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Muhala: Um bairro cujo crescimento contrasta com a disponibilidade de infraestruturas

“Hii Noroa Mohala Voo”, ou seja, “nós já vamos e vocês podem ficar.” Foi assim que surgiu o nome do bairro de Muhala, na cidade de Nampula. A história reza que na altura alguns cidadãos eram detidos pela PIDE devido ao não pagamento de impostos e outros pronunciavam, quando fugiam, essas palavras.

Para além dos naturais da cidade de Nampula, o bairro de Muhala – cujo crescimento contrasta com a disponibilidade de infra-estruturas e os problemas, sobretudo de saneamento do meio, tendem a aumentar – foi, no princípio, habitado pela população proveniente dos distritos de Mogovolas, Mogincual, Moma, Angoche e do Posto Administrativo de Corane, no distrito de Meconta.

De há uns tempos para cá, cidadãos de outras províncias e oriundos da região dos Grandes Lagos povoaram aquela área. Actualmente é visível uma mistura de gente de diversas origens, em particular africana. Muhala está localizado na cidade de Nampula. Tem cerca de 60.046 habitantes, segundo o último Censo da População e Habitação.

É constituído por sete unidades comunais, nomeadamente Eduardo Mondlane, 7 de Abril, Josina Machel, Paulo Samuel Khancomba, Serra da Mesa, 1º de Maio e 25 de Junho. Em termos de fronteiras, no norte é limitado pela Avenida Eduardo Mondlane, Rua Mártires de Moeda e pelo bairro de Namutequeliua.

No sul pela Avenida Frente Popular de Libertação de Moçambique (FPLM) e pelo bairro de Muahivire. Na zona este faz limite com os rios Nawithipele e com o Posto Administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula-Rapale, e a oeste com a Avenida Samora Machel.

Muhala, diga-se, é também um bairro que enfrenta problemas sérios de construções desordenadas. A presença massiva de estrangeiros vindos da região dos Grandes Lagos está a preocupar a população local alegadamente porque eles se encontram a viver ilegalmente e desenvolvem actividades comerciais.

Água, saneamento do meio e vias de acesso

No bairro de Muhala há muitas comunidades sem água potável. Localmente existem 31 fontanários, dos quais 10 estão avariados. Os moradores das unidades comunais 25 de Junho, 1º de Maio e Serra da Mesa, por exemplo, percorrem cinco a sete quilómetros para ter acesso ao precioso líquido.

Caso contrário, recorrem ao rio Muhala, de onde buscam a água para todas as actividades caseiras, incluindo para o consumo. O saneamento do meio daquele bairro é precário. O lixo e O fecalismo a céu aberto são alguns dos vários problemas com que se debate.

Os residentes das unidades comunais 7 de Abril; Josina Machel, Eduardo Mondlane e Paulo Samuel Khancomba, por exemplo, recorrem ao rio Muhala para fazer necessidades biológicas e para depositar os resíduos sólidos.

O mercado de peixe está degradado e A limpeza é nula. De todos os lados exala um cheiro nauseabundo. Enquanto isso, as unidades comunais de 25 de Junho, Serra da Mesa e 1º de Maio são as únicas que estão ordenadas e as restantes se encontram em estado deplorável.

As vias de acesso são precárias e na sua maioria são de terra batida, com excepção de uma e outra que estão a ser pavimentadas. Aliás, há zonas onde não é possível circular de viatura nem de motorizada.

Saúde e Educação

O bairro de Muhala não possui uma unidade sanitária sequer. A única que existia e que se situava na zona onde foi construído o mercado dos Belenenses deixou de funcionar quando as autoridades locais pretendiam reabilitá-la, o que não aconteceu até que foi vandalizada e destruída.

A população local, quando precisa de cuidados sanitários, divide-se pelos postos e centros de saúde circunvizinhos. Uma parte recorre ao Hospital Central de Nampula e a outra ao recém-construído Centro de Saúde de Muhala-Expansão, outra ainda ao Centro de saúde 1º de Maio. As doenças mais frequentes são a malária e as diarreias.

Educação e criminalidade

Na componente da Educação aquele bairro possui três escolas primárias e completas e duas secundárias. Serafim Cahia, chefe da Direcção Social de Muhala, disse ao @Verdade que há falta de estabelecimentos de ensino, sobretudo porque a procura é maior que o número de crianças que querem estudar. Esta situação não encontra resposta na construção de novas infra-estruturas.

Devido a esse problema, muitas crianças e jovens ficam sem estudar porque as vagas são insuficientes. Alguns percorrem entre três e cinco quilómetros para aceder a uma escola.

Segundo o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, na pessoa do seu porta-voz, Inácio Dina, o bairro de Muhala é o quarto com problemas sérios de criminalidade, em particular de homicídios, roubos e ofensas morais.

Enquanto isso, os moradores apontam que alguns crimes se devem ao reflorescimento de locais de diversão nocturna, cujo controlo é incipiente por parte das autoridades.

Jardins e Mercados

Isidro Sapatero, de 52 anos de idade, reside na Unidade Comunal Josina Machel, disse-nos que a sua preocupação neste momento tem a ver com a falta de mercados e espaços de recreação. Não há parques e jardins, nem um recinto desportivo. No bairro de Muhala só existe um mercado, o dos Belenenses.

Na Unidade Comunal 25 de Junho foi iniciada a construção de um bazar com fundos do sector privado mas as obras não terminaram por razões não explicadas, desde 2011. O tecto foi sacudido pelo vendaval e as paredes reduzidas a escombros.

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