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Para a África tudo serve

A África é o continente em que a máxima de Lavoisier – na natureza nada se perde tudo se transforma – assenta como uma luva. Este continente, como pobre que é, torna-se o espaço de todas as reciclagens e a ele tudo chega em segunda, terceira, quarta e quinta mão. Tudo o que não serve ou está desactualizado no chamado mundo desenvolvido chega a África e, qual toque de Midas, vira ouro.

Diz o ditado que “a cavalo dado não se olha o dente”, ou seja, é feio reclamar ofertas. Por isso chega leite fora de prazo; chegam medicamentos proscritos nos países que os fabricaram; chegam brinquedos que a civilizada Europa não certifica com selo de segurança; chegam roupas esfarrapadas; chegam carros sem as mínimas condições para circular; chegam máquinas para a construção civil em tal estado de degradação que basta um imprudente manuseamento para que aconteça uma tragédia; chegam armas que de tão desgastadas viram-se facilmente contra quem as utiliza; e, muito mais grave, aviões que não passam pela inspecção há um bom par de anos e que certamente nunca passariam numa vistoria séria.

O waste europeu chega a África e transforma-se, passa de mão em mão e é sempre apresentado como novo. Os carros, no nosso país, são um bom exemplo disso. A maioria deles, se fosse na Europa ou na América, nem estava autorizada a circular e o dono teria de pagar para o reboque retirá-lo da porta de casa. Aqui chegam a valer dois mil e tal dólares! Como dizia o meu avô, não há nada mais caro na vida do que ser pobre, por isso, com as constantes reparações, paga-se três vezes o preço do veículo. Há tempos li numa crónica que na Alemanha tinham sido colocados, em velhos e estragados aparelhos de telemóvel, um chip que emitia um sinal via satélite para localizar os aparelhos qualquer que fosse o seu destino. Adivinhem onde foram localizados?

Num aterro sanitário na Nigéria prontos para serem provavelmente concertados e vendidos num qualquer dumba nengue. Na madrugada da última terça-feira, um Airbus da companhia aérea Yemenia, do Iémen, despenhou- se ao largo do arquipélago das Comores, ao norte de Moçambique. Até 2007 este aparelho voava constantemente para a Europa, mais concretamente Paris. Depois disso, foram-lhe detectadas várias irregularidades que, mais dia, menos dia, iriam interditá-lo de aceder ao espaço aéreo europeu. À cautela, a companhia achou por bem voar só para os países da zona e… para África, aquele continente que tudo aceita. Já em 2007, os inspectores franceses constataram “um certo número de defeitos” quando inspeccionaram a aeronave.

“Desde então, o aparelho nunca mais foi vistoriado por nós”, referiu um responsável gaulês logo após o acidente. A companhia ienemita ainda não estava na lista negra da instituição europeia que supervisiona as condições das aeronaves mas para lá caminhava. Parece que o avião só servia para transportar africanos. Aqueles que nunca reclamam. OBITUÁRIO: Farrah Fawett 1947 – 2009 – 62 anos Era a protagonista absoluta dos “Anjos de Charlie”, eclipsando com a sua cabeleira loura e o olhar azul cristalino as restantes companheiras de acção daquela série televisiva que fez furor entre 1976 e 1980.

Farrah Fawett havia seduzido a América no pequeno ecrã, mas, não contente com isso, pouco tempo depois, resolveu saltar para o grande ecrã iniciando aqui uma carreira demasiado irregular para ser bem sucedida. Aliás, decisões erradas em momentos cruciais marcaram a vida desta actriz que faleceu no passado dia 25 de Junho na sua casa de Los Angeles vítima de cancro. Contava 62 anos. Farrah nasceu em 1947na localidade texana de Corpus Christi. Apesar da beleza arrebatadora, licenciou-se em Microbiologia na Universidade de Texas, em Austin, mas depressa entendeu que o seu futuro passava pelas luzes da ribalta da sétima arte.

É com esse intuito que chega a Los Angeles conseguindo imediatamente pequenos papéis em séries que passaram bastante despercebidas. Foi nessa altura que conheceu o seu primeiro e único marido, o actor Lee Majors, que utiliza os seus contactos privilegiados para promover a carreira de Farrah. A sua grande notoriedade inicia- se na publicidade quando dá corpo a vários spots publicitários anunciando dentífricos e marcas de champô. De um dia para outro passa a ídolo entre os jovens adolescentes. Recebe então uma proposta ousada: pousar em fato de banho.

“Mas que produto devia ser anunciado no poster?”, perguntou o seu agente. A resposta veio pronta: “Queremos vender Farrah num poster de Farrah.” As 12 milhões de cópias do poster fizeram com que Farrah fosse escolhida pelos produtores Aaron Spelling e Leonard Goldberg para desempenhar o papel da loura da nova série “os Anjos de Charlie”.

Foi assim que Farrah, ladeada por Jackson e Jaclyn Smith, logrou o papel principal naquela saga mítica dos anos ´70. Nela, os três “anjos”, investigadores, atractivos e sofisticados, trabalham para um misterioso homem de negócios. A série gera enormes audiências e milhões de admiradores, e Farrah é um dos nomes mais escolhidos pelas mães americanas.

A protagonista tem, todavia, dificuldade em lidar com a fama. As pressões económicas e do marido levam-na a abandonar a série logo após a primeira temporada. Para as horas que levava de filmagem, o seu salário – 10 mil dólares por episódio – não era suficiente no entender do seu marido. Voltaria ainda como protagonista em alguns episódios, mas poucos, já muito perto do final. Em 1979, a sua relação com Majors termina. Pouco tempo depois já está ao lado de Ryan O’ Neal, que se converte até final no grande amor da sua vida e de quem, embora nunca casando, terá um filho, Redmond.

Em meados de ´80, O’Neal ressuscita-lhe a carreira com interpretações nos telefilmes “The Burning Bed” e “Small Sacrifices”. Nos anos ´90, aos 48 anos, pousa nua para a “Playboy” e este exemplar da revista é o mais vendido da década. Em 2004 inicia-se o crepúsculo definitivo associado a uma sucessão de tragédias: morte da mãe, irmã, do seu agente e Aaron Spelling, o seu mentor, tudo em menos de dois anos. Pouco depois é diagnosticado uma leucemia a O’ Neal e a ela própria logo de seguida, cortando as asas de um anjo que voou alto no céu irrespirável de Hollywood.

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