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Pagar a taxa de lixo e não beneficiar da sua recolha

“Warya Wa Wamphula” de Mahamudo Amurne fracassou e o lixo infesta Nampula

Residentes de alguns bairros periféricos da cidade de Nampula acusam a edilidade de não estar a cumprir os seus compromissos referentes à recolha de lixo, apesar de os supostos beneficiários estarem a pagar mensalmente as taxas para o efeito na altura da compra de energia eléctrica.

Alguns munícipes da cidade de Nampula a rmaram que o Conselho Municipal de Nampula não precisa de arrecadar os valores monetários de pagamento das taxas de lixo dos residentes para poder melhorar a sua prestação de serviços públicos aos cidadãos porque dispõe de muitas fontes de aquisição de receitas para o efeito.

Por exemplo, apontaram as receitas oriundas das actividades de fiscalização nos mercados municipais e estabelecimentos comerciais existentes na urbe, a cobrança de taxas para a movimentação de um determinado expediente na secretaria do município e os impostos cobrados a cada cidadão residente nesta autarquia.

Jamal Abudo Nanguma, residente da Unidade Comunal Mário Unguabi, bairro de Namutequeliua, cidade de Nampula, disse que a situação relacionada com a recolha de lixo na sua zona residencial vai de mal a pior, pelo facto de a edilidade ter esquecido os residentes por razões que ninguém se propõe a explicar.

Acrescentou que em alguns locais de maior concentração pública, como os mercados e as ruas, veri ficam-se enormes quantidades de lixo depositados pelos moradores na esperança de Conselho Municipal recolher, facto que não passa de um simples desejo.

Nanguma disse ainda que a falta de recolha de lixo está a causar sérios problemas de saúde, principalmente, no período chuvoso onde se regista o recrudescimento de casos das ditas doenças das mãos sujas (diarreias), sarampo e malária provocada pela picada do mosquito que é produzido nas lixeiras, entre outras doenças.

“Esses dirigentes apenas se preocupam connosco quando se aproxima o momento das eleições. Andam nas nossas casas para pedir votos, prometendo melhorar as condições de vida das comunidades, situação que não passa de uma miragem”, disse, frisando que se os dirigentes não sentem tais problemas é porque nunca se dirigem às bases para perceber de perto o que na verdade acontece.

A fonte salientou que a população já está a ficar agastada com a situação, sobretudo o pagamento de taxas desnecessárias, devido à subida do custo de vida que se regista um pouco por todo o país, aliada à precariedade dos salários mínimos pagos pelo Governo moçambicano, o que reduz o poder de compra dos trabalhadores.

Outro munícipe que preferiu falar na condição de anonimato sob pena de sofrer represálias, se se identi ficasse, porque é funcionário do Aparelho do Estado, deu a conhecer que já lá vão sete meses que o chefe da Unidade Comunal realizou um trabalho de auscultação visando apurar o nível de preocupação que a situação está a causar no seio da população para posteriormente encaminhar as contribuições para o Conselho Municipal, facto que não teve a devida solução.

O nosso entrevistado avançou que, às vezes, os moradores alugam uma carrinha de caixa aberta e promovem uma jornada comum de limpeza nos locais de acesso público. “Os líderes comunitários têm medo de sensibilizar a população no sentido de não se depositar o lixo na rua, devendo fazê-lo no seu quintal e de seguida proceder à sua queima, propósito que nunca se concretizou porque os munícipes estão já consciencializados sobre as obrigações que a edilidade tem na recolha do lixo”, concluiu.

Saneamento do meio: um problema sem solução à vista

A situação de saneamento do meio ambiente no bairro de Namutequeliua é considerada razoável tendo em conta o nível de consciencialização das pessoas no seu envolvimento no combate, sobretudo, das doenças originadas pela falta de higiene. O secretário do quarteirão 16 na Unidade Comunal Mário Unguabi, Casimiro Ussene, disse que a população prefere recolher o lixo dos seus quintais e deitar em locais onde a edilidade possa recolhê-lo enviando-o para as lixeiras municipais.

Ussene acrescentou que a única preocupação das entidades comunitárias é a falta de meios para a remoção de águas negras que se concentram nas pequenas lagoas devido à água das chuvas. Além dos resíduos sólidos, a zona tem as suas vias de acesso quase bloqueadas devido às construções de residências em locais não adequadas. A culpa dessa situação recai sobre os técnicos do Conselho Municipal que aprovam os projectos de edi ficação de habitações sem procurar compreender as condições que os locais oferecem.

Fecalismo a céu aberto

A nossa reportagem constatou que a maioria dos residentes da Unidade Comunal não dispõe de latrinas melhoradas dentro dos quintais de modo a contribuir para a redução do fecalismo a céu aberto, sendo que fazem as necessidades maiores nas matas que rodeiam aquela zona residencial que, nos últimos tempos, está a registar um aumento da taxa demográ fica devido ao processo de migração do campo para a cidade.

Dados em nosso poder indicam que de mais de 100 mil pessoas que habitam a região, apenas 15 porcento tem latrinas melhoradas para estancar a problemática do fecalismo a céu aberto, factor que propicia o surgimento de doenças que constituem um autêntico atentado à saúde pública. Mesmo em algumas áreas de produção agrícola há pessoas que deitam os seus excrementos.

Assane João disse que a situação acontece perante a passividade das autoridades governamentais a nível das comunidades, que nada fazem para a sensibilização das populações visando desencorajar esta prática. A fonte referiu que existem jovens e adultos que não têm a mínima ideia do perigo que estão a causar para a sua própria saúde, pois trata-se de uma questão cujo combate deve concretizar- -se com maior envolvimento das comunidades através da mudança de mentalidade.

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