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O pecado de viver em Nkobe

Fica no município da Matola. Nos dias que correm, devido à precariedade e ausência de transportes de passageiros, entrar e sair de Nkobe nas horas de ponta é como que experimentar o inferno. A situação, segundo testemunhámos no terreno, piora à medida que o tempo passa e já está a afectar drasticamente o bolso dos moradores.

As estradas com buracos, o crónico problema do encurtamento de rotas e a lotação acima do normal são os principais factores que fazem com que uma viagem a Nkobe seja mais longa do que realmente é. O bairro dista 30 quilómetros do centro da capital do país, contudo o calvário que se vive ao longo do seu percurso leva facilmente à conclusão de que o mesmo fica a mais de 50 da cidade de Maputo. Por exemplo, nas horas de ponta, para quem parte do bairro de Magoanine para Nkobe a viagem pode durar 4horas. Ou seja, de Magoanine a Benfica, levamse, conforme testemunhámos, 40 minutos e deste ponto ao bairro de Nkobe o percurso pode durar pouco mais de três horas.

O regresso feito depois da hora de ponta, desta vez para o centro da cidade, leva pouco mais de 2horas. Com mais de dez anos, segundo testemunhas, o bairro foi construído para acolher uma parte da população que habitava junto da Estrada Nacional nº4 na altura em que a via foi ampliada. Entretanto, actualmente a zona enfrenta vários desafios relacionados com a falta de serviços básicos, como a necessidade de uma escola secundária, um centro de saúde e uma circulação eficaz de transportes. Pelas palavras dos residentes, essas insuficiências constituem o ponto fraco para a sobrevivência no bairro.

Por exemplo, a falta de escolas faz com que muitas crianças percorram longas distâncias em busca do saber, um exercício que se apresenta cada vez mais arriscado, principalmente no período nocturno. Tal como os estabelecimentos de ensino, sucede com os centros de saúde. Os doentes percorrem longos quilómetros para chegar a unidade sanitária mais próxima. A agravar tais situações está o drama vivido na busca de transportes. Faltam mais viaturas para reforçar a circulação. Os autocarros dos Transportes Públicos de Maputo (TPM), exploram apenas a rota do Museu, uma actividade desenvolvida a conta-gotas.

 Por dia não passa de cinco o número de viagens que fazem para aquela zona. De acordo com uma fonte da empresa, nos próximos dias serão introduzidos novos autocarros para explorar a via NkobeBaixa. Para os poucos transportadores privados que usam a rota, andar por ali afigurase cada vez mais difícil por causa do alto nível de degradação em que a estrada se encontra, particularmente a partir da fábrica SOCIMOL até ao sítio conhecido por quilómetro 15. “Não gostamos de vir a esta zona porque os nossos carros correm o risco de se estragar. As condições desta estrada não ajudam”, afirmam. Nos dias chuvosos e na hora de ponta, o troço tem sido um autêntico martírio para gente normal e um desafio impróprio para os cardíacos.

 De acordo com os utentes, aquele cenário virou prática reiterada. “Esta zona exige sacrifício. Aqui as regras são impostas pelos transportadores. Há dias em que nos cobram dez meticais numa viagem daqui até a baixa de Maputo”, disse um morador.

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