldades e limitações para se impor desde que inúmeras facções armadas começaram a surgir a partir da guerra civil do Líbano, há duas décadas, o Exército libanês conseguiu posicionar tanques blindados em volta do centro da cidade e bairros controlados pelo Hezbollah, neutralizando o inimigo. No de tarde, o tráfego já havia sido restabelecido.

Membros de vários grupos étnicos, como sunitas e xiitas islâmicos e cristãos, realizaram uma passeata no centro da cidade em protesto contra o apoio do Hezbollah ao presidente sírio Bashar al-Assad – os seus militantes ajudaram as tropas de Assad a retomar a cidade estratégica de Qusair, na fronteira do Líbano com a Síria, na última semana.

Um jornalista da Reuters testemunhou o exacto momento em que integrantes de um pequeno partido xiita chegaram à embaixada iraniana de autocarro e foram recebidos a tiros por membros do Hezbollah.

Os policias libaneses confirmaram que um dos homens do partido xiita, que estava desarmado, acabou morto, e outras dezenas de manifestantes ficaram feridas. As tensões entre Síria e Líbano aumentaram quando o líder do Hezbollah, Sheikh Hassan Nasrallah, comprometeu-se há duas semanas a lutar por Assad até o fim.

A capital Beirute vem sendo reconstruída há 15 anos desde a guerra civil que acabou em 1990, mas a falta de segurança na cidade vem assustando os moradores e pondo em perigo a prosperidade local. Proprietário de um hotel, Ali Hammoud afirma que os episódios violentos como o deste Domingo afastam turistas.

“O que aconteceu hoje assusta-nos muito e nos faz crer que tempos difíceis virão. Estamos a atrair tragédias nas nossas cabeças porque interferimos nos assuntos dos outros… Ninguém virá ao Líbano agora. A nossa principal preocupação é mantermo-nos vivos.”

Um membro do parlamento libanês, que apoia o ex-primeiro-ministro Saad Hariri, um sunita, disse que o Hezbollah deve tirar os seus homens do front.

“O Hezbollah tem colocado o Líbano num túnel sem fim”, disse Nuhad Mashnouq. “Sempre vai haver calamidade no Líbano. Eles devem retirar-se da Síria.”

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