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“Não é preciso que sociedade civil puxe cadeira para estar à mesa das negociações”, Afonso Dhlakama

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, diz que as organizações da sociedade civil que reivindicam participação no diálogo político e ensaiam colocar frente à frente o líder desta formação política e o Chefe do Estado, Filipe Nyusi, não precisam fazer alaridos, nem enveredar por esse caminho. Já bastam os conselhos e as propostas que dão através dos seminários e das palestras que realizam.

Afonso Dhlakama começou por explicar que “a sociedade civil como ela é, em qualquer país, com liberdade e democracia, faz propostas e aconselha as partes”, neste caso em conflito, como é do Governo e da Renamo.

Em Dezembro passado, as organizações da sociedade civil que compõem o Painel de Monitoria do Diálogo Político pela Paz, mas sem qualquer representação nas conversações em curso em Maputo, disseram que planeiam juntar as lideranças do Governo, da Renamo e o povo numa “conferência nacional sobre paz, reconciliação e desenvolvimento”, com vista a tentar convencer as partes em conflito a selarem um acordo definitivo e que assegure o perdão entre os moçambicanos.

Na altura, Salomão Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil (PJ), que hospedada o painel acima indicado, disse que o país “precisa de uma paz sincera, urgente e sustentável” e “basta de diálogo excludente”, promovido pelo Executivo e pelo maior partido da oposição.

Na última sexta-feira (03), o líder da “Perdiz” foi curto e grosso quando questionando sobre a presença ou não da sociedade civil nas conversações que prosseguem sem consenso e fim à vista: “não é preciso que a sociedade civil puxe a cadeira para estar à mesa das negociações”.

Num outro diapasão, ele disse que a sociedade civil ocupa-se do ambiente do país, do custo de vida, da falta de justiça, da discriminação, de políticas não correctas e pode fazer recomendações do que julga que poderia fluir de outra forma.

Concretamente no que diz respeito ao diálogo político, essas entidades podem, livremente, “propor algumas coisas” e isso já aconteceu quando os mediadores internacionais abandonaram o país sem nenhum consenso em relação aos assuntos que na altura estavam em discussão.

Nesta segunda-feira (06), o Painel de Monitoria do Diálogo Político para a Paz emitiu um comunicado no qual considera, entre outros pontos, que limitação das discussões a “um grupo de militantes da Frelimo e da Renamo com apoio de estrangeiros, excluindo largos segmentos da sociedade moçambicana, entre os quais outros partidos parlamentares e extra parlamentares, organizações da sociedade civil”, as partes desavindas “teimam em manter o mesmo espírito de exclusão que resultou no fracasso total das tentativas anteriores para uma paz genuína e duradoira entre os moçambicanos”.

Tal fiasco acontece desde as negociações de Roma, por isso, é imprescindível o lugar do povo (o patrão), representado pelas forças vivas da sociedade, na mesa do diálogo político.

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