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Oposição venezuelana derrota o “chavismo” e conquista maioria parlamentar

A oposição venezuelana derrotou os socialistas do governo e conquistou a maioria no Parlamento, no domingo, pela primeira vez em 16 anos, formando uma plataforma para desafiar o presidente Nicolás Maduro. A aliança de oposição Mesa da Unidade Democrática conquistou 99 assentos na Assembleia Nacional, enquanto os socialistas ficaram com 46 das 167 cadeiras, de acordo com a comissão eleitoral, ainda faltando a contagem dos votos em alguns distritos.

O presidente de 53 anos, que foi escolhido a dedo por Chávez, mas que não tem seu carisma nem seu tino político, rapidamente aceitou a derrota em um discurso à nação, acalmando os temores de violência.

Ciente de que a vitória se deveu mais à insatisfação pública com Maduro do que ao amor pela oposição, o chefe da coligação adversária, Jesús Torrealba, exortou os venezuelanos a superarem as suas diferenças. “Estivemos divididos durante anos, e o país não ganhou nada com este erro histórico… a Unidade Democrática não está aqui para maltratar ninguém”, afirmou Torrealba, de quem Maduro debochou chamando de “Shrek do mal” durante a campanha, em discurso de comemoração nas primeiras horas desta segunda-feira.

Reiterando que uma Lei de Amnistia será uma prioridade da oposição quando a nova assembleia começar a trabalhar, no dia 5 de Janeiro, Torrealba prometeu o retorno dos direitos “daqueles que foram injustamente perseguidos, presos, afastados da política ou exilados”. Mas ele também garantiu aos apoiantes do governo que a coligação tentará não se desfazer dos programas sociais extremamente populares durante os mandatos de Chávez, entre 1999 e 2013, e que Maduro insistiu em afirmar que a oposição encerraria.

Com 99 cadeiras diante das 46 dos socialistas até o momento –os resultados sobre os 22 assentos restantes ainda não foi divulgado–, a coligação opositora parece a caminho de obter uma maioria de três quintos, o que significa que, em teoria, poderá demitir ministros após uma moção de censura. Com esta vantagem, a oposição pode tentar reformular instituições há muito vistas como pró-governo, como o Judiciário.

Mesmo com uma maioria simples, os opositores podem exercer controle sobre o orçamento, iniciar investigações que podem constranger o governo e aprovar uma Lei de Amnistia.

“A vitória da oposição é altamente significativa. Isso se dá, em parte, porque é a primeira vez… que a oposição consegue traduzir a frustração pública com o governo em vitória nas urnas”, disse Fiona Mackie, analista de América Latina da The Economist Intelligence Unit.

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