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O aumento salarial de que a Polícia ainda não beneficiou

A notícia de reajuste salarial de 6 porcento para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e a Polícia da República de Moçambique (PRM) deixou os militares e os polícias entusiasmados, até porque, acreditavam, teriam mais dinheiro no fim do mês para comprar mais alguns quilos de arroz para gáudio das suas respectivas famílias. Porém, volvidos aproximadamente quatro mesas, a situação continua a mesma e os homens da defesa e da lei e ordem sentem-se enganados.

No passado mês de Maio, quando o Conselho de Ministros, reunido em 14ª sessão ordinária, aprovou o reajustamento salarial de 6 porcento para o Aparelho do Estado (civil e pensionistas), Forças Armadas da Defesa de Moçambique e para a Polícia da República de Moçambique, José (nome fictício), membro da PRM há pouco mais de 10 anos, ajeitou-se na sua cadeira para acompanhar melhor a informação que era veiculada pela estação de televisão pública.

A notícia chamou a atenção de José por diversos motivos, mas a sua grande preocupação tinha a ver com o aumento do rendimento mensal, pois já estava cansado de fazer “malabarismos” todos os fins do mês para garantir o sustento do seu agregado familiar constituído por cinco pessoas.

Rapidamente, usando apenas a cabeça, o polícia José fez as contas e chegou a uma conclusão: “Apesar do aumento de 6 porcento, iria continuar a apertar o cinto, uma vez que os preços dos produtos de primeira necessidade atingiam níveis insuportáveis”. Mas o valor extra era su ficiente para mais alguns quilogramas de arroz ou farinha de milho para a sua família.

O salário mensal dos agentes da PRM é de 3366 meticais, valor que não cobre a cesta básica. O custo do cabaz para o sustento de um agregado familiar composto por, pelo menos, cinco pessoas durante um mês, ronda os sete mil meticais, pondo de lado despesas de higiene, carne vermelha e entretenimento. A cesta básica, desenhada para a fixação do salário mínimo nacional, é composta por arroz, farinha de milho, óleo vegetal, açúcar, amendoim, feijão manteiga, peixe, sabão, hortofrutícolas e pão. E, apesar disso, nunca chegou a cobrir tal necessidade.

Tal como José, outros milhares de membros da PRM e militares encheram-se de alegria quando receberam a notícia segundo a qual a partir do mês de Julho o salário passaria a ser outro, apesar de o aumento ser algo insigni ficante em relação às despesas mensais.

Volvidos alguns meses, o regozijo esfumou-se, dando lugar à insatisfação, uma vez que o salário continua miserável. O sentimento de descontentamento dos homens da lei e ordem é expresso numa carta enviada à nossa Redacção. Eles acusam o Governo moçambicano de enganá-los.

“Nós, os polícias, e o povo moçambicano queremos saber o porquê de estarem a enganar, mentir à sociedade e aos doadores do Orçamento do Estado ao dizerem que o polícia e o militar têm o seu salário reajustado com base no novo salário mínimo aprovado pelo Governo”, questionam.

As acusações da Polícia vão mais longe. “Já estamos inconformados com este Governo de mentirosos. Isso porque numa sessão do Conselho de Ministros divulgou-se um despacho segundo o qual já tinham sido reajustados os salários dos polícias e militares, sem contar com os 6 porcento do aumento deste ano. Mentiram à sociedade e sem vergonha falaram isso à Imprensa. Resultado: toda a gente ficou a saber que o polícia e o militar já tinham o seu salário reajustado”, lê-se a dada altura na carta.

A insatisfação dos que garantem a ordem e a segurança pública parece um assunto ignorado pelo Governo. No passado mês de Junho, houve agitação na corporação, uma vez que os membros da PRM estavam a preparar uma greve, porém, segundo a carta que temos vindo a citar, a mesma não aconteceu porque “nos pediram ponderação. Esta manifestação não seria do povo, mas sim dos agentes da Polícia da República de Moçambique”.

O custo de vida está cada vez mais alto, esta é uma das coisas a que os moçambicanos têm di ficuldade em adaptar-se. Este é um constante dilema por que passam os polícias, militares, entre outras camadas da sociedade cujo salário não atinge os cinco mil meticais. O desespero toma conta dos agentes da lei e ordem.

“Onde está esse salário? Ou seja, o Conselho de Ministros mente ao próprio Comandante das Forcas de Defesa e Segurança que é o Presidente da República. Assim, o Presidente da República pensa que os seus homens já recebem o salário reajustado, o que não constitui verdade. Onde está esse reajuste? No bolso do porta- voz do Governo? Porque foi ele quem leu o tal despacho”, desabafam em jeito de remate.

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