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ISTO É: O sistema mata-nos*

… a gente é o que há de melhor Certo!

O que se faz esta noite?

O habitual. Estar na rede social.

Isso chama-se determinismo (ou condicionalismo) tecnológico.

Concordo! Principalmente quando se tem as redes sociais acopladas aos telemóveis.

Malditas redes sociais acopladas aos mobiles. Maldição ou bênção? E, por falar em redes sociais, o teu celular já vem com o Twitter ou tiveste que o descarregar? Bênção!?!

Bênção uma pinóia mazé. Eu já não posso visitar-te porque posso ligar-te, falar contigo no WhatsApp, no Twitter, no Facebook e companhia. Ainda chamas isso Bênção. E o humanismo? Onde é que fica o humanismo, enquanto relacionamento interpessoal? Nenhuma Bênção condiciona a vida da gente. Aliás, eu já vou dormir para não dizerem que estou a usufruir da maldita Bênção.

Ciau! Espera aí, isso merece uma resposta. Trata-se de uma provocação que deve ser respondida. Não posso engolir sapos vivos de jeito nenhum. Ninguém te impediu de responder. Diz!

Primeiro, continuo a defender que as redes sociais – anexas aos telemóveis – são mesmo uma Bênção. Segundo, não é por culpa das redes sociais que tu não me visitas. É culpa tua. Terceiro, era inevitável e irreversível que esse desenvolvimento tecnológico se operasse porque o mundo já caminhava para isso. Tarde ou cedo iríamos chegar a esta fase.

Certo! Mantém-te assim, obtuso, com o teu discurso desenvolvimentista, porém, constantemente sem sistema: é energia que – com o teu próprio dinheiro – não podes comprar porque não há sistema; é o teu próprio dinheiro que não podes ter por causa da deficiência do sistema; é a água que não podes pagar por falta do sistema; já viciado pelo mesmo, ressacado da preguiça que ele em ti injecta, é com o teu amigo que não poderás conversar porque não há sistema; daqui a pouco já não vais poder amar – ou mesmo fazer sexo – porque faltará o sistema.

Irmão, tu estás a ficar dependente do sistema. Já reparaste que essa coisa a que chamas Technology, na verdade é uma espécie de Blocknowledge? Cuidado irmão!

Óptimo, tens toda a razão. Mas já te imaginaste sem essa tecnologia? Porque é que andamos a culpar os outros pelos nossos próprios problemas? Quando é que vamos olhar para nós mesmos e vermos o que está a falhar em nós? Olharmos para a nossa culpa e procurar repará-la?

Irmão, depois de condicionado, claro que não me imagino. Mas já paraste para pensar como o teu bisavô vivia antes dessa tecnologia? Já reflectiste sobre como é que a tua avó que está em Nicoadala vive? Tu, com esta tua tecnologia, quanto tempo viverás? Como? O problema não é da tecnologia, mas do uso que dela se faz.

Correctíssimo! Mas, penso para mim, se calhar por estar equivocado, não vais convencer-me de que de todas as vezes que eu precisei do sistema para resolver os meus problemas e não o encontrei, esses tecnodependentes se recordaram de que não são robots e que, como humanos, podiam/podem atender-me.

Óptimo! E já paraste para pensar sobre quanto tempo levava uma carta enviada – sem o uso da tecnologia – para chagar ao destinatário, a casa da tua avó, se é que chegava? Já paraste para reflectir sobre quantos recursos a minha avó ia economizar ao usar o painel solar ou energia eólica? Já paraste para meditar como eu – jovem da geração da viragem – me ia virar no meio do caminho sem combustível no carro? Tudo tem o seu preço, meu caro.

E tu achas que as futuras gerações que – com esta tua tecnologia sistemática – matas, equivalem a isso?

Não podemos comparar as máquinas a seres humanos. Isso é um absurdo! Independentemente de todos os problemas – que da tecnologia surgem – este avanço tecnológico veio facilitar a nossa vida, mesmo daqueles que são os mais cépticos.

Certo! Mas no final, é por causa dessa mentalidade – “não podemos comparar as máquinas com os seres humanos” – que ignoramos o verdadeiro valor das coisas. Desconhecemo-lo e cometemos asneiras com impacto negativo na vida de quem ainda não existe. Isso é o que me abespinha até as entranhas.

A minha avó tem painel solar em casa, não paga energia, possui celular e ela telefona-me. O meu avô tem uma prótese – bênção da tecnologia – sem a qual não poderia andar…

Meu irmão, não dá para continuar esta discussão, eu gostei imenso da conversa de hoje. Penso que foi muito produtiva: somos dois homens, feitos à imagem de Deus, e nela perdidos. Amanhã será um novo dia. Falamos. Bom descanso!

Com certeza, meu irmão. A aprendizagem é isso. É não só concordar, mas também permitir a possibilidade de haver contradições, opiniões diferentes – se necessário opostas – porque não podemos fomentar o conformismo e a unanimidade.

Óptimo! A gente é o que há de melhor.

*Conversa com Jeque de Sousa Augasse

Inocêncio Albino

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