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O sonho virou pesadelo

Os Mambas perderam em Nairobi, frente ao Quénia, por 2-1, e conheceram a segunda derrota no Grupo B da fase de qualificação para o Mundial-2010.

Os golos quenianos foram rubricados por Owino (10’) e Mariaga (76’), este último de grande penalidade. Ainda assim, os Mambas ainda conseguiram empatar a partida aos 50 minutos, por intermédio de Domingues.

A selecção de Moçambique ter-se-á, este sábado, praticamente despedido da fase final do Mundial de 2010, que terá lugar na África do Sul, depois de perder, por 1-2, em Nairobi, frente ao Quénia, em jogo da terceira jornada do Grupo B da terceira fase africana de apuramento. Depois de um empate caseiro, sem golos, no jogo de estreia, frente à Nigéria, e uma derrota (0-2), frente à Tunísia, que colocou a selecção no último lugar do grupo, Moçambique está agora também em risco de nem sequer participar na Taça Africana das Nações (CAN) de 2010. Quanto ao Quénia, que somava duas derrotas até ao momento, subiu agora ao terceiro lugar, com três pontos, apenas menos um do que a Nigéria.

Embalado pelo futebol alegre, vistoso e inteligente de Patrick Joseph Onyango, a selecção nacional do Quénia deu um enormíssimo passo rumo ao Angola-2010. Num jogo onde só a vitória seria boa para Moçambique, os comandados de Mart foram-se abaixo com o golo consentido por Marcelino aos 7’ e hipotecaram a qualificação para o África do Sul-2010.

Durante os 90’ Martinus Ignatius Maria foi tacticamente subjugado por Antoine Hey que, nos primeiros 25 minutos, poderia ter resolvido a contenda ao favor da sua formação. Num jogo que não deixa saudades para os adeptos moçambicanos que tudo fizeram para apoiar os Mambas Antoine Hay ‘calcou’ a cabeça do terceiro e colocou o Quénia na rota do CAN. No primeiro quarto de hora Mart levou uma lição de futebol táctico.

Em sete minutos, o dilúvio de futebol queniano rebentou as resistências dos Mambas e, daí em diante, veio o desânimo. Os quenianos usavam a bola como queriam e as marcações quase desapareceram. Até os 25’ o Quénia dominou completamente a partida – com jogadas de belo recorte técnico mas geradas pela apatia do visitante – depois tirou o pé do acelerador e, com isso, os homens de Mart lograram algum equilíbrio e até algum ascendente nos 10 minutos finais do primeiro tempo.

A derrota frente ao Quénia foi uma humilhação que poucas desculpas deixa para factores externos. Para justificar os 2-1, não pode ser atribuída culpa ao árbitro, ao “azar”, ao público ensurdecedor que esteve no Moi Internacional Sport Kasarani, ao vento, à falta de adeptos no estádio ou a qualquer “anomalia”.

Frente ao Quénia, os Mambas foram uma equipa que irradiou erros pelos seus sectores, em particular na pressão defensiva. Quando os Mambas restabeleceram a igualdade e partiram à procura do segundo golo, Mart, ao invés de fazer uma pressão média-alta, obrigou os seus jogadores a recuarem e fazeram a pressão média-baixa.

O Quénia, esse, levou a lição bem estudada, e marcou cedo, tirando proveito da primeira (de muitas…) grande falha defensiva de Marcelino. E a breve reacção moçambicana – Dominguez e Paíto que tentaram puxar a equipa para frente – não assustou os quenianos.

Moçambique começou o jogo num 4x3x3, mas que no terreno de jogo transformava-se num 4x2x3x1 o que significava que os Mambas iriam apostar numa transição defesa-ataque rápida mas curta, por estar mais perto da área adversária, transição ataque-defesa ainda mais rápida, por ser mais longa, alicerçada em princípios da posse de bola e circulação, descansando com ela quando em vantagem, o que não aconteceu durante 25’.

Mas na prática mart apostou na pressão média-baixa, muita vezes feita de forma basculante e não vertical. Mart não conseguiu ainda que os Mambas consigam mudar de estratégia em função do adversário, algo importante sobretudo neste grupo, onde as equipas tem naturalmente, diferentes estilos de jogo, algo que Martinus Ignatius Maria parece ainda não ter percebido.

As alterações de Mart foram tardias (Genito por, Dário por Gonçalves e Dário por Josimar) e Antoine Hey meteu na ‘fogueira’ Mariaga o que obrigou os Mambas a manterem-se alerta para evitar números ainda piores. Enquanto a matemática deixa o Quénia a sonhar com o Mundial, em Moçambique os sonhos deram lugar ao pesadelo: ganhar ao Quénia, na Machava, só por sí, pode não chegar para o CAN.

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