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Partiu para o eterno descanso o maior velocista moçambicano de todos os tempos: José Magalhães (1938 – 2018)

Partiu para o eterno descanso o maior velocista moçambicano de todos os tempos: José Magalhães (1938 – 2018)

ArquivoPartiu para o eterno descanso José Filipe Magalhães: o maior velocista moçambicano de todos os tempos! “Magatsutsa”, como lhe chamavam os amigos, nasceu a 16 de Janeiro de 1938 na cidade de Lourenço Marques e faleceu na passada terça-feira(25), Dia da Família, na cidade de Nampula onde vivia incógnito. Recordamos a sua carreira num artigo que o @Verdade publicou há alguns anos.

Recebeu o testemunho com atraso, saiu disparado como uma bala e apitou! “Pipiii…”! Uma, duas, três vezes. Abram alas, porque vai passar o bólide, José Magalhães, o maior velocista moçambicano de todos os tempos!  Os adversários ficavam avisados, puxavam ao máximo pelas suas pernas, mas nada podiam fazer, para contrariar a velocidade do “filho do vento”.

A partir do dia em que se decidiu pela velocidade a sério, nunca mais perdeu, em 16 anos de carreira, frente a um compatriota. As suas marcas, obtidas em pista de cinza, hoje em dia valeriam milhões. Com outro nível de preparação, sem favor, seria o “Carl Lewis” africano.

Corria mais do que a bola e por isso ruiu o sonho de vir a ser ponta-de-lança no futebol. Sugeriram-lhe o atletismo, onde optou pelas corridas de velocidade. Os seus recordes dos 200 (21,2) e 400 (47,6), quase 35 anos depois, mantêm-se imbatíveis. Nos 100 metros, detém um excelente tempo: 10,7.

Acendeu a Pira Olímpica pela primeira vez

ArquivoEstava em Portugal com a família, em gozo de férias, nas vésperas da inauguração do Estádio Salazar, hojem Estádio da Machava. O director dos Caminhos de Ferro de Moçambique(CFM) na altura, achou que o melhor atleta do clube teria que marcar presença na inauguração daquele que era o maior recinto desportivo do Ultramar.

Assim sendo, foi chamado de emergência, veio sem se preparar devidamente, correu e ficou em segundo lugar, atrás de um atleta estrangeiro. Depois, jogou-se o Portugal-Brasil, em futebol. Houve a maior enchente de todos os tempos. Mas teve uma grande honraria…

“É verdade. Fui eu quem transportou a tocha, para acender pela primeira vez a Pira Olímpica, depois de uma cerimónia importante e após uma volta de honra. É algo de que não me esqueço, mas que as pessoas já se esqueceram”.

Fiz tempos fabulosos, mas… nunca corri em tartan!

Comparam-se os tempos, a maior parte deles obtidos no estrangeiro e veja-se a classe deste “sprinter”. Em 16 anos de carreira, nunca correu no “tartan”. E se corresse? O Mundo poderia estar a seus pés. Contentou-se com as pistas de cinza, em cujas curvas os atletas tinham que se “segurar” para não resvalar. Sobre as suas marcas… “Nos 200 metros, tenho o registo de 21,2, marca obtida há quase 40 anos e até hoje não batida”.

Nos 400 metros, o registo de 47,6. Só nos 100 metros eu era fraquinho e não passava dos 10,8/10../7!

Fraquinho? – perguntámos nós! Tomara a geração actual correr o hectómetro a essa velocidade, mesmo com o tartan e os mais modernos sapatos de pregos! Magalhães, nas estafetas, era o garante das vitórias, devido à sua propensão para as curvas. Ocupava normalmente a segunda ou terceira posição nas partidas, para pegar no testemunho e quebrar o ritmo dos adversários. Correu pela selecção de Portugal e espalhou a sua classe pelo mundo. Uma revelação sobre as estafetas, em que entrava nos 4×200 e 4×400: “Os adversários chegavam a chorar. Choravam mesmo, porque por vezes iam na dianteira e eu tirava-lhes o pão da boca. Ficavam complexados quando me viam. a estafeta era o meu forte, pois recebia o testemunho em corrida e “comia-os” a todos”.

Era nessas ultrapassagens que por vezes buzinava à sua passagem. Os adversários só se apercebiam da deslocação do ar, para logo a seguir lhe verem “a matrícula”. O seu forte, eram as curvas. Mas, em regra, investia no arranque. Os primeiros 50 metros, em qualquer prova, tinham que ser seus.

Abandonado!

Tem conhecimentos acumulados mas nunca foi chamado a transmiti-los. É uma mágoa que sente, pois a partir da altura em que se retirou, nunca mais lhe deram qualquer oportunidade. Foi pura e simplesmente esquecido.

Sentia-se abandonado pelo único clube em que militou toda a vida, o Ferroviário e que nem o recebeu quando lhe foi conferido o troféu de Atleta do Século(Nota do Editor em 2013): “vivia em Nampula nessa altura. Quem se lembrou de mim foi a Federação. O meu clube, nem uma festa de homenagem pela distinção que um seu atleta teve, nem nada. Também acho que o Estado moçambicano se deveria recordar que eu existo, há acções em que deveria participar porque estou vivo”.

Bonga: rival e amigo

Portugal, Espanha, França, Grécia! Por aí passou um senhor chamado José Magalhães, oriundo do remoto Moçambique. Em terras lusas, tinha um rival: Barceló de Carvalho. E quem é ele?

“É o Bonga, antes de ser cantor. Conhecíamo-lo pelo verdadeiro nome: Barceló de Carvalho. Era o meu grande rival nos 200 e 400 metros, colega nas selecções. Nem imaginava que tinha boa voz. Nessa altura, 64/65/66/67, não cantava. Mas era um grande atleta. Depois da rivalidade nas pistas éramos grandes amigos”.

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