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ONU vê tráfico de armas para os dois lados do conflito sírio

O governo sírio e os rebeldes do país estão a receber cada vez mais armas, o que alimenta um conflito que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), já matou mais de 10.000 pessoas em 16 meses, disse, esta Segunda-feira (2), a alta comissária de Direitos Humanos da entidade, Navi Pillay.

“A actual provisão de armas para o governo sírio e seus oponentes alimenta uma violência adicional”, disse Pillay em discurso lido por ela ao Conselho de Segurança da ONU.

“Qualquer nova militarização do conflito deve ser evitada a todo o custo.” Ela afirmou que considera a actual situação na Síria como um “conflito armado interno não-internacional”, termo jurídico que designa uma guerra civil.

Quando esse termo é empregado, dizem os diplomatas, as regras da Convenção de Genebra passam a aplicar-se ao conflito.

Pillay não disse qual é a origem das armas, mas sabe-se que Rússia e Irão estão entre os principais fornecedores de material bélico para o regime de Bashar al-Assad.

Os diplomatas da ONU dizem que Catar e Arábia Saudita estão cada vez mais  a armar a oposição síria.

A alta comissária reiterou o seu apelo para que o Conselho de Segurança, formado por 15 países, encaminhe a questão síria ao Tribunal Penal Internacional, porque os crimes contra a humanidade e outros crimes de guerra estariam a ser cometidos.

Segundo ela, ambos os lados parecem ter cometido crimes de guerra. Ela citou também as conclusões de uma comissão de inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o massacre de Houla, em Maio, que deixou mais de 100 mortos, inclusive dezenas de crianças.

A comissão afirmou, Sexta-feira (29), que as mortes foram cometidas por partidários de Assad. Segundo Pillay, as evidências apontam para “uma maior responsabilidade do governo”, mas que não é possível excluir que algumas mortes tenham sido cometidas por membros da oposição.

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