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Obama envia mais 30 mil soldados ao Afeganistão

O presidente Barack Obama anunciou na noite de terça-feira o envio de mais 30 mil soldados americanos ao Afeganistão, para reforçar uma campanha militar “vital” ao “interesse nacional” dos Estados Unidos. “Como comandante-em-chefe, determinei que é vital para nosso interesse nacional enviar mais 30 mil soldados ao Afeganistão”, disse Obama em discurso na Academia Militar de West Point.

“Os 30 mil soldados suplementares (…) seguirão na primeira parte de 2010, no ritmo mais rápido possível, para deter a rebelião e tranquilizar os grandes centros populacionais”. Segundo Obama, a decisão de enviar mais tropas exigiu muita reflexão. “Estou convencido de que nossa segurança nacional está em jogo no Afeganistão e no Paquistão. Lá está o epicentro do extremismo violento praticado pela Al-Qaeda”.

Para derrotar a rede terrorista, que segue “planejando ataques neste momento”, o plano inclui ainda o reforço institucional do Paquistão. “Este cancro fincou raízes na região da fronteira paquistanesa, o que exige uma estratégia que funcione nos dois lados da fronteira”. Obama garantiu que o Afeganistão “não está perdido”, mas reconheceu que nos últimos anos a situação regrediu diante da retomada da força dos rebeldes talibãs. Segundo o presidente, o envio de mais 30 mil soldados americanos e os esperados reforços dos aliados “nos permitirão acelerar a transferência de responsabilidade às forças afegãs e iniciar a retirada de nossas tropas em julho de 2011”.

“Tal como fizemos no Iraque, levaremos a cabo a transição de forma responsável, tomando em consideração as condições do terreno” e a avaliação dos comandantes militares. O presidente destacou a importância de se treinar as forças afegãs para que assumam suas responsabilidades: “Os dias de cheque em branco acabaram (…) Está claro para o governo afegão, e mais importante, para o povo afegão, que eles serão os responsáveis por seu próprio país”. Segundo a Casa Branca, Obama disse ao presidente afegão, Hamid Karzai “que os esforços americanos e internacionais no Afeganistão não podem ser ilimitados e que seu alcance deverá ser avaliado à luz de progressos sensíveis e tangíveis dentro de 18 a 24 meses”.

No discurso em West Point, Obama criticou os que “sugerem que o Afeganistão é um outro Vietnã” e que afirmam que o país não pode ser estabilizado, para justificar uma “rápida retirada” para limitar as perdas. “Estas conclusões são baseadas em uma leitura errônea da história (…) Ao contrário do Vietnã, somos hoje apoiados por uma ampla coalizão, de 43 países, que reconhecem a legitimidade de nossa ação…”. Segundo o presidente, o envio de mais 30 mil homens à campanha afegã custará cerca de 30 bilhões de dólares aos Estados Unidos em 2010. Com mais 30 mil homens, os Estados Unidos terão cerca de 100 mil soldados no território afegão. No momento, Washington lidera um contingente de 112 mil soldados estrangeiros na campanha para combater os rebeldes talibãs.

Os EUA, com 70.000 homens, são o país com o maior número de tropas, distribuídas entre a Isaf (Força Internacional de Assistência à Segurança, da Otan) e a operação “Enduring Freedom”, ambas sob o comando do general americano Stanley McChrystal. Da Isaf participam 43 países, entre eles os 26 membros da Otan, com um total de 71.030 militares.

Diante das crescentes baixas americanas, o governo em Washington se sente cada vez mais pressionado com a guerra afegã, iniciada no final de 2001 com a invasão liderada pelos Estados Unidos para derrubar o governo talibã. Uma pesquisa USA TODAY/Gallup divulgada na terça-feira revela que 55% dos americanos desaprovam a administração do conflito por Obama – um percentual muito mais elevado que o de uma sondagem semelhante realizada há quatro meses.

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