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Obama estreia no G20 com a missão de provar sua autoridade e força

A reunião do G20 nesta quinta e sexta-feira marcará a estreia do presidente Barack Obama como anfitrião de uma cúpula internacional, e representará para ele uma oportunidade de consolidar sua popularidade no exterior e seu carisma político em uma posição de autoridade global. Obama, no entanto, estará diante de líderes internacionais num momento de acirrada batalha política em Washington. As coisas estavam bem diferentes em Abril, quando Obama fez seu ‘debut’ na cena internacional na cúpula do G20 em Londres, beneficiado pela onda de euforia que cercou sua chegada ao poder.

Quatro meses depois, com a popularidade em queda devido aos embates pela reforma da Saúde nos Estados Unidos, Obama registra 51% de apoio na pesquisa diária da Gallup. Em Abril, contava com mais de 60% de aprovação popular. Várias das prioridades estabelecidas pelo presidente americano – como o combate às mudanças climáticas e a regulamentação financeira – enfrentam dificuldades no Congresso.

 “O desafio do presidente Obama é criar um ambiente no qual os Estados Unidos não sejam vistos apenas por sua atraente liderança, mas sim pela criação de uma agenda que o mundo esteja disposto a seguir”, estimou Jon Alterman, especialista do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais. Os líderes mundiais acompanham a batalha pela reforma da Saúde para ver se Obama está de facto no comando “ou se pode ser desafiado com impunidade”, completou Alterman. A cúpula do G20 acontece em uma semana frenética para a diplomacia internacional, que pode ter consequências duradouras na posição global de Obama.

O presidente americano participará da Assembleia Geral da ONU e terá reuniões importantes sobre a paz no Oriente Médio. Os assessores de Obama acreditam que a imagem dos Estados Unidos no mundo já mudou, após os oito anos de governo do execrado George W. Bush (2001-2009). Mesmo assim, não há evidências suficientes neste momento que apontem para uma mudança de rumo dos conflitos globais. Até este momento, por exemplo, o governo Obama foi incapaz de conseguir que israelitas e palestinos retomem as negociações de paz, apesar da intensa diplomacia.

O Irã, que recebeu a “mão estendida” de Obama com um punho cerrado, também não registrou muitos progressos em sua situação diplomática, ao mesmo tempo em que se aproximam as cruciais negociações marcadas para 1º de outubro. Na semana passada, a Casa Branca impôs taxas sobre a importação de pneus produzidos na China, o que aumentou temores sobre uma nova onda de protecionismo nos Estados Unidos. Obama também terá que decidir se envia mais tropas para o Afeganistão, para uma guerra cuja impopularidade cresce em seu próprio país.

Ao assentar as bases para a cúpula do G20, o presidente disse no sábado em seu discurso semanal no rádio que os líderes devem parar com “a negligente assunção de riscos e a irresponsabilidade” nas finanças globais, que deram origem à pior crise económica em décadas. Suas palavras, no entanto, não tranquilizam os europeus, que esperam sanções contra as empresas que continuam pagando bônus milionários a seus funcionários.

Pode até ser que as expectativas do mundo estejam muito além da capacidade de Obama de conseguir vitórias no campo doméstico, com um Congresso que provavelmente moldará sua proposta de reforma regulatória de modo a torná-la

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