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Prémio de Mérito na Conservação atribuído ao Presidente Filipe Nyusi é “precipitado”

Prémio de Mérito na Conservação atribuído ao Presidente Filipe Nyusi é “precipitado”

FOTO International Conservation Caucus FoundationA International Conservation Caucus Foundation atribuiu o seu prémio de Mérito na Conservação ao Presidente Filipe Nyusi, durante a visita que o Presidente moçambicano efectua aos Estados Unidos da América(EUA). “Foi bastante precipitado, um ano drástico de governação é suficiente para dar mérito desses, não faz sentido algum” disse ao @Verdade Vanessa Cabanelas, da Justiça Ambiental. “(…)Esse reconhecimento premeia o esforço de todos nós, ninguém é capaz por si só lutar pela preservação do ambiente” afirmou Lino Manuel do Centro Terra Viva.

“Eu penso que esse prémio não é de uma única entidade, ou de uma única individualidade, esse reconhecimento premeia o esforço de todos nós, ninguém é capaz por si só lutar pela preservação do ambiente. Seria mau se alguém reivindicasse o protagonismo desse prémio” reagiu Manuel, quando instado pelo @Verdade a comentar o galardão atribuído no passado dia 15 na cidade norte-americana de Washington DC.

Para este representante da Organização Não Governamental Centro Terra Viva algo proactivo que se deve dar mérito ao Governo “é o facto de ter-se criado uma instituição que vele especificamente pelo ambiente, e que não coordene como no passado. Os esforços eram muito dispersos, ninguém queria assumir a responsabilidade. Na minha modesta opinião é de mérito que o Governo tenha criado o Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural porque o que traz muito barulho em Moçambique neste sector é o uso e aproveitamento da terra para grandes empreendimentos económicos e isto também coaduna com o desenvolvimento rural porque sabemos que é lá que está aquele cidadão que não é assalariado mas vive do que a terra pode dar”, declarou Lino Manuel.

Por seu turno a ambientalista Vanessa Cabanelas tem uma perspectiva oposta. “A única coisa muito positiva foi a moratória a madeira, mas mesmo assim não disseram para quê nem com que objectivos. Uma moratória normalmente serve ou para deixar restabelecer a floresta, mas em dois anos não acontece, ou para se analisar o que é preciso fazer e que mudanças estruturais sérias é que tem que se fazer para mudança efectiva, o que também não está a ser feito, portanto foi só parem lá um bocadinho e vamos ver daqui a dois. E na verdade continuam a sair contentores de madeira – no início de Setembro passado, 97 contentores com 2 mil metros cúbicos de madeira em toro ilegal foram descobertos no porto de Quelimane, prestes a embarcar para a China -, então onde está a moratória, quem está a fiscalizar”.

“Sobre a caça furtiva mesmo no parque nacional da Gorongosa continua em alta, e não propriamente por causa da guerra” declarou Cabanelas acrescentando que “há discursos contraditórios, por um lado está-se a falar na caça furtiva mas por continua-se a investir em coisas como o REDD, na indústria do carvão, todas as energias sujas, é um contra-senso”.

A representante da Organização Não Governamental Justiça Ambiental nem sequer olha para este prémio como um estímulo a eventuais esforços que o Presidente Nyusi possa estar a envidar e recorda que em 2011 o Presidente Armando Guebuza também recebeu um prémio, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), “mas não fez absolutamente nada”.

“Foi bastante precipitado, um ano de governação drástico de governação é suficiente para dar mérito desses, não faz sentido algum. Para mim esse tipo de prémios é festinhas nas costas” concluiu Vanessa Cabanelas.

Prémio atribuído após extensão de contrato do Parque Nacional da Gorongosa com a Fundação Carr

Todavia para o presidente do International Conservation Caucus Foundation, John Gantt, o Chefe de Estado moçambicano “(…)ganhou este prémio por promover um novo conceito de parque nacional no seu país: “o parque nacional enquanto motor de desenvolvimento humano”.

“Não é nenhum segredo que a fauna bravia de Moçambique sofre com a caça furtiva. No entanto, o presidente Nyusi comprometeu o seu país a efectuar uma melhor protecção dos seus treze Parques Nacionais e Reservas enquanto promove, simultaneamente, uma nova abordagem de desenvolvimento rural: utilizar os Parques e Reservas de Moçambique como motores de educação, desenvolvimento económico, e prestação de serviços para as comunidades tradicionais que compartilham ecossistemas com estes tesouros naturais”, afirmou ainda John Gantt, segundo um comunicado de imprensa que o @Verdade recebeu.

Note-se que este prémio foi atribuído cerca de uma semana depois do Governo moçambicano ter decidido estender por mais 25 anos o contrato de gestão conjunta do Parque Nacional da Gorongosa com a Fundação do multimilionário norte-americano Gregory Carr que, no evento de entrega do prémio ao Presidente Filipe Nyusi, manifestou a sua satisfação pela decisão.

Aliás, um dos grandes objectivos desta visita do Presidente de Moçambique aos EUA é impulsionar as decisões de investimentos na exploração do gás natural existente no nosso País, por parte das empresas norte-americanas Anadarko e Exxon Mobil. Ora um desses projectos continua viciado de graves irregularidades relacionadas com o licenciamento do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, que não foi conduzido nos termos previstos na legislação moçambicana.

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