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SELO: Opinião sobre o fracasso da marcha da sociedade civil, escrito por Américo Matavele

“Separados como os dedos de uma mão, mas unidos pela palma da mão.” Adaptado de Booker Washington, activista dos direitos humanos que eu não gosto.

A Sociedade Civil (SC) organizou uma manifestação de repúdio à violência para o dia 25 de Junho de 2013 na Cidade de Maputo, a qual seria caracterizada pela realização de uma marcha que tinha um itinerário já desenhado.

Estranhamente (?), a marcha foi cancelada por fraca aderência dos cidadãos, o que levanta questões de diversa ordem que não vou tentar aqui discuti-las todas, trazendo apenas uma.

A causa, que acho que é motivo principal deste fracasso, é o deficit da cidadania que caracteriza estes momentos actuais. Este deficit, para mim, é provocado pela nossa nova religião: a anarquia.

Explico: ultimamente há uma cultura que é encorajada até por intelectuais de renome, que passa principalmente pelo desrespeito às instituições. Nós estamos a encorajar este grande erro, uma vez que confundimos cidadania com o desrespeito às instituições, que, quando aparece alguém a insultar, a desconfiar ou mesmo a caluniar as instituições, dizemos logo que isso é que é o exercício da cidadania. Quanta ignorância!

Cidadania é o respeito pelas instituições, uma vez que elas é que executam e supervisionam a execução das leis para a harmonia social (cidadania), e sem elas o que cultivamos é a anarquia.

Isto é, uma sociedade é regida por leis, e, o pleno funcionamento e harmonia destas é da competência das instituições específicas, uma vez que é impossível que cada cidadão aplique uma lei por si só, em razão de que isso poderia trazer um congestionamento, e logo uma anarquia.

Qualquer país que se preza e se gaba do exercício da cidadania é que há respeito pelas instituições, uma vez que são estas o garante da convivência pacífica entre os cidadão.

Alguns dirão que as instituições não funcionam em Moçambique, e blá, blá, blá… Mas para que funcionem é necessário que os cidadãos as respeitem e as pressionem a prosseguir com as suas atribuições (vide o exemplo da pressão dos cidadãos aquando da detenção do Dr Arroz)!

Sem essa cidadania de recurso e controlo às instituições, estamos a entrar no mato! Estamos a semear uma anarquia que teremos dificuldades em eliminá-la; estamos a deixar um legado perigoso aos mais novos!

Com este encorajamento à anarquia (os motivos justificam?), estamos a criar um precedente que ninguém terá capacidade de dar uma voz de comando para cessar. Ninguém! Moçambique deve ser nossa referência, apesar das nossas diferenças.

Moçambique é o país nosso, e as instituições são nossas, quer queiramos, quer não. E são estas instituições que devemos construir sem que isso nos diminua ou nos faça perder qualquer coisa que seja.

Temos as nossas diferenças (principalmente políticas), mas isso não pode fazer com que estraguemos o país, uma vez que a guerra política é também civilizada, e pode ser feita sem a cultura e o encorajamento da anarquia. Unidade na diversidade.

Só assim, penso eu, é que podemos fortalecer o espírito de cidadania nos moçambicanos, e só assim é que podemos construir um país, e quiçá, uma Sociedade Civil forte e vibrante, e também marchas lentas, alegres e cheias de cidadãos!

Actualmente encoraja-se o insulto, a negação, a desconfiança, a calúnia, o combate violento e até a supressão das instituições.

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