Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Porque há menos VERDADE na rua

Esta semana fomos diversas vezes abordados por pessoas queixando-se de que não receberam @ VERDADE. Pessoas que todas as sextas-feiras estão habituadas a abrir @ VERDADE e por ela ficarem informadas do que se passa em Moçambique e no mundo. A umas mais, a outras menos, consoante o tempo disponível, lá fomos explicando a verdadeira razão: baixámos a tiragem de 50 mil exemplares para 20 mil, ou seja, em mais do dobro.

As reacções foram as mais díspares: houve quem compreendesse e não fizesse mais perguntas; houve quem desatasse a fazer perguntas; houve quem tivesse tomado a nossas dores; houve quem tivesse achado inadmissível que o mercado publicitário fosse responsável pelo cerceamento de informação ao povo, etc. Serve o presente editorial para esclarecer, uma vez mais, o porquê desta redução: o mercado publicitário interno não cobre os custos de impressão de 50 mil cópias d@ VERDADE.

Resultado: quem sofre é o povo que se vê privado do acesso à informação, um bem essencial para a formação de qualquer cidadão, independentemente da sua classe socioeconómica, porque, como referimos na edição do nosso aniversário, “um cidadão que não tem acesso à informação não é um cidadão de pleno direito, mas antes um corpo que vagueia.”

@ VERDADE, ciente de como se rege a lei do mercado publicitário em todo o mundo, esteve desde o início consciente da importância que uma tiragem muito superior aos demais órgãos de informação congéneres representa. Por isso foi o primeiro jornal deste país a certificá-la, revelando quase desde o início na capa os números: 50 mil, mais do que todos os outros jornais juntos numa semana. Achámos, com a experiência do exterior, que este trunfo seria demasiado importante para os candidatos a anunciantes decidirem colocar publicidade no nosso jornal em detrimento dos outros.

O nosso raciocínio fazia todo o sentido: para a promoção de um produto, qualquer que ele seja, é indiscutível que é melhor ser visto por 250 mil ou 300 mil pessoas do que por 10 ou 20 mil. Mas, infelizmente, esta lógica do mercado parece não campear no nosso país. Os decisores, a maior parte colocada nesses cargos por fidelidades políticas, ainda não estão, ou não querem estar, alertados para estas diferenças, pretendendo pagar pelo mesmo anúncio o mesmo em todos os jornais, desvalorizando a mais-valia dos 50 mil exemplares.

Mas, depois, estranhamente, quando sugerimos colocar a sua publicidade só em 5 mil exemplares – tiragens de muitos jornais onde eles anunciam – rapidamente disseram que não, pretendendo o melhor dos dois mundos: pagar pouco e anunciar num meio de grande alcance. Este episódio passou-se tanto em empresas de capitais privados como de dinheiros públicos.

Se no sector privado lamentamos somente a falta de visão empresarial, já no público – Estado/Governo – lamentamos também a violação da lei como sucedeu, e ainda continua a suceder, com o anúncio dos Concursos Públicos que, de acordo com o que está plasmado no Boletim da República – Publicação Oficial da República de Moçambique –, no 3º Suplemento em relação ao Regulamento de Contratação de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado, nas disposições gerais, no artigo 3 alínea b) lê-se: “Anúncio de Concurso: comunicação, sobre a abertura de concurso, por meio da imprensa, designadamente através do jornal de maior circulação no País e edital, podendo ainda ser usado outro meio de comunicação que for considerado de fácil acesso para o público-alvo.”

Lamentamos pois que, apesar desta disposição legal, o maior jornal do país nunca foi abordado por alguém ligado àquele sector do Estado. O mesmo se passou, por exemplo, com o acórdão do Conselho Constitucional (CC) sobre os candidatos excluídos das listas de determinados partidos. Tanto o CC como CNE passaram informação eleitoral em meios que têm de ser questionados porque não são os de maior circulação do país.

O mesmo se passou com muitas empresas públicas que constantemente comunicam supostamente com o povo em meios de menor dimensão e aos quais esse mesmo povo dificilmente tem acesso. Estamos a falar da Alta Autoridade Tributária, de grande parte dos Ministérios, dos Municípios, da EDM, TDM, Águas de Moçambique, Funae, LAM, Aeroportos de Moçambique, INAV, etc…

Esperemos agora ter esclarecido o povo/leitor – aquele que afinal de contas tem estado ao nosso lado desde o início – sobre as razões de nos dias de hoje haver menos VERDADE na rua. 

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