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Obama pede cooperação chinesa para planejar século XXI

O presidente americano, Barack Obama, fez um apelo aos chineses para que ampliem sua cooperação com os Estados Unidos no planejamento do século XXI, afirmando que o relacionamento de Washington e Pequim é “tão importante quanto qualquer outro” no mundo.

Dando início a dois dias de importantes conversas na capital americana, Obama pediu à China que coopere em um leque maior de assuntos do sistema intenacional, da recuperação econômica ao combate às mudanças climáticas. Além disso, fez uma sutil menção à questão dos direitos humanos. “A relação entre os EUA e a China dará forma ao século XXI, o que a torna tão importante quanto qualquer outra relação bilateral no mundo”, declarou o presidente americano.

“Esta realidade deve ser a base de nossa parceria. Esta é a responsabilidade que carregamos”, acrescentou. No que pareceu ser um novo slogan pré-definido, Obama e o presidente chinês, Hu Jintao (que enviou uma mensagem à reunião), disseram buscar “uma relação positiva, construtiva e abrangente”. “No papel de dois países que possuem influência significativa no mundo, China e Estados Unidos têm importantes responsabilidades em um repertório de assuntos cruciais envolvendo a paz e o desenvolvimento da humanidade”, indicou Hu. “Nossos dois países devem ousar expandir os pontos em comum, reduzir diferenças, aumentar a confiança mútua e fortalecer a cooperação”, afirmou.

Obama, que deve ir à China ainda este ano, tem entre suas prioridades o estreitamento das relações com Pequim, que hoje é o maior credor da astronômica dívida americana. O diálogo desta semana retoma uma aproximação iniciada em 2006 pelo governo de George W. Bush – que, no entanto, foi centralizada apenas em temas econômicos.

A China, cuja delegação em Washington é liderada pelo conselheiro estatal Dai Bingguo e pelo vice-primeiro-ministro Wang Qishan, indicou que pretende pressionar os EUA a respeito de algumas questões, além dos 750 bilhões de dólares que o país possui atualmente em títulos da dívida americana. O secretário do Tesouro Timothy Geithner, que coordena o lado americano das negociações com a secretária de Estado Hillary Clinton, disse que as maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento do mundo devem coordenar os esforços de combate à crise econômica. “Como nações de liderança, China e Estados Unidos têm a oportunidade de agir não apenas em benefício de seus próprios cidadãos, mas também em prol da economia global”, destacou Geithner.

Nas últimas décadas, os governantes americanos evitaram classificar o relacionamento com a China como “o mais importante” do cenário internacional. Quando disputava com Obama a indicação do Partido Democrata para se candidatar à presidência, no ano passado, Hillary Clinton recorreu a estes termos, deixando preocupados alguns aliados importantes dos EUA, principalmente o Japão. Obama, que se por um lado rejeita a visão da China como uma rival, por outro demonstra consciência acerca das diferenças com a potência asiática, em particular no que diz respeito aos direitos humanos.

O presidente disse que os Estados Unidos respeitam a “cultura milenar” chinesa, mas acrescentou: “Também acreditamos fortemente que a religião e a cultura de todos os povos deve ser protegida e respeitada, e que todos os povos devem ter liberdade para dizer o que pensam”. “Isso inclui as minorias étnicas e religiosas na China, da mesma forma que certamente inclui minorias dentro dos Estados Unidos”, disse Obama.

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