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Populares vandalizam Centro de Saúde de Maratane em Nampula por alegada morte de uma parturiente

O Centro de Saúde de Maratane, sito há cerca de 20 quilómetros da cidade de Nampula, foi vandalizado, na segunda-feira (05), pelos residentes, na sua maioria refugiados dos países dos grandes lagos. Na origem dos estragos está o suposto mau atendimento de que os utentes daquela unidade se queixam e que dizem ser sistemático.

Os populares partiram para a violência contra os profissionais de saúde que se encontravam em serviço, quando uma mulher deu à luz na porta da sala de partos e na ausência de um técnico para o efeito. A parturiente, cujo nome não apurámos, e o seu recém-nascido não sobreviveram, facto que gerou desentendimento naquela gente.

Além dos bens imóveis destruídos, como é o caso das portas e janelas do Centro de Saúde de Maratane, os populares destruíram parcialmente uma ambulância.

Alguns agentes de saúde e um guarda estava escalado para trabalhar naquela segunda-feira foram vítimas de agressão física e escaparam de um presumível linchamento graças à intervenção de pessoas de boa-fé que, pese embora fizesse parte da população enfurecida, agiram no sentido de evitar o pior e acolheram os indivíduos numa casa algures.

De acordo com Ângela Sultane, moçambicana residente naquela circunscrição geográfica, a parteira em serviço, naquela segunda-feira, encontrava-se em sua casa, quando a mulher que morreu durante o serviço de parto deu entrada e a técnica de saúde ignorou a solicitação para cuidar da parturiente. Esta ficou horas a fio porque a visada fazia-se de rogada.

A nossa interlocutora narrou que aquela atitude não surpreende quaisquer residentes e utentes daquela unidade sanitária na medida em que a negligência é uma prática normal em Maratane por parte dos agentes de saúde.

Num outro desenvolvimento, Ângela fez-nos saber que para além desses actos, há uma outra prática que não é vista com bons olhos pelos populares. Trata-se das cobranças ilícitas perpetradas pelo pessoal de saúde, que variam de 100 a 500 meticais só para atendimento de um doente.

“Sem querer dizer que o que os populares fizeram é correcto, acho que serviu de lição, porque o que vivemos desde há muito é insuportável. Ficamos doentes, vamos ao hospital com seis meticais (um metical para consulta e cinco meticais compara de medicamentos), mas somos obrigados a pagar valores monetários altos como se o hospital fosse uma clínica privada”, lamentou.

Em declarações ao @Verdade, Papson Komba, representante dos refugiados burundeses, afirmou que é preocupante a situação por que eles passam naquele hospital. Os agentes de saúde em Maratane não trabalham, segundo Komba, como devia ser. Eles tratam os pacientes de forma desumana.

Em consequência do mau atendimento que se vive no Centro de Saúde de Maratane, o @Verdade soube dos entrevistados que se tem registado mortes por desleixo do profissionais de saúde. Komba acredita que se a assistência fosse eficaz as vidas que se perdem podiam ser salvas.

Num outro desenvolvimento, no nosso entrevistado disse a problemática de mau atendimento foi apresentada à Comissão de Relações Internacionais da Assembleia da República, que visitou naquela o local a 09 de Setembro do ano em curso.

A nossa reportagem procurou no local do incidente ouvir a versão das autoridades de saúde em Maratane, mas tudo foi em vão, alegadamente, porque na altura não havia ninguém indicado para falar à Imprensa.

Até à nossa retirada daquele lugar, o Centro de Saúde encontrava-se encerrado e os doentes eram obrigados a deslocar-se à cidade de Nampula para terem acesso ao atendimento médico.

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