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Partidos islamistas tentam ampliar vantagem em 2o turno no Egito

Os egípcios foram às urnas nesta segunda-feira para o segundo turno da eleição parlamentar por distritos, em que o partido da Irmandade Muçulmana tentará ampliar sua vantagem sobre grupos islâmicos radicais e sobre partidos liberais. Pelo sistema eleitoral egípcio, a votação ocorre em dois turnos, um para escolha de candidatos distritais e o outro para votação em listas de indicados por cada partido.

A primeira eleição livre do Egito em seis décadas será realizada ao longo de seis semanas, até o final de janeiro, e é parte de uma prolongada transição para o regime civil, que terminará com uma eleição presidencial em junho e com a posse de um novo presidente em julho.

O Partido Liberdade e Justiça (PLJ), da Irmandade, deve formar a maior bancada no primeiro Parlamento a ser eleito desde a deposição do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro, o que pode criar uma disputa entre o grupo religioso e as Forças Armadas, que hoje exercem o poder na prática. O maior adversário do PLJ parece ser o ultraconservador Partido al Nour, dos muçulmanos salafistas.

O segundo turno entre candidatos desses dois partidos deve ser especialmente acirrado em alguns distritos de Alexandria, segunda maior cidade do país. A ascensão do Al Nour desperta temores entre muitos egípcios, por causa da insistência dos salafistas quanto à ideia de que a sharia (lei islâmica) deve governar todos os aspectos da sociedade. A Irmandade, mais pragmática, dificilmente irá se aliar aos salafistas, que só recentemente passaram à pregação política.

A Irmandade Muçulmana era proibida, mas tolerada, na época de Mubarak, e isso permitiu que ela se tornasse o mais organizado grupo popular no país.

No início da votação, o comparecimento às urnas era baixo no Cairo, em Alexandria e em Port Said, contrastando com as grandes filas que se formaram logo após a abertura das urnas na primeira etapa da eleição, na segunda e terça-feira da semana passada, quando o comparecimento foi de 62 por cento do eleitorado.

Adversários acusam a Irmandade de violar a proibição da campanha de boca de urna, e de ter distribuído comida e remédios em troca de votos. Monitores independentes disseram, no entanto, que a primeira fase da eleição pareceu limpa, apesar de muitas irregularidades.

O comitê eleitoral egípcio citou falhas como atrasos na abertura das seções ou na chegada das cédulas, e campanha dentro das seções eleitorais. Mas as autoridades disseram que isso não invalidava a votação, e que não irá se repetir nas próximas etapas.

Em Alexandria, cabos eleitorais do Al Nour começaram a distribuir panfletos em frente a uma escola onde havia votação, mas um militar pediu que o grupo se afastasse. Cifras divulgadas pela comissão eleitoral mostraram que a lista do PJL teve 36,6 por cento dos votos válidos na votação por listas partidárias na semana passada. O Al Nour veio em seguida, com 24,4 por cento, e o liberal Bloco Egípcio ficou em terceiro, com 13,4 por cento.

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