Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Publicidade

O Estado da Nação segundo o povo

O Estado da Nação segundo o povo

O Presidente da República foi à Assembleia da República apresentar o habitual informe anual sobre o Estado Geral da Nação, um documento que faz a radiografia do país nos últimos 12 meses. Por ser a última edição do ano e para permitir que o jornal pudesse chegar ao leitor antes do natal, o mesmo foi fechado um dia antes de o chefe do Estado se dirigir à nação, daí não ter sido possível trazer a síntese do informe.

Por isso, o @Verdade foi à rua colher a opinião dos cidadãos sobre o que eles acham do nível e das condições de vida dos moçambicanos. As perguntas eram constituídas por quatro itens, nomeadamente Transportes, Educação, Saúde e Custo de Vida. Eis os depoimentos:

Chama-se João Carlos Manuaze, 32 anos de idade, residente no bairro Patrice Lumumba

Transportes

Este foi um dos piores sectores este ano, verificou-se uma aguda e inaceitável falta de transporte interurbanos. As pessoas ficam horas à fio nas paragens à espera de um transporte semi-colectivo ou público que nunca chega, obrigando-as a terem de recorrer à carinhas de caixa aberta não licenciadas para o transporte de passageiros.

Educação

Fala-se de valores em dinheiro que são desembolsados para o sector da Educação, uma parte do qual é destinado à construção de escolas, compra de mobiliário escolar (carteiras), entre outros bens. Mas conti nuamos a ver milhares de crianças a estudar debaixo das árvores, estando expostas às intempéries.

Saúde

São muitos os moçambicanos que morrem no leito do hospital, por falta de atendimento condigno ou morosidade no próprio atendimento, milhares de pacientes ficam estatelados no chão, devido à falta de bancos ou cadeiras nalgumas unidades sanitárias. Para além disso, são muitos os agentes da saúde que conti nuam a atender mal os pacientes ou utentes das unidades sanitárias.

Custo de vida

Este é outro problema que aflige os moçambicanos, sobretudo aquela pacata população que tem um rendimento baixo. Os preços de produtos de primeira necessidade são cada vez mais caros, e o poder de compra de muitos moçambicanos é baixo, se atendermos o facto de haver muito desemprego neste país e o salário mínimo na função pública ser mísero.

Chama-se António Machava, cidadão moçambicano, conta com 43 anos de idade, residente no bairro Ntenga, algures na Matola.

Transportes

Verifica-se uma desordem total nesta área, os transportadores fazem o encurtamento de rotas, as pessoas demoram muito tempo nas paragens a espera dos transportes semi-colecti vos ou públicos.

Saúde

A falta de unidades sanitárias, sobretudo nas zonas rurais, faz com que doentes recorram a medicina tradicional, cujo tratamento é com base nas raízes. Para além disso, alguns agentes da saúde atendem de forma desumana aos pacientes, nalgumas vezes insultam-nas sem nenhuma necessidade.

Educação

São muitas as escolas cujas salas de aula são as sombras das árvores, as carteiras não existem e os alunos estudam de qualquer maneira, eles vão a escola só porque respeitam os mais variados apelos nesse sentido. O Governo elabora currículos que não se adequam com a realidade moçambicana.

Custo de vida

Viver em Moçambique está a ser muito difícil, os preços de produtos alimentares, materiais de construção sobem exponencialmente. Nós os desempregados ficamos num beco sem saída, difícil é para comermos, muito mais para construirmos. Ismael

Abdul, 37 anos de idade, guarda informal e residente na baixa da cidade de Maputo.

Transportes

Este ano o Governo falou da importação de centenas de viaturas para a empresa Transportes Públicos de Maputo, mas esses autocarros pouco ou em nada se fizeram sentir na vida dos cidadãos. Demora-se mais tempo nas paragens do que em qualquer outro lugar.

Saúde

Foram construídos algumas unidades sanitárias (centros e postos de saúde nos bairros da periferia) mais ainda não correspondem o grosso número dos que demandam pela assistência sanitária.

Educação

Neste sector devo dizer que as coisas estão a falhar, a introdução das passagens automáti cas não foi bem pensada, serviu de um pretexto para infernizar o Sistema Nacional de Educação e tornar os alunos mais burros e simples caixas de ressonância.

Custo de vida

O Estado da Nação é mau, senão péssimo, pois muitos moçambicanos estão cada vez mais a ser engolidos pela pobreza e a arrastados pela crescente onda do desemprego.

Luísa Cossa, 34 anos de idade, vive em Laulane e trabalha como empregado doméstica

Transportes

Esse é um dos problemas que o povo moçambicano enfrenta. O reforço da frota dos TPM e a introdução dos autocarros da FEMATRO veio amenizar a situação, mas ainda é pouco. Se isso acontece aqui na capital, imagine noutras cidades?

Educação

O sistema de educação está péssimo, os resultados dos exames da primeira época são o refl exo da decadência do nosso ensino, desde a primária até a universidade. É triste!

Saúde

Desde que tiraram o ministro Ivo Garrido a situação na saúde tende a piorar, os funcionários não dignificam a bata que vestem. Falta uma mão dura por parte de quem de direito.

Custo de Vida

O custo de vida continua alto, não vou dizer que subiu. Os preços não estão uniformizados. Ainda existe um fosso entre ricos e pobres, há falta de emprego. Não existe uma relação directa entre o salário e as necessidades.

Rafael João Formado em História Política e Gestão Pública (HIPOGEP), pela Universidade Pedagógica, de Nampula

Transportes

Na componente dos transportes, algo está a melhorar, mas deve haver muito esforço porque não são todas as províncias que têm os transportes públicos e deve-se alastrar para outras províncias para que as economias sejam iguais em todas as províncias do país.

Educação

Fazendo um balanço geral, desde os tempos em que alcançámos a independência, há uma melhoria. Há uma progressão aceitável na construção de escolas. É algo que está ser feito. Mesmo com estas melhorias, para aquilo que a população esperava realmente em termos de governação política, ainda há muito que fazer.

Também as políticas sociais devem ser revistas. O exemplo são as mudanças curriculares que muitos problemas estão a criar. Estas mudanças podem até ser bem-vindas, mas a maneira como têm sido implementadas é que não é boa.

Saúde

No âmbito da Saúde, há também mudanças, sobretudo em infra-estruturas, formação de novos enfermeiros, o número de médicos tem vindo a aumentar, mas mesmo assim essas formações não está a surtir efeito, não estão a responder a essa demanda da população, signifi ca que algo ainda deve ser feito porque ainda temos muitas pessoas nas filas dos hospitais à procura de atendimento, que muitas vezes acabam não conseguindo, tornando-se, assim, uma fragilidade.

Custo de vida

É um problema delicado. Olhando para a conjuntura internacional que vivemos, há uma coisa que não está a andar bem, porque quando se regista um custo de vida que não ajuda a população a ter meios básicos de sobrevivência e não há mecanismos para minimizar tal pobreza, o normal é que as pessoas estejam frequentemente em greve, tarde ou cedo.

Jaqueline Sitoe, 24 anos, estudante do ensino superior e residente algures na cidade da Matola.

Transportes

Nas horas de ponta é onde vemos as difi culdades por que passam inúmeros cidadãos moçambicanos, dada a falta de transportes interurbanos, alguns usam a sua musculatura e força para poderem dominar os outros e apanhar os chapas. Esta continua a ser uma guerra sem tréguas.

Educação

Muitas crianças com idade escolar foram absorvidas para o Sistema Nacional de Educação, embora que uma esmagadora maioria delas estudem em situações difí ceis, nomeadamente debaixo das árvores e sem carteiras.

Saúde

Há mau atendimento nos hospitais, alguns agentes da saúde dão-se ao luxo de proferir palavrões aos pacientes, as pessoas ficam muito tempo na bicha para depois serem atendidas de forma quase desumana.

Custo de vida

Caro, cada vez mais caro, é como se pode fazer a leitura da carestia de vida neste país, os preços de produtos aumentam ao ritmo da velocidade da luz, enquanto isso, os salários míseros e o desemprego vão tomando as rédeas da vida dos moçambicanos.

Aida Sebastião, 24 anos de idade, reside algures na cidade de Maputo, estudante do ensino superior.

Transportes

Esta área é manchada pela falta de transportes semi-colectivos por um lado e público por outro. As pessoas são obrigadas a fazer ligações sem nenhuma necessidade, devido ao encurtamento de rotas, uma irregularidade cuja cumplicidade é atribuída a polícia municipal que pouco ou nada faz para desencorajar este tipo de comportamento.

Educação

O Ministério da Educação tem elaborado ou implementado currículos que em nada abonam a qualidade de ensino, o exemplo claro disso, são as passagens semi-automáticas. Nos exames finais tem se registado casos de mau aproveitamento dos candidatos ou examinandos, o que significa durante o processo de ensino-aprendizagem pode ter havido muitas lacunas.

Saúde

Morosidade no atendimento é um problema que já virou normal. Nalguns casos os agentes da saúde fofocam entre si em vez de atenderem os pacientes. Se a pessoa não for conhecida não é atendida como deve ser, são respeitados os conhecidos, familiares e amigos dos agentes da saúde. Há vezes em que alguns agentes cobram um valor aos pacientes alegadamente para serem atendidas o mais rápido possível.

Custo de vida

É um pouco difícil falar do custo de vida aqui em Moçambique, enquanto umas pessoas vão vivendo por cima do dinheiro, outras dormem sem comer nada por falta de dinheiro para comprar produtos alimentares. O pior é que os preços dos tais produtos da primeira necessidade são altos de tal maneira que chegam a assaltar o bolso da pacata população. O combate a pobreza está longe de surtir, muitos moçambicanos estão a sofrer, pois neste país a vida está difícil.

Helves Daniel, 28 anos de idade, residente algures no município da Matola.

Transportes

Há uma aguda falta de transportes, sobretudo de Matola para cidade de Maputo, quer sejam semi-colectivos, quer sejam públicos. Muitos chapeiros fazem o encurtamento de rotas, dificultando a viajem dos passageiros, pois para chegarem aos seus destinos são obrigados a fazer ligações. Isto acontece mais nas horas de ponta.

Saúde

Nalguns cantos do país são erguidos hospitais para ajudar as comunidades, este é um bom sinal, no entanto, o moroso e mau atendimento têm machado muito este sector nos últi mos tempos. O pior é que alguns agentes da saúde atendem mal aos pacientes, não têm o mínimo de carinho com os que demandam os seus serviços.

Educação

Há que se trabalhar mais neste sector deveras importante para qualquer pessoa independentemente do seu status social. A qualidade de ensino é um caos, os professores do agora já não dão aulas como devia ser, preocupam-se mais em assinar o livro de ponto em vez de dar aulas. Eles andam desmoralizados talvez pelo salário mísero que auferem.

Custo de vida

É triste falar do custo de vida neste país, muitas famílias vivem mergulhados na pobreza sem um fim a vista. Os preços de produtos básicos sobem cada vez mais, o desemprego é intenso, sendo que nalgumas vezes os desempregados acabam dedicando-se mundo do crime para poderem sobreviver. Eles os governantes, deputados e companhia vão vivendo a custa do dinheiro do erário público, mas quase nada fazem para a pacata população.

José Armando, 47 anos de idade, mora em Laulane e é funcionário público

Transportes

Continuamos a ter problemas de transporte e com os engarrafamentos a situação torna-se mais crítica. Isso faz com que as pessoas optem por comprar carros particulares antes mesmo de ter uma casa. Acho que deviam alocar mais autocarros e abrir novas vias.

Educação

Já não se aprende nada nas escolas. Acho que as pessoas vão para o sector da educação para se refugiarem, não o fazem por amor à profi ssão. Mas tem também a questão da superlotação das salas, a falta de carteiras. Aumentou-se o número de escolas mas a qualidade ainda está aquem do desejável.

Saúde

O sector da saúde está estagnado, vive-se um clima de anarquia. É normal chegar ao hospital às 7 e ser atendido às 15. há muitas enchentes. Mas o que mais me preocupa é que morre-se muito agora, quando alguém é internado não sabe se vai sair de lá vivo.

Custo de Vida

A vida está difícil em Moçambique. Está tudo caro, mas continuamos a ver os políticos a dizerem que houve melhorias, o que não constitui verdade. Com o salário mínimo a pessoa não pode pensar em construir, custear a educação dos filhos, entre outras coisas. Vivemos de sacrifícios!

Amélia da Silva, 31 anos de idade, residente no bairro da Mafalala, Cidade de Maputo.

Transportes

Este ano parece ter se agudizado o problema da falta de transportes interurbanos. Em consequência disso os poucos que circulam fazem o encurtamento de rotas, o que obriga os passageiros a fazer ligações desnecessárias. Os transportes públicos não circula como devia ser, nas horas de ponta rareiam, o que provoca enchentes nas paragens.

Educação

Os nossos filhos têm uma qualidade de formação má, o próprio sistema em si não funciona. É preciso que as estruturas da Educação revejam e adoptam estratégias tendentes a uma boa qualidade de ensino no país, como é que se justifica que um aluno da 8ª classe não saiba escrever o seu nome. As reprovações massivas nos exames são em parte resultado da má qualidade de ensino.

Saúde

A rede de cobertura sanitária ainda não chega as zonas recônditas, obrigando as populações das zonas rurais a percorrer quilómetros a fio. Muitas mulheres grávidas dão parto nas suas casas, devido a falta de hospitais nas suas zonas. Também enferma o sector da saúde, a proliferação do mau atendimento nos nossos hospitais, para além de que muitos agentes da saúde já perderam a sensibilidade humana, pois mal atendem as pessoas que procuram pelos seus serviços.

Custo de vida

A situação vai de mal a pior neste país, os preços dos produtos de primeira necessidade sobem exponencialmente. Fala-se tanto que Moçambique viu o seu Produto Interno Bruto subir, sinal de que nacionalmente temos estado a produzir muito. No entanto, são milhares e milhares de moçambicanos que quase que não sentem essas subidas, pois vivem abaixo da linha da miséria. A vida neste país está difícil e cada vez mais cara.

Chama-se Berta Mucavele, 28 anos de idade, residente no bairro da Liberdade, na Matola. Estudante do ensino superior e funcionária pública.

Transportes

À semelhança de muitos compatriotas meus, eu sinto na pele a dor da falta de transportes, um problema que não é de hoje, remonta já há anos, mas parece que neste 2011 atingiu contornos alarmantes. Para eu me deslocar da Liberdade para Museu, tenho de subir entre dois a três chapas, porque os transportadores semi-colecti vos encurtam as rotas por baixo das barbas das enti dades que deviam impedir esse tipo de situações.

Educação

Felizmente o nosso Governo tem se esmerado na construção de escolas, compra de diverso mobiliário escolar. Mas, não deixa de ser preocupante o facto de ainda termos escolas cujas salas são árvores e os plásticos e sacos as carteiras. Isto acontece um pouco por todo o país, sobretudo nas zonas da periferia ou rurais.

Saúde

Há morosidade de atendimento quase em todas unidades sanitárias do país, mais triste ainda é o atendimento desumano por parte de alguns profissionais da Saúde, estes que não mostram o mínimo de sensibilidade humana que deviam ter como pessoas que lidam com múlti plos doentes e cada um com os seus problemas.

Custo de vida

Não basta que nós olhemos para um punhado de gente com boas condições de vida e digamos que está tudo bem, temos é que olhar as coisas pelas entranhas, buscarmos a realidade inconfundível e irrefutável dos moçambicanos. Falo de dezenas de milhares de pessoas que vivem abaixo de um dólar ao dia. Aliás, esta é uma realidade que arrola uma esmagadora maioria dos moçambicanos.

Emmanuel Nicodemo Bairro de Cimento 1, cidade de Cuamba

Transportes

O sistema de transporte continua precário e tem vindo a piorar a cada novo ano. Urge criar-se condições para reverter a situação, a começar pelas vias de acesso que são quase intransitáveis. As estradas que ligam Cuamba a Nampula e Cuamba a Lichinga precisam de ser melhoradas de modo a impulsionar o desenvolvimento da cidade de Cuamba, por sinal a capital económica da província de Niassa.

E outra questão é o transporte urbano: há carência, ou melhor, não existe. Os munícipes, sobretudo os estudantes, são obrigados a percorrer longas distâncias. É necessário que a edilidade crie condições e também o empresariado local deve apostar na instalação de uma rede de transporte urbano.

Saúde

Na área da Saúde em Cuamba, não há motivos de queixa. Os postos de saúde estão próximos da população, ou seja, grande parte dos moradores não tem de percorrer longas distâncias para receber atendimento médico. Os profissionais de saúde conhecem o seu papel e exercem a sua acti vidade com seriedade e profissionalismo. Tem havido demora no atendimento, mas isto deve-se, em grande parte, à falta de enfermeiros e técnicos de saúde para responder à grande procura por cuidados médicos.

Educação

No que respeita à Educação, ainda há muito por ser feito para melhorar a qualidade de ensino. A maioria das infra-estruturas escolar é precária e grande parte dos alunos ainda estuda sentado no chão. Por exemplo, a Escola Secundária de Cuamba foi reabilitada, mas não tem carteiras e isso é uma situação que se verifica em quase todas as escolas da cidade. Além disso, é importante que se criem mais faculdades de modo a que os estudantes que concluem a 12ª classe prossigam com os estudos.

Custo de vida

O custo de vida tem vindo a ser cada vez mais elevado. Antigamente as coisas estavam melhor, mas a cada ano a situação tende a ficar difícil. O preço dos produtos de primeira necessidade não pára de subir.

Mariamo Amisse, de 42 anos de idade, vendedora ambulante na cidade de Nampula,

Transportes

A nível da província de Nampula, não há transportes públicos que levem a população de um bairro ou distrito para o outro como acontece na província e cidade de Maputo, por isso gostaríamos que este país fosse dividido: Maputo ser lá e Nampula ser aqui.

Saúde e Educação

As áreas de Saúde e Educação são muito semelhantes onde tudo parece estar a ser comandado pela mesma pessoa. Mau atendimento, muita corrupção e mais, os enfermeiros e os professores também são irmãos porque um enfermeiro trata mal e o professor educa mal. Quando é para vender medicamentos, o enfermeiro vende e o professor só deixa um aluno passar de classe quanto tiver dinheiro.

Custo de vida

A vida está difícil. Não temos nada. Na verdade, estou a vender bolos de modo a sustentar os meus filhos.

Jacinto Macuvela, 37 anos de idade, pedreiro, residente do bairro Magoanine C, é da opinião que o estado da nação pode ser avaliado de forma equilibrada. Segundo ele, há feitos que o governo merece algum mérito por tê-los desencadeado.

Transportes

Macuvela aplaudiu a iniciati va do governo ao conceder fundos, através do Fundo dos Transportes e Comunicação (FTC), à FEMATRO para aquisição de mais carros, com vista a estancar o problema de transporte que afecta(va) as cidades de Maputo e Matola.

Educação

Na opinião de Jacinto, este sector teve muitas fraquezas porque o governo, de forma não muito clara, recuou em algumas medidas que tinha anteriormente tomado, como é o caso do curriculum de Bolonha adoptado para o ensino superior no país.

“As oscilações que a UEM teve no estabelecimento das taxas de matrícula revelam-se como uma nódoa no sector da educação”. O problema da falta de professores e da conti nuidade na contratação de professores não formados, também deixou uma marca indesejada no sector educacional.

Saúde

A falta de medicamentos em muitas unidades hospitalares públicas é apontada por Jacinto como o marco desapontante no sector. A fonte elogiou o sector da saúde por algumas reformas feitas ao nível nesta área, principalmente na zona centro e norte, onde a maior parte dos distritos passaram a ter médicos.

Custo de vida

Jacinto é da opinião que embora não tenha sido em larga escala, as condições de vida melhoraram muito. A mesma fonte exorta ao governo a impulsionar o fomento de mais postos de emprego, que ofereçam alguma condição de vida aos trabalhadores porque, segundo ele, disto depende o bem-estar do cidadão.

Agostinho Inguide, 23 anos, residente no bairro Magoanine “A” estudante da 11- classe, é da opinião que o no presente ano não houve muitos avanços nas áreas em causa.

Transportes

Apesar da alocação de novos carros para a cidade de Maputo e Matola, estes não chegaram a melhorar a vida das pessoas porque circula(vam) de forma irregular e não há quem os fiscalize. O que perpetuou o problema de transporte.

Educação

Neste sector, Agosti nho diz que o governo não adoptou nenhuma estratégia para conter a onda de reprovações na 10- classe, que para o ano passado assolaram a 12- classe.

Saúde

A fonte aponta este sector como o que mostrou-se mais estagnado ao longo deste ano. Reconhece que houve mexidas esteticistas nos hospitais, mas nada se fez para acabar com o mau atendimento hospitalar. “As pessoas continuam a ser mal atendidas nos hospitais, apesar de estes terem ganho uma nova roupagem”.

Custo de vida

Agostinho percebe que as condições de vida dependem do bom andamento dos tópicos anteriores, “se a saúde, a educação e o transporte não funcionam plenamente, então as condições não podem ser das melhores, porque estes são aspectos indispensáveis para o pleno andamento da vida do cidadão”.

Carlos Mabote, 36 anos de idade, mora em Magoanine. É estudante e vendedor.

Transportes

Nota-se uma melhoria no que diz respeito aos transportes mas ainda falta muito por fazer. O problema atinge principalmente as cidades, o investimento nos transportes devia ser proporcional ao aumento demográfico, o que não acontece. Como alternati va, as pessoas são transportadas em camionetas.

Educação

Se eu dissesse que a educação melhorou estaria a mentir, houve mas é aumento do número de escolas mas a qualidade não é das melhores, deixa muito a desejar. Os alunos reprovam em massa é nada é feito para evitar que tal aconteça. Urge uma reflexão à volta deste assunto.

Saúde

Este é uma das áreas que está a registar avanços nos últimos tempos. Os hospitais estão a ser reabilitados, há pessoal formado, maior parte dos bairros têm centros de saúde, já há médicos nos distritos, o número de óbito por malária tende a reduzir. A preocupação é m relação ao Hiv/Sida, há pessoas que estão a enriquecer, abrem ONG´s, pedem financiamento e nada fazem em prol dos seropositi vos.

Custo de Vida

Essa é uma questão preocupante. Está difícil viver em Moçambique, principalmente nos principais centros urbanos. Por isso a juventude entrega-se à prostituição, ao álcool e às drogas. Não há emprego e as pessoas saem dos distritos a pensar que é nas cidades que há oportunidades. Os preços tendem a subir e o salário não é suficiente.

Rachid Aurélio, de 21 anos de idade, residente do bairro do Zimpeto, avalia o ano de 2011 como um daqueles em que o nosso governo, embora não tenha conseguido fazer tudo o que planeava, consegui minimizar alguns problemas básicos, nas áreas em causa.

Transportes

A fonte lamenta o facto de ainda não haver política de equilíbrio na distribuição do transporte urbano. Aponta o facto de ainda existirem zonas cuja cobertura do transporte está minimizada e outras, onde não se pode falar de transporte semi-colecti vo, porque é como se não existisse. Como exemplo, aponta para o número de carros que vão a Xiquelene, que são muitos, e Matendene, onde prati camente a vida depende do TPM. Acha que devia haver controlo do número de viaturas por rotas e barrar a o licenciamento de carros para rotas que já os tem por demais. Nisto, Rachid acha que nada foi feito.

Educação

A fonte aponta este sector como o que mais fraco foi. Defende a sua opinião dizendo que quase que nenhuma escola foi construída ao longo deste ano, sendo que o governo, segundo ele, apenas se limitou a reabilitar algumas. Rachid acha que a questão da educação não conheceu muitos progressos ao longo deste ano. Para este, a abolição de passagens automáti cas, foi o único ganho deste sector ao longo de 2011.

Saúde

A potenciação do centro de saúde do Zimpeto e a ampliação do centro de saúde José Macamo aparecem como aspectos de mais-valia na visão de Rachid. Entretanto aponta para o atendimento hospitalar como um assunto ainda a quem do desejado.

Custo de vida

Neste item, Rachid é da opinião que a vida em Moçambique, no geral e Maputo em particular, continua cara. “O governo devia criar mais postos de trabalho”, disse Rachid.

Teresa Wangue, de 42 anos de idade, residente em Matendene, vendedeira do mercado Grossista do Zimpeto, acha que o desempenho do governo para o presente ano não foi, de nenhuma forma, positi vo, principalmente no sector da educação e transporte.

Transportes

Vimos a entrada em funcionamento de muitos carros, desde os públicos ate aos privados, mas as paragens continuaram a ficar cada vez mais cheias. Acho que devia se adoptar outros meios de transporte para unir os diversos lugares a cidade de Maputo. Também devia-se melhorar as estradas, para permitir mais celeridade, e por fim reforçar as vias alternativas.

Educação

No que concerne a educação, Teresa olha para a falta de vagas como um dos aspectos bizarros, que marcou o processo do ensino e aprendizagem ao longo deste ano, talvez pelo facto de ter a filha que vai começar a estudar com 7 anos, contrariamente aos 6 que são recomendados pelo sector da educação. Lamenta, mais ainda, o facto de a vagas ter afectado crianças que ingressariam pela primeira vez na escola.

Saúde

Wangue olha para o seu bairro e lamenta o facto de em todo o ele, com uma população acima de 10 mil habitantes, haver apenas um posto de saúde. Com isto, ela é da opinião que nada foi ou está sendo feito e acrescenta que há muitos bairros onde a situação é pior.

Custo de vida

Sendo vendedeira, olha para o custo de vida como algo que cada um tenta “ajeitar” à sua maneira. Nisto ela percebe que o esforço que cada um faz, ajuda a melhorar o custo de vida e o governo apenas deve apoiar. Entretanto lamenta a actuação da polícia municipal no tratamento dos informais. Porque é graças a estas actividades (informais) que eles conseguem sobreviver.

Laurinda Gujamo, 34 anos, residente do bairro Luís Cabral, é da opinião que a actuação do governo no ano 2011 não foi ao encontro das expectativas, porque há muito do que se prometeu e que acabou não sendo cumprido.

Transportes

Vê esta área como um sector em que o governo tentou impulsionar dinâmica, mas que acabou num fracasso, porque o problema de transporte contínua, mesmo com licenciamento de mais carros. Sugere que haja equilíbrio no licenciamento de rotas.

Educação

Aponta para a falta de vagas nos diferentes níveis de ensino, com maior incidência para o nível primário. Considera que o facto de não ter se construído nenhuma escola durante o ano todo poderá agudizar a falta de vagas.

Saúde

Remata a questão do mau atendimento hospitalar, como o erro que o governo ainda não sabe como corrigir. O mais agravante do atendimento hospitalar, revela-se no momento do parto, porque segundo ela, algumas parteiras não tem nenhum conhecimento do trabalho que lhes é incumbido. Acha que o governo devia optar pela formação, ou capacitação das parteiras.

Custo de vida

Os preços sobem a cada dia e se formos ver, os salários só são ajustados uma vez por ano. Isso revela o desequilíbrio que há, o que limita a capacidade de compra do cidadão. É da opinião que o governo devia fiscalizar os mercados e evitar subidas especulati vas de preços. Resumindo, o custo de vida está acima das capacidades do cidadão.

Mertina João, 26 anos, empregada domésti ca, residente no bairro Zimpeto. Olha para o ano 2011 como aquele em que o governo não se deu tempo de assistir a vida das massas. Limitando-se a situações macro (minas de carvão em Tete, Petróleo no Rovuma, HCB).

Transportes

Acha que o custo de transporte esta acima das capacidade de aquisição do cidadão moçambicano. Pensa que o governo tem se distanciado deste problema, embora segundo ela, tenha conhecimento do está a acontecer na base (paragens e terminais). “O país precisa de mais carros”.

Educação

Comunga a sua insatisfação com muitos, pelo facto de muitas crianças que deveriam ter ingressado a escola pela primeira vez, não terem conseguido o fazer devido a falta de vagas. Também não deixa de lado a questão das massivas reprovações.

Saúde

A fonte acha que a reabilitação de hospitais (José Macamo) e o lançamento das obras do hospital provincial de Maputo foram de mais-valia para o sector da saúde.

Custo de vida

O custo de vida é visto por Merti na como um “fardo difícil de suportar” porque, segundo ela, a vida está cada dia mais difícil. Para ela, o que mais dificulta a vida, não é o salário que cada um ganha, mas as especulações feitas no mercado. Porque se o Governo decretasse uma tabela de preços em função dos salários, então as pessoas teriam poder de compra. Acrescenta que também deve haver um controlo de remuneração nas actividades, porque há pessoas que fazem o trabalho como o dela (empregada domesti ca) e ganham pouco menos de dois mil meticais.

Alcides Francisco, 28 anos de idade, é canalizador e vive no bairro de Magoanine

Transportes

Acho que a situação dos transportes está a melhorar, há mais autocarros e o sector privado está a fazer a sua parte. Só acho que o Estado não pode estar refém do sector privado. Quando chega a hora da ponta as paragens ficam cheias e isso devia preocupar os nossos dirigentes.

Educação

A educação está mais próxima do cidadão, e isso é de louvar. Há mais escolas, universidades. O problema está na qualidade. É muito triste ver alunos do ensino médio que não sabem escrever não conhecem a gramática. Continuamos e ter crianças que ficam em casa porque não há vagas, graduados da 12ª que não conseguem ingressar no ensino superior.

Saúde

Tem registado avanços, embora não sati sfaçam ao povo. Os hospitais estão limpos, há ambulâncias e já não se leva muito tempo na fila. O problema é a falta de medicamentos, somos obrigados a recorrer às farmácias privadas.

Custo de Vida

A vida está difícil, isso e é um facto, mas as coisas estão a mudar (para o melhor). Por exemplo, as pessoas já sabem o que é ter um carro próprio, casa. O mercado de emprego começa a abrir-se, principalmente no sector das obras. O calcanhar de Aquiles é a alimentação. Os produtos estão caros, mas acho que isso deve-se ao facto de sermos um país consumidor, não produzimos. O salário mínimo nem chega para suprir metade das nossas necessidades.

Manuel Sambo, 29 anos de idade, estudante universitário, residente em Luís Cabral, olha para o presente ano como de poucas concretizações por parte do governo. Avalia o governo como tendo sido receoso na tomada de certas medidas que poderiam ter garanti do o bem-estar do cidadão.

Transportes

Vê neste sector um problema que não se pode chamar “falta de transporte”, porque segundo ele, há muitos carros na cidade, mas estes não fazem um trabalho de “raiz” de modo a garantir uma boa cobertura. “Há disparidade na distribuição do transporte na cidade de Maputo. O governo deve procurar combater o encurtamento e desvio de rotas”.

Educação

Olha para este sector como o que mais falhou ao longo do ano 2011. Começa pela falta de vagas que lesou muitas crianças, estendendo a sua insatisfação para as oscilações verificadas na UEM, no que tange ao abandono de Bolonha, no meio do ano. Termina com as sistemáticas reprovações, cujas causas ninguém assume.

Saúde

A questão dos fármacos que foram deixados apodrecer num dos armazéns do MISAU, é vista por Sambo como um erro irreparável verificado no sector ao longo de 2011, tendo em conta que o país passou alguns meses, se ressenti ndo da falta de fármacos.

Custo de vida

Acha que a vida ficou difícil, ainda mais. As medidas que o governo “dissimulou” estar a tomar, fizeram muita gente entrar no comodismo. É da opinião que o governo devia planear os seus projectos antes de avançar com prematuras divulgações, porque estagnam a vida do cidadão desatento.

Arnaldo Machava, 45 anos, motorista de semi-colectivo de passageiro, residente no bairro Magoanine “C”. Olha para o ano 2011 como o que menos teve acções ou intervenções do governo nas cláusulas em causa.

Transportes

Considera que este sector foi, e tem sido vítima de negligência por parte do governo na medida em que apenas aloca-se carros e não se faz o devido acompanhamento do trabalho realizado por estes. “No tocante a alocação das viaturas da Fematro, o governo não observou se estes estavam a circular por todas as rotas, nas quais se comprometeram a cobrir.

Educação

Não houve, segundo a fonte, muitos problemas na área. Apenas considera como único “cisco no olho” a venda de vagas (talvez por ter comprado uma para a sua filha, no inicio do ano).

Saúde

Olha para as coisas de forma cêntrica, ou seja, a partir do ponto onde vive e arrisca-se a dizer que o ministério da saúde “não fez absolutamente nada”, porque o hospital que o bairro clama por ele há mais de cinco anos, não mostra sinais de um dia vir a ser erguido.

Custo de vida

Para o “homem do volante”, o custo de vida está minimizado, porque há muita afluência de produtos e também as pessoas vê no empreendedorismo, uma forma para ter o poder de aquisição. Nem com isso, apela para que o governo fiscalize mais os mercados, de modo a garantir que mesmo quem receba o ínfimo, tenha poder de compra.

Gregório Benedito Pastor da Igreja do Nazareno, de 47 anos de idade

Transportes

Realmente a área de transporte não é como nos tempos já idos. Hoje quando queremos ir a Tanzânia, Maputo, Beira, África do Sul, chegamos sem problemas, mas o mais grave são os transportes urbanos e interurbanos, não existe e ninguém pode falar sobre isso.

Educação

É preciso melhorar muito, o sistema do ensino precisa de muitos meios estratégicos e metodológicos para que haja um ensino de qualidade. Precisamos de ter mais escolas nas zonas mais recônditas, porque é lá donde saem ministros e presidentes ou mesmo intelectuais.

Saúde

O sector da Saúde está a melhorar, apesar de ser preciso melhorar-se a componente de atendimento e extensão da rede sanitária para mais longe das cidades. Somos muito insultados, e muito maltratados, o actual ministro, Alexandre Manguele precisa de actuar como o seu sucessor, Ivo Garrido, se ele ficar muito calado nunca vai fazer nada. Hoje os hospitais estão a ficar muito sujos, há mau atendimento e falta de medicamentos, além da venda de medicamentos nos diferentes mercados negros da província de Nampula.

Custo de vida

O custo de vida é como chifre de coelho que procuramos e não encontramos, parece estar a melhorar mas a verdade manda dizer que não temos nada, principalmente aqui na região norte com destaque para a província de Nampula. Tudo o que aparece em Moçambique é transportado ou deixado na província e cidade de Maputo, e nós aqui quando poderemos melhorar ou chegar ao ponto em que a capital do país se encontra hoje? Para ter dinheiro hoje não é fácil.

Alfredo Cuna, 30 anos de idade, mora em Albasine e é vendedor ambulante

Transportes

O que eu posso dizer é que não há transporte sufi ciente para todos, é muito triste. Chegamos tarde aos nossos postos de trabalho, os alunos perdem aulas devido à falta de transporte. Parece que o Governo não olha para esta área dos transportes) como prioritária.

Educação

Está como está, uma lásti ma. Os nossos filhos não sabem escrever mas quando chega o final do ano passam de classe. Dizem que o ensino primário é gratuito mas somos obrigados a pagar dinheiro para guardas. Quando são entrevistados dizem que a educação está a melhorar mas o que acontece é o contrário. Deviam manter o anti go sistema, era bom.

Saúde

Há melhorias no sector de saúde, graças ao Ivo Garrido, é bom que se diga. As pessoas já não têm medo ou receio de ir ao hospital. Espero que eles continuem a expandir os serviços de saúde para mais lugares do país e forneçam mais medicamentos às farmácias dos hospitais.

Custo de Vida

A tendência dos preços é de aumentar, dificilmente a situação vai mudar. O Governo deve aumentar o poder de compra dos moçambicanos, pagando salários dignos, adoptando políti cas de produção de alimentos por forma a deixarmos de importar bens da África do Sul.

António Mutoa Sociólogo e director da Associação de Extensão Nacional em Nampula

Transportes

A situação do país, principalmente em 2011, não é e nunca será boa, mas se for na ópti ca do chefe do Estado pode-se considerar que a situação é boa. A falta de transporte é um problema grave e deve ser resolvido urgentemente.

Educação

A situação da educação é degradante, porque os responsáveis do país, ministros, deputados, Presidente da República e os filhos dos mesmos não estão no país, e se estudam no país estão nas escolas privadas.

Saúde

O ministro da Saúde apareceu na Assembleia da República a dizer que havia o aprovisionamento de medicamentos, mas hoje na província de Nampula não há anti -retrovirais, há pessoas que já pararam de se medicar, não porque não querem mas porque na verdade não existem medicamentos.

As políticas de saúde são muito atrofiadas, sob o ponto de vista de que os hospitais mudaram o cenário, antes haviam cancelado quartos ou salas especiais hoje já existem especiais, então quer dizer que esta maneira de governação é brincar com as pessoas, ou com o cidadão. Espero que desta vez o Presidente da República não venha dizer que o estado da Nação está num bom caminho rumo à prosperidade, porque isso será um insulto aos moçambicanos.

Custo de vida

Esta não é uma situação para falar nos jornais. Eles têm razão de dizer que o nível de vida da população é razoável ou bom, porque no nível deles eles podem considerar isso mas a população está a passar mal. Gostaria de ver o Presidente Armando Guebuza na Assembleia da República a falar da realidade que a população está a passar, e não falar do bom caminho, porque no meu ponto de vista em Moçambique não há alternati va de vida.

Inês Manjate, 29 anos de idade, empregada doméstica e residente no bairro do Jardim, no município de Maputo.

Transportes

Ainda assistimos a uma crescente falta de transportes semi-colectivos e públicos de Matola para Maputo e vice-versa. Somos obrigados a fazer ligações sem nenhuma necessidade.

Educação

Milhares de crianças conti nuam estudando ao relento, sujeitas ao sol e chuva, no fim ao cabo quer-se um bom aproveitamento pedagógico, não é fácil nestas condições. Os professores parecem ter cada vez menos paciência e carinho com os seus alunos.

Saúde

Não obstante se fale em alargar a rede sanitária pelo país, as longas bichas de pacientes conti nuam sendo um problema sem fim a vista. Os agentes de saúde atendem mal os pacientes e não os respeitam se quer.

Custo de vida

Nunca teremos um dito “Estado da Nação Bom”, com a esmagadora maioria da população vivendo sob a miséria, aliada a subida exponencial de preços de produtos alimentares básicos.

Custódio Dava, 35 anos, residente no bairro Acordos de Lusaka.

Transportes

O actual quadro nesta área, é deveras desolador, as pessoas levam horas a fio nas paragens a espera de transportes que escasseiam nas estradas deste país. Os transportadores semi-colectivos ainda dão-se ao luxo de fazer o encurtamento de rotas sob o olhar impávido e sereno das enti dades competentes.

Saúde

Muitos moçambicanos conti nuam a morrer no leito dos hospitais ante o olhar insensível dos agentes da saúde, estes que atendem os pacientes mediantes as afinidades e troca de favores. Morosidade no atendimento é um mal que mancha este sector indispensável na vida humana.

Educação

Dezenas de milhares de crianças com idade escolar não tiveram este ano acesso ao Sistema Nacional de Ensino. Existem muitos alunos que continuam estudando em péssimas condições, por baixo das árvores e sem carteiras.

Custo de vida

Este problema veio para ficar, um mal aparentemente sem fim a vista, se tivermos em conta que os preços dos produtos alimentares sobem exacerbadamente.

Alima Joaquim, de 37 anos de idade Mãe de quatro filhos, camponesa e vendedora de maheu na cidade de Nampula

Transportes

A falta de transporte é um problema muito sério, principalmente ao anoitecer. A partir das 19 horas os “chapas”param de circular e somos obrigados a andar a pé, uma vez que não temos dinheiro para apanhar um táxi.

Educação

A educação não é para todos. Tento, à minha maneira, colocar os meios filhos na escola.

Saúde

Os hospitais andam muito cheios e, como se não bastasse, há mau atendimento. Temos de ficar muito tempo à espera de atendimento médico e, muitas vezes, regressamos à casa sem receber nenhum cuidado.

Custo de vida

As coisas não estão fáceis e cada dia pioram. Todos os dias tenho de caminhar 10 quilómetros até a machamba e depois vou para as ruas da cidade vender maheu de modo a sustentar os meus filhos. Porém, os agentes da polícia Municipal não nos deixam trabalhar. O Governo de hoje não sabe o que quer, porque um dia o Presidente diz que temos que ser empreendedores e, mais tarde, manda os seus filhos para nos tirar aquilo que temos.

Ussene de Almeida, de 22 anos de idade Estudante do curso de Educação Física e Desportos na universidade Pedagógica, delegação de Nampula,

Transportes

A situação económica e social em Moçambique tem vindo a melhorar, bastando olhar os anos de 1975 a 2000, não tínhamos vias de acesso, havia falta de hospitais, escolas, e para fazer negócio não era fácil, hoje o povo vai onde quer que seja, apesar de ser por via de transportes pessoais.

Educação

Eu sinto que há alguma melhoria, mas há muito por fazer para se melhorar a qualidade do ensino e isso não passa necessariamente pela promoção do acesso à educação ou construção de mais escolas.

Saúde

Sob o ponto de vista geral e não de pessoa para pessoa, reconheço que há pessoas a passar muito mal de fome, com falta de cuidados sanitários, de transportes, mas temos que analisar que cada vez que se realiza um trabalho, descobre-se outro, e acredito que vamos atingir o que esperamos, mas temos que lutar todos, o Governo, o povo, os intelectuais, cienti stas, professores e enfermeiros.

Custo vida

O custo de vida está alto, são necessárias políti cas económicas que se traduzam na melhoria de condições de vida da população moçambicana mais carenciada. Os governantes não devem mentir para a população, mas sim falarem a verdade sobre o estado da Nação moçambicana.

António Nihorua Porta-voz do partido Renamo, na cidade de Nampula

Transportes

Na componente de Transporte, há que se trabalhar muito na descentralização dos transportes públicos e semicolectivos para a população das zonas rurais.

Custo de vida

A situação de custo de vida no país está numa situação extremamente complicada, onde o pacato cidadão é obrigado a viver com menos um dólar por dia.

Educação

O sistema do ensino e aprendizagem que o Governo da Frelimo está a usar não é boa, pois ao invés de melhorar tem a tendência de particularizar em benefício de um pequeno grupo de pessoas.

Saúde

Na área de saúde, António Nihorua, diz que apesar de terem sido construídos alguns hospitais, ainda há muito trabalho pela frente para que as pessoas tenham assistência médica de qualidade. É necessário construir mais hospitais para a população das zonas mais recônditas e melhorar o atendimento e limpeza das infra-estruturas sanitárias.

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on telegram
Telegram

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!