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Partido curdo diz que detenção dos seus líderes é o fim da democracia turca

A detenção dos dois principais líderes e de outros onze deputados do Partido Democrático dos Povos (HDP), da esquerda pró-curda, significa “o fim da democracia na Turquia”, segundo denunciou hoje esse partido em comunicado.

A finalidade das detenções “é enclausurar o terceiro partido do parlamento”, assegura o texto, que classifica as detenções de “uma purga” do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, contra este partido, que dispõe de 59 cadeiras no parlamento.

“É um dia escuro, não só para o nosso partido mas para toda a Turquia e a região, dado que significa o fim da democracia” no país, assevera o comunicado.

O HDP acusa Erdogan de tentar expulsar do parlamento os deputados do HDP porque são os que se opõem com mais firmeza à sua pretensão de transformar a Turquia num sistema presidencialista, no qual ele mesmo iria reunir todos os poderes executivos, algo que só se poderia fazer mediante uma reforma constitucional.

O Governo assegurou que as detenções produzem-se porque 53 deputados do HDP se negaram a comparecer ao tribunal para testemunhar num julgamento relacionado com a guerrilha curda. O social-democrata CHP, o maior partido da oposição, também mostrou uma enérgica rejeição às detenções.

“O que aconteceu ontem à noite não é só um novo golpe de Estado, mas além disso é um movimento para fragmentar o país”, disse Tanri Sezkulu, deputado do CHP por Istambul, na sua conta em Twitter.

“Voltaram a bombardear o parlamento”, acrescentou, em referência ao bombardeamento da noite de 15 de Julho durante o fracassado golpe militar. “É uma provocação muito perigosa”, advertiu.

A Polícia turca deteve ontem à noite Selahattin Demirtas e Figen Yüksekdag, co-presidentes do HDP, e outros onze legisladores desse partido de esquerda, conhecida pela sua defesa dos direitos da minoria curda.

A investigação judicial que envolve os deputados centra-se nos protestos de outubro de 2014 nas quais se enfrentaram ativistas da esquerda curda e simpatizantes islamitas por causa do assédio do Estado Islâmico à cidade curdo-síria de Kobani.

Os deputados do HDP são acusados de ter incitado à violência durante estes protestos, que deixaram várias dezenas de mortos.

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