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Populares manifestam-se contra ineficácia da polícia nas Palmeiras e são repelidos com gás lacrimogéneo e balas reais

Centenas de residentes do posto administrativo da Palmeiras, no distrito da Manhiça, manifestaram-se nesta sexta-feira(22) contra a alegada ineficácia da Polícia da República de Moçambique no combate ao crime que tem aumentado de forma alarmante naquela região da província de Maputo. Os populares cortaram o tráfego rodoviário na Estrada Nacional nº1, colocando troncos de árvores e pneus em chamas, durante algumas horas o que originou a intervenção de Forças paramilitares que, com recurso a gás lacrimogéneo e disparos de balas reais, repeliram os manifestantes.

De acordo com os residentes das Palmeiras a onda de criminalidade, particularmente de assaltantes de residências e estabelecimentos comerciais, tem se agravado nos últimos meses e vários tem sido os criminosos que são detidos mas que poucos dias depois são restituídos a liberdade.

Na semana semana passada um cidadão que trocou moeda sul-africana num cambista local, no valor de algumas centenas de milhares de meticais, sofreu pouco depois um assalto a mão armada onde ficou gravemente ferido a tiro.

Esta semana um pequeno estabelecimento comercial (barraca) foi assaltado porém populares conseguiram capturar um dos dois criminosos e, agastados com uma alegada ineficácia da Polícia da República de Moçambique (PRM) em detê-lo fez justiça pelas própria mãos. O assaltante foi espancado, queimado e enterrado.

Entretanto esta semana três outros assaltantes que estavam detidos pela PRM foram vistos em liberdade, entre esses indiciados de roubo está um agente da polícia apelidado de Cawa que os residentes do posto administrativo da Palmeiras acreditam ser o fornecedor das armas de fogo usadas pelos criminosos.

Enfurecidos com a soltura dos alegados criminosos os residentes da Palmeiras foram exigir explicações ao Comando distrital da PRM, mas sem sucesso. Revoltados decidiram bloquear o tráfego rodoviário na única estrada que conecta o Sul ao Centro e Norte de Moçambique, com troncos de árvores e pneus em chamas. Longas filas de viaturas ficaram paradas, nos dois sentidos da EN1, a partir do fim da manhã de sexta-feira.

Os agentes locais das PRM incapazes de lidar com os manifestantes pediram reforços ao comando provincial que enviou um aparatoso contingente da Unidade de Intervenção Rápida armada e transportada em veículos blindados. Tiros reais e gás lacrimogéneo foi disparado contra os cidadãos desarmados, entre eles várias crianças e mulheres. Há relatos não confirmados da existência de uma vítima mortal.

O tráfego rodoviário foi restabelecido, cerca das 13 horas, mas até este sábado permanece no posto administrativo da Palmeiras o contingente das Forças paramilitares.

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