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Onda de autoimolações desafia o domínio chinês no Tibet, diz uma rádio

Cerca de cinco tibetanos imolaram-se, semana passada, em protesto ao domínio chinês sobre o Tibete, afirmou uma rádio norte-americana, no que uma ONG disse ser uma campanha organizada contra a repressão de Pequim à liberdade religiosa.

Duas auto-imolações foram registadas, Segunda-feira (13), na montanhosa localidade de Aba, que fica na província de Sichuan, mas tem maioria étnica tibetana, segundo a Radio Free Asia.

Depois desses incidentes, confrontos entre policiais e membros da etnia tibetana deixaram pelo menos um manifestante morto, informou a emissora. Muitos tibetanos reivindicam que Pequim autorize o regresso ao Tibete do seu líder político e espiritual, o Dalai Lama.

A China diz que os tibetanos que suicidam-se pelo fogo são “terroristas” e criminosos, e acusa o Dalai Lama de incitá-los. O pesquisador de Ásia da ONG nova-iorquina Human Rights Watch, Phelim Kine, disse que a frequência das auto-imolações dos tibetanos é “um reflexo da frustração e do desespero cada vez maiores” dos tibetanos, ávidos por reformas e por medidas de protecção da sua cultura, língua e religião.

“Não vemos nenhuma insinuação dessas mudanças no curto a médio prazo, ao invés disso, vemos um endurecimento da posição do governo chinês”, disse Kine.

“Essa é uma tendência lamentável que irá continuar até chegarmos à transição da liderança.” Os líderes chineses geralmente reprimem possíveis fontes de turbulências antes do congresso partidário que anuncia os novos líderes do país, um evento que costuma acontecer a cada década, e que está previsto para Outubro deste ano.

Contando com os incidentes mais recentes, pelo menos 47 tibetanos auto-imolaram-se desde Março de 2011, segundo grupos de activistas.

Última semana, a Campanha Internacional pelo Tibete, com sede em Washington, noticiou duas auto-imolações, e a campanha Tibete Livre, do Reino Unido, relatou três incidentes no mesmo período.

A China domina o Tibete desde 1950, quando as tropas comunistas invadiram a região e anunciaram a sua “libertação pacífica”. Pequim afirma que o domínio chinês trouxe desenvolvimento e prosperidade, e nega violar direitos dos tibetanos.

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