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Escrutínio Escolar d´@Verdade: pensei que me quiseses, afinal nos queres a todos!!!

Vestias pequenas e poucas peças, o teu saiote podia servir à boneca que eu trazia na pasta, que comprara de presente para a minha sobrinha que fazia anos aquele dia. Já a tua blusa me lembrava a transparência de uma teia de aranha, por isso não te olhava muitas vezes, embora me olhasses atentamente.

Sempre que te olhava via-te toda, desde os seios, umbigo… via-te mesmo. Incomodavas-me de tal forma que custava-me continuar sentado naquela bancada do Jardim Tunduro, mas também custava-me sair porque não conhecia outro lugar com a mesma brisa num dia de tanto calor.

Olhavas-me à maneira de me acabares com os olhos, aliás, não me olhavas, assistias-me. De quando em vez, sentia necessidade de te dedicar um olhar rápido, bem roubado, para consultar se ainda me assistias, mas esbarrando-me com as tuas pupilas ainda depositadas em mim, os meus olhos caíam de vergonha de quê não sei explicar, porque não havia nada de estranho em mim.

O meu coração saltou dentro quando, de um jeito farçado, saíste da bancada onde sentavas para pousares bem ao meu lado, e, como se não bastasse, aproximavas-te arrastando o trazeiro. Para não parecer insensível, dirigi-te um cumprimento que tomaste de instrumento para iniciar uma conversa e tentar uma intimidade que, comigo, é sempre impossível. Não me dou a qualquer amizade.

– Olá – cumprimentei-te.

– Oi – responteste a dar o último rastejo do trazeiro por pouco nu, por causa do saiote, para me colares como se fôssemos casal de namorados. – Faz calor, podes afastar-te um pouco? – disse eu com uma voz suave para te prevenir da vergonha, ao que simulaste afastar, enquanto cuidavas de manter a tua desejada proximidade entre nós.

– Será que te incomodo? – perguntaste.

– Não tanto, podes ficar aqui – respondí com um sorriso artificial.

Falavas com um articular e uma voz característicos das mulheres sedutoras que ‘eu’ via nas telenovelas brasileiras, nos tempos em que, da minha rotina diária,me restava tempo para assistir aos programas televisivos de pouca prioridade. Nem me era possível ver os movimentos dos teus lábios quando falavas, o batom vermelho, aplicado com exagero, era pegajoso que te prendia os lábios um no outro.

Pude ver que eras bela de natureza, muito bela, mas com a tua maquiagem tinhas daquelas belezas nojentas. Sem orgulho, julguei-me inteligente quando, com algum intelecto, meti tesoura na pobre conversa que querias avançar, sem precisar de te ofender.

Foste longe ao passear as mãos, de unhas compridas e envernizadas, nas partes que o saiote, de tanto ser pequeno, não conseguia cobrir, também não era para cobrir. E lançaste uma pergunta que seria de festa para um carente que não sou.

– Desejas alguma coisa de mim? Abanei negativamente a cabeça, ao que não te conformaste. Provaste-me que, quanto mais ignoradas, mulheres loucas de possuir homens, mais entregues se fazem. Avançaste.

– Pede o que quiseres que prometo dar se tiver.

Olhámo-nos por longos minutos, os nossos olhos apontavam-se enquanto eu lia a falta de vergonha que lavraste de uma rotina vergonhosa de uma bela mulher que, com certeza, vai apodrecer nas mãos de homens. Pensei num pedido, mas antes consultei se darias mesmo.

– Mulher, qualquer coisa que eu pedir dás-me?

– Dou-te logo que pedires.

– Peço todo o dinheiro que trazes nessa bolsa.

Em reacção ao meu pedido, apertaste a bolsa entre o braço e o tronco do teu lindo corpo, quase no sovaco. Levantaste-te daquela bancada e abandonaste-me à maneira de fugir do diabo.

Quando chegou a minha vez de me levantar, já a sair do jardim, encontrei-te numa outra bancada, próximo ao portão principal, grudada a um homem que caíra nas tuas façanhas. Aproximei-me e, palavrudo que sou, envergonhei o teu companheiro, uma vez que na tua cara não fica nenhuma vergonha.

– Pensei que me quisesses, afinal nos queres a todos!!!

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