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Talentos são marginalizados pelas editoras

Talentos são marginalizados pelas editoras
Leonardo Ernesto Guambe, mais conhecido por Leo, procura há mais de três anos colocar o seu primeiro álbum no mercado. Em declarações ao @ Verdade, o jovem disse que já bateu à porta de todas as editoras discográficas do país, mas a resposta não varia: “Não podemos editar o seu trabalho porque não tem mercado. Tente mudar o estilo musical para pandza ou dzukuta.”

“Tenho um videoclipe e um albúm que já está na Vidisco há sensivelmente 3 anos, foi aprovada a qualidade do trabalho mas ainda não chegou a ser editado devido a falta de patrocínio”, refere, agastado, Leo, artista que compõe música afro e romântica. O patrocínio está orçado em 40 mil meticais. O jovem músico adianta que a Vidisco pediu-lhe várias cópias do seu disco, incluindo o videoclipe, mas depois de receber vários elogios, disseram- lhe que o estilo que compõe não é comercial. Para Leonardo Ernesto Guambe é ridículo ser as editoras a imporem o que os músicos devem fazer.
“Não é justo que as editoras interfiram no nosso trabalho ao ponto de pôr em causa o estilo de música que fazemos.” E acrescentou: “Estou muito frustrado com a atitude das discográficas, mas em algum momento pensei em deixar de fazer música. Fui muito encorajado pelos fãs que me perguntam constantemente quando é que poderão ter o meu disco. Isso dá-me alguma esperança.” O nosso interlocutor considera que as editoras não estão a promover o desenvolvimento da música moçambicana, uma vez que elas privilegiam apenas um único estilo de música. Moçambique ainda não tem uma indústria discográfica capaz de criar editoras para certos estilos musicais. Leo referiu que esta atitude das editoras leva alguns músicos a terem comportamentos “pouco decentes”, levando seus trabalhos ao mercado de forma clandestina.
@ Verdade ouviu igualmente a editora discográfica Vidisco na pessoa de Nacer Ussemane, promotor desta discográfica. Nacer referiu que o que interessa à sua editora é um estilo de música que venda com muita facilidade, apontando como exemplos o pandza, dzukuta e a nova marrabenta. “Música tradicional só editamos se for de alguém que já tem nome na praça e com um trabalho de boa qualidade”, disse, para depois acrescentar que nem todos os novos talentos fazem música de qualidade e que nos últimos tempos o mercado tem sido mais exigente.
Questionado sobre o assunto do jovem Leo, Nacer Ussemane simplesmente respondeu que não se recorda do jovem e que a imposição dos estilos de música é feita pelo mercado. @ Verdade efectuou várias tentativas para ouvir a editora Globo Música, mas todas redundaram em fracasso, alegando indisponibilidade do director daquela discográfica.
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