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Professor acusado de tráfico de duas adolescentes em Sofala

Um professor da Escola Secundária de Nhamatanda, na província de Sofala, está a contas com as autoridades policiais, acusado de aliciamento, sequestro e tráfico de duas adolescentes para prostituí-las com homens previamente identificados.

O docente em causa apresentou-se a uma das miúdas como tio da outra, fez-se passar por uma pessoa bem-intencionada e, a partir daí, passou a aliciá-la com presentes e dinheiro.

As vítimas, de 14 e 16 anos de idade, frequentam a Escola Industrial e Comercial da Beira e Escola Secundária Samora Machel.

“Um dia esse professor telefonou-me alegando que queria me saudar, depois veio ter comigo e ofereceu-me 500 meticais. Este valor ofereci à minha amiga para interromper a gravidez”, contou a menina, que mantinha ligação com o tal professor e aceitava seus presentes sem o conhecimento dos pais.

As artimanhas do pedagogo não cessavam, mas o que a rapariga não sabia é que o suposto tio da sua amiga tinha más intenções. Aliás, nem a sua suposta amiga foi capaz estranhar o facto de um docente que apareceu do nada dedicar-se tanto a elas a ponto de presenteá-las constantemente.

“Num outro dia ele telefonou-me de novo a perguntar se eu tinha roupa e eu respondi que sim, e isso não era problema. Ele disse que mesmo assim iria me enviar 1.500 meticais e aceitei”, prosseguiu a miúda.

As conversas, ofertas e visitas que a adolescentes mantinha com o professor ganharam outros contornos até que, na passada quarta-feira (09), o acusado convidou a miúda para um passeio ao distrito de Nhamatanda. Mas para não ir sozinha, ela optou em chamar a amiga.

Chegados ao destino, foram transportadas numa viatura para uma pensão onde eram alegadamente mantida em cárcere privado mas com direito a tudo que podia lhes proporcionar comodidade. No local, de acordo com uma das raparigas, apareciam homens abusavam sexualmente delas. “Um senhor desceu do carro, escolheu um quarto para nós e disse que não podíamos falar nada. Caso contrário, eles iriam matar os nossos pais”.

Contudo, o gerente da referida pensão disse a jornalistas que o que as meninas relatam não é de todo verdade, porque durante a sua permanência se dirigiam ao balcão sozinhas para pedir o pequeno-almoço.

Elas faziam isso até na ausência dos homens com quem iam à cama, disse o cidadão, acrescentando que “não pareciam estar a ser ameaçadas ou a correr perigo”.

Por sua vez, o professor acusado fechou-se em copas e não pronunciou uma palavra sequer à imprensa. Porém, Daniel Macuacuá, porta-voz da PRM em Sofala, disse que há matéria bastante para o acusado ser incriminado e responsabilizado, pelo que o processo segue os devidos trâmites legais.

Refira-se que, em Maputo, a regatou com sucesso, na passada terça-feira (08), outras duas meninas de 13 e 17 anos de idade das mãos de um grupo que supostamente se dedica ao tráfico de mulheres para a prostituição na vizinha África do Sul. As vítimas foram encontradas na fronteira entre Moçambique e Suazilândia, prestes a entrar naquele país.

Em conexão o caso, uma jovem identificada pelo nome de Zinha – prima de uma das miúdas – e o seu padrasto de 66 anos de idade foram detidos.

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